segunda-feira, 17 de março de 2025

A Inteligência Artificial, Algoritmos e o Mundo Hiper-real: Uma Análise à Luz de Baudrillard - Parte 3


Em nossos tempos, cuja contemporaneidade desconstrói parte de nossa subjetividade humana e assim nos insere numa subjetividade maquinal, em que homem e máquina se fundem aos algortimos. Perdemos com isso a essência do saberes e dos fazeres próprios da cultura. De maneira mais clara, é o humano tornando se incapaz de lidar com suas dificuldades por não mais conseguir se expressar por meio de sua linguaguem natural. Claro que pode parecer um exagero e que apenas estamos fantasiando essa tal maquinização do ser humano. Enfim, a realidade tornou-se um simulacro, uma imitação que nos aprisiona em escolhas algorítmicas, talvez um mundo paralelo e binário de zeros e uns que contralam nosso modo de vida. Um mito da caverna, em que imagens sejam mais reais que o próprio real. Sim, o hiper-real. Toda essa mudança tem alterado significativamente o"modus operandi" de nossa existência, e como consequência afetado a nossa psique. Ou seja, a nossa alma não mais nos pertence, foi entregue por completo ao sabor dos algoritmos, que ditam como devemos viver, nos comportar e que caminhos seguir. Não temos mais vontade própria, somos apenas androides, talvez zumbis eletrificados. Para compreendermos melhor toda essa mudança, temos que buscar numa árdua tentativa (em Baurdrillard) algumas das respostas. Pois, os impactos da Inteligência Artificial na psique humana sob a luz do simulacro de Baudrillard e o hiper-realismo introduz logo de cara uma interseção entre a Inteligência Artificial (IA), a teoria do simulacro  e o conceito de hiper-realismo, justamente por desenhar um cenário complexo e intrigante sobre os impactos da tecnologia na psique humana. Nesse contexto, Baudrillard propôs que, em nossa sociedade pós-moderna, a realidade se tornou um simulacro, uma cópia sem original. A hiper-realidade, por sua vez, é um estado em que a distinção entre o real e o simulado se torna cada vez mais tênue. A IA, com sua capacidade de gerar conteúdos cada vez mais realistas e personalizados, intensifica o processo. Algo capaz de despersonificar o humano e criar desconfortos imperceptíveis no longo prazo. Tal despersonificação afeta não somente nossa individualidade, mas também nos retira a capacidade de enxergar o outro. Dado o outro como aquilo que nos completa e ao mesmo tempo nos diferencia. Sendo a Inteligência Artificial (IA)  corolário dessa destituição da alma, os impactos são negativamente inevitáveis e deletérios. Podemos aqui colocar alguns desses impactos da IA que custam muitos caros a nossa psique humana: 

  • Perda da Realidade: A IA, ao criar ambientes virtuais cada vez mais imersivos e personalizados, pode levar a uma perda da noção de realidade. A linha tênue entre o que é real e o que é simulado pode confundir a mente humana, levando a uma sensação de desconexão com o mundo físico;
  • Isolamento Social: A interação cada vez maior com dispositivos e plataformas digitais, mediada pela IA, pode levar ao isolamento social e à diminuição das relações interpessoais autênticas. As interações online, por mais ricas que possam ser, não substituem o contato humano face a face;
  • Manipulação da Percepção: A IA pode ser utilizada para manipular a percepção das pessoas, através da criação de notícias falsas, deepfakes e algoritmos de filtragem que reforçam vieses e crenças pré-existentes. Isso pode levar à polarização da sociedade e à dificuldade em construir um consenso;
  • Dependência Tecnológica: A crescente dependência da IA pode gerar ansiedade e medo da obsolescência. A sensação de que a IA pode tomar decisões melhores que os humanos podem levar à alienação e à passividade;
  • Questões Éticas: A IA levanta questões éticas complexas, como a privacidade, a responsabilidade e a autonomia. A manipulação de dados pessoais e a criação de algoritmos que discriminam grupos específicos são apenas alguns dos desafios que a sociedade precisa enfrentar.

Vejam que não faço distinção entre alma e psique, pois as trato como equivalentes. Alma ou psique - não importa a denominação - seria algo que vai além do humano, o inconsciente talvez que nos impõem além de nosso próprio tempo e espaço.  A recôndita subjetividade humana que agora se vê dominada  pelas forças da Inteligência Artificial que alterou completamente sua forma de linguagem. Por outro lado a IA oferece inúmeras possibilidades para o desenvolvimento humano, mas também apresenta desafios significativos. É fundamental que a sociedade desenvolva mecanismos para garantir o uso ético e responsável da IA promovendo o bem-estar humano e a construção de uma sociedade mais justa e equitativa. No entanto, precisamos saber que a nossa alma não será a mesma a partir de agora, dado que a vendemos por um preço irrisório perante os custos futuros e os impactos são visíveis e irreversíveis. Enfim, nos tornamos máquinas, na direção contrária ao desejo do boneco pinóquio.  

terça-feira, 4 de março de 2025

Idiocracia - a democracia dos imbecis

Que a verdade seja dita.Sim somos uma sociedade animalizada pelo ódio e o desprezo destilado por uma parcela que se acha no direito de dominar e escravizar aqueles que são por eles intitulados de inferiores: negros, nordestinos, mulheres, LGBTs. Vitimas de um jogo perverso colocado pelas elites que ditam não somente o capital,mas também o monopólio da cultura e desta maneira impõem o modo deviver e pensar. O diferente é posto de lado do espectro social, político e econômico. Qualquer tentativa de romper tal espectro logo é retirado de cena, principalmente através da violência - seja ela física ou simbólica. A coerção violenta através dos próprios aparelhos estatais a serviço do capital e contra a população. Dado que o Estado seria único a ter o monopólio da violência, no sentido de minimizar a barbárie. Ações violentas são cometidas cotidianamente contra àqueles intitulados os "outros", diga-se os diferentes. No entanto, estes são milhões que estão nos pontos de ónibus, nas ruas, nos subempregos e nos trabalhos mal remunerados. Muitos sob as batutas de um chefe igual a eles (um mero trabalhador, que acreditou obter uma chance ao virar contramestre, supervisor ou gerente de baixo escalão, ainda sim é apenas mais um trabalhador assalariado).  Enquanto isso, nas ruas das cidades vivem os invisíveis, o substrato da miséria humana, que em outros tempos já fôra um trabalhador e no momento amarga o mais completo descaso da sociedade. Tidos pela maioria como a escória, o lixo descartável. Vivemos a grande mentira do liberalismo e da não necessidade do Estado intervir na economia, que prega a liberdade e a capacidade do indivíduo de criar suas próprias oportunidades. Bem, sejamos francos - a meritocracia é um grande equívoco, ou melhor um engodo criado para enganar os desavisados que creem no crescimento pessoal e na busca individual por oportunidades. A bizarra tese do ser empreendedor de si mesmo. Durante o período dos anos 70 e 80 assistimos a derrocada do Estado de bem-estar social, o empobrecimento da população, o fim da estabilidade dos empregos e a queda nos salários. As grandes corporações se maquinizaram e substitui uma grande parte de sua mão de obra, assim enfraquecendo os sindicatos e o poder de negociação. A maquinização se deu em todos os sentidos da vida, principalmente com o aparecimento dos computadores, e as redes inteligentes de comunicação - a internet - as redes das redes. Passamos então, do capitalismo de produção industrial para outro enredado em telas e plataformas, gerenciado por algoritmos que comandam todas as trocas financeiras, agora subproduto do capital. Talvez, o mais peverso disso tudo, não seja em si o aspecto do trabalho. Mas sim o mal uso das tecnologias no ambiente das plataformas midiáticas, que nos jogaram para o interior da desinformação. O mundo da idiocracia, uma espécie de mundo dos idiotas ao distorcer toda realidade. Tal fato me fez lembrar de um filme, cujo título é "Idiocacia" (uma espécie democracia dos imbecis) que retrata muito bem o mundo tomado por pessoas com QI bem abaixo da média e incapazes de lidar os sérios problemas do planeta. Tudo se transformou num enorme reality show - característica própria dos ideais neoliberais. A liberdade de ser idiota, a democracia dos imbecis. De fato, a profecia vista no filme se realizou. Sim, estamos a pleno vapor no turbilhão da Idiocracia e as redes sociais não nos deixam mentir. Basta acessarmos os aplicativos de nosso celular, e então, veremos vídeos de dancinhas rídiculas e patéticas, depoimentos de ódio, mensagens de desinformação e fake news. Conteúdos que geram uma série de consequências nocivas ao desenvolvimento da sociedade, que cada vez mais é incapaz de pensar e refletir os problemas do cotidiano. Assim como no filme citado, as pessoas se saboreiam apenas com a mediocridade das telas e de programas torpes. Nos espanta saber que grande parte da sociedade não percebe que está sendo manipulada como gado em direção ao abate. A imbecilidade nos torna refém da despolitização, enquanto a mídia faz o seu papel da falsa imparcialiadde e de informar pelo viês que lhe seja mais adequado (a mais pura desinformação). Já as redes sociais - onde a mera opinião se transforma em informação e ciência - diga-se terra de nínguém, tudo pode ser dito. Afinal estamos em uma democracia e a liberdade jamais deve ser tolhida. Mas, será que ensinar errado, desacreditar a ciência, agredir e desvalorizar professores, despolitizar a sociedade e desqualificar aqueles que buscam aprender está no âmbito da liberdade e nos ideiais democráticos. Quem garante que as redes sociais e as plataformas tecnológicas nos permitem excercer a plena liberdade para exprimir nossos verdadeiros pensamentos. De uma coisa sabemos, que influencidores digitais e até alguns profissionais de mídia que se dizem filósofos ensinam errado com a devida conivência de seus patrões, patrocinadores ou apoiadores. Enfim, já começa erradamente quando um desses pseudos-pensadores filho da midia liberal tenta nos enganar ao dizer que as revoluções liberais burguesas não foram construídas com base na violência. Isso é não saber o mínino de história do ensino médio. Qualquer um que tenha ido a escola sabe que a revolução francesa foi um "rolar de cabeças" literalmente. Agora, se não houve violência, o que houve então? Digo, houve mal caratismo, aliado a mais completa vontade de ensinar errado para defender os patrões da elite burguesa. Assim, criar a desinformação e dar a entender que somente as revoluções socialistas tiveram o emprego da força e da violência -  típico de seus detratores, que desejam o Estado apenas para lhes servirem, e assim fazer multiplicar suas rendas e riquezas. Quantos aos idiotas que povoam as classes menos abastadas servem de porta-voz e ponte nas redes e mídias para disseminar, não só ódio, mas também ensinar errado, desinformar e despolitizar parte da sociedade. São os denominados idiotas útéis, ou podemos dizer os cachorrinhos da elite.   

Natureza

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