Que a verdade seja dita.Sim somos uma sociedade animalizada pelo ódio e o desprezo destilado por uma parcela que se acha no direito de dominar e escravizar aqueles que são por eles intitulados de inferiores: negros, nordestinos, mulheres, LGBTs. Vitimas de um jogo perverso colocado pelas elites que ditam não somente o capital,mas também o monopólio da cultura e desta maneira impõem o modo deviver e pensar. O diferente é posto de lado do espectro social, político e econômico. Qualquer tentativa de romper tal espectro logo é retirado de cena, principalmente através da violência - seja ela física ou simbólica. A coerção violenta através dos próprios aparelhos estatais a serviço do capital e contra a população. Dado que o Estado seria único a ter o monopólio da violência, no sentido de minimizar a barbárie. Ações violentas são cometidas cotidianamente contra àqueles intitulados os "outros", diga-se os diferentes. No entanto, estes são milhões que estão nos pontos de ónibus, nas ruas, nos subempregos e nos trabalhos mal remunerados. Muitos sob as batutas de um chefe igual a eles (um mero trabalhador, que acreditou obter uma chance ao virar contramestre, supervisor ou gerente de baixo escalão, ainda sim é apenas mais um trabalhador assalariado). Enquanto isso, nas ruas das cidades vivem os invisíveis, o substrato da miséria humana, que em outros tempos já fôra um trabalhador e no momento amarga o mais completo descaso da sociedade. Tidos pela maioria como a escória, o lixo descartável. Vivemos a grande mentira do liberalismo e da não necessidade do Estado intervir na economia, que prega a liberdade e a capacidade do indivíduo de criar suas próprias oportunidades. Bem, sejamos francos - a meritocracia é um grande equívoco, ou melhor um engodo criado para enganar os desavisados que creem no crescimento pessoal e na busca individual por oportunidades. A bizarra tese do ser empreendedor de si mesmo. Durante o período dos anos 70 e 80 assistimos a derrocada do Estado de bem-estar social, o empobrecimento da população, o fim da estabilidade dos empregos e a queda nos salários. As grandes corporações se maquinizaram e substitui uma grande parte de sua mão de obra, assim enfraquecendo os sindicatos e o poder de negociação. A maquinização se deu em todos os sentidos da vida, principalmente com o aparecimento dos computadores, e as redes inteligentes de comunicação - a internet - as redes das redes. Passamos então, do capitalismo de produção industrial para outro enredado em telas e plataformas, gerenciado por algoritmos que comandam todas as trocas financeiras, agora subproduto do capital. Talvez, o mais peverso disso tudo, não seja em si o aspecto do trabalho. Mas sim o mal uso das tecnologias no ambiente das plataformas midiáticas, que nos jogaram para o interior da desinformação. O mundo da idiocracia, uma espécie de mundo dos idiotas ao distorcer toda realidade. Tal fato me fez lembrar de um filme, cujo título é "Idiocacia" (uma espécie democracia dos imbecis) que retrata muito bem o mundo tomado por pessoas com QI bem abaixo da média e incapazes de lidar os sérios problemas do planeta. Tudo se transformou num enorme reality show - característica própria dos ideais neoliberais. A liberdade de ser idiota, a democracia dos imbecis. De fato, a profecia vista no filme se realizou. Sim, estamos a pleno vapor no turbilhão da Idiocracia e as redes sociais não nos deixam mentir. Basta acessarmos os aplicativos de nosso celular, e então, veremos vídeos de dancinhas rídiculas e patéticas, depoimentos de ódio, mensagens de desinformação e fake news. Conteúdos que geram uma série de consequências nocivas ao desenvolvimento da sociedade, que cada vez mais é incapaz de pensar e refletir os problemas do cotidiano. Assim como no filme citado, as pessoas se saboreiam apenas com a mediocridade das telas e de programas torpes. Nos espanta saber que grande parte da sociedade não percebe que está sendo manipulada como gado em direção ao abate. A imbecilidade nos torna refém da despolitização, enquanto a mídia faz o seu papel da falsa imparcialiadde e de informar pelo viês que lhe seja mais adequado (a mais pura desinformação). Já as redes sociais - onde a mera opinião se transforma em informação e ciência - diga-se terra de nínguém, tudo pode ser dito. Afinal estamos em uma democracia e a liberdade jamais deve ser tolhida. Mas, será que ensinar errado, desacreditar a ciência, agredir e desvalorizar professores, despolitizar a sociedade e desqualificar aqueles que buscam aprender está no âmbito da liberdade e nos ideiais democráticos. Quem garante que as redes sociais e as plataformas tecnológicas nos permitem excercer a plena liberdade para exprimir nossos verdadeiros pensamentos. De uma coisa sabemos, que influencidores digitais e até alguns profissionais de mídia que se dizem filósofos ensinam errado com a devida conivência de seus patrões, patrocinadores ou apoiadores. Enfim, já começa erradamente quando um desses pseudos-pensadores filho da midia liberal tenta nos enganar ao dizer que as revoluções liberais burguesas não foram construídas com base na violência. Isso é não saber o mínino de história do ensino médio. Qualquer um que tenha ido a escola sabe que a revolução francesa foi um "rolar de cabeças" literalmente. Agora, se não houve violência, o que houve então? Digo, houve mal caratismo, aliado a mais completa vontade de ensinar errado para defender os patrões da elite burguesa. Assim, criar a desinformação e dar a entender que somente as revoluções socialistas tiveram o emprego da força e da violência - típico de seus detratores, que desejam o Estado apenas para lhes servirem, e assim fazer multiplicar suas rendas e riquezas. Quantos aos idiotas que povoam as classes menos abastadas servem de porta-voz e ponte nas redes e mídias para disseminar, não só ódio, mas também ensinar errado, desinformar e despolitizar parte da sociedade. São os denominados idiotas útéis, ou podemos dizer os cachorrinhos da elite.