sábado, 4 de julho de 2026

A cortina de fumaça de Trump: como o combate ao crime mascara o monopólio das Big Techs e a exclusão social

 

Não há em curso qualquer ação imperialista clássica por parte do governo Trump em relação às medidas tomadas para conter o terrorismo ao classificar as organizações criminosas brasileiras, especificamente o PCC e o Comando Vermelho. Devemos frisar bem: Trump é um homem de mídia, um showman, e precisa estar constantemente sob os holofotes da imprensa e do show business. A sua vida sempre foi isso: aparecer e mostrar-se. Na política, não seria diferente, ainda mais no cenário atual em que ele enfrenta problemas com a justiça. A verdade é que Trump não se importa com a política tradicional e, muito menos, com a criminalidade e a violência, seja no mundo ou mesmo em seu próprio país. O papel dele no governo se resume a enriquecer a si mesmo e aos seus aliados das Big Techs, que já acumulam fortunas bilionárias. O seu desejo pauta-se apenas no dinheiro, mais nada. Ao tomar a decisão de classificar essas facções brasileiras como terroristas — algo minimamente absurdo e que demonstra um desconhecimento total da realidade da segurança pública no Brasil —, trata-se, na verdade, de uma estratégia meramente vantajosa do ponto de vista econômico e financeiro. Pois, a partir do momento em que tais organizações são rotuladas como terroristas, o governo norte-americano ganha o pretexto para, unilateralmente e por meio de um ato autocrático, investigar e intervir secretamente no território brasileiro utilizando o FBI ou a CIA. Além disso, essa chancela permite bloquear bens e ativos financeiros de instituições, empresas e bancos que tenham ou não uma relação direta com essas facções. Tudo isso serve de justificativa para fornecer aos amigos e financiadores de Trump, ou a ele próprio, benesses econômicas, sob o argumento de que as empresas afetadas estão ligadas ao crime organizado e devem ser punidas. No entanto, o que mais nos espanta é o fato de analistas econômicos, especialistas em direito internacional e a grande mídia não darem o devido crédito à forma como Trump manipula certas decisões em benefício próprio. As brilhantes mentes desses profissionais da informação, da economia e do direito preferem seguir pela via enganosa do imperialismo ideológico, apontando que o governo americano deseja realizar uma incursão militar e invadir o país para combater o crime e o tráfico de drogas. Nada disso, meus caros leitores. Ou esses profissionais se equivocaram redondamente, ou estão ganhando boas gorjetas para divulgar tal posicionamento. Paralelamente, o governo brasileiro erra ao tratar o caso estritamente como uma questão de soberania nacional ameaçada por forças militares. A saída para esse impasse analítico está em compreender que o caminho adotado por Washington não se baseia na força bélica, mas sim no mais baixo método de asfixia econômica, destruindo a indústria e o comércio locais para abrir caminho e mercado às Big Techs e a outros setores que favoreçam exclusivamente a indústria estadunidense. A imposição arbitrária de tarifas ao comércio mundial deixa clara essa intenção de Trump. Diante de tais medidas impositivas e protecionistas, evidencia-se que a defesa do liberalismo econômico pelos ditos liberais atinge apenas um certo ponto: vigora quando lhes é propício e decai imediatamente quando contraria seus interesses. Portanto, esses atores mantêm-se liberais dentro de uma pequena esfera que contempla apenas os seus iguais — a saber, homens brancos, ricos e detentores do poder. No tocante aos diferentes e desiguais, o âmbito desse liberalismo seletivo não inclui os negros, os indígenas, as mulheres, as pessoas trans e outras minorias. Estariam eles alijados dos ideais liberais, assim como suas crenças, valores e culturas? A realidade demonstra que sim, eis que são historicamente pessoas excluídas desse ecossistema de privilégios mascarado de mercado livre. Essa exclusão socioeconômica, legitimada por discursos políticos de fachada, revela uma estrutura muito mais profunda de dominação que ultrapassa as barreiras do mercado. Toda essa narrativa a respeito de um imperialismo ficcional, suplantado por uma máquina política e midiática que nos retira a subjetividade humana e nos transplanta como engrenagens em um sistema automatizado, acaba recaindo também sobre os ombros da ciência moderna. Afinal, a mesma lógica que restringe o mercado aos detentores do poder econômico também opera para engessar a produção do conhecimento científico. Sob essa ótica, o primeiro ponto a se destacar é que a ciência jamais deveria estar presa a uma única metodologia, sendo salvaguardada como detentora de uma verdade absoluta e inquestionável. Em segundo lugar, os métodos científicos devem apoiar-se na variedade e ser amplamente testados por visões distintas e divergentes. A restrição de olhares a regras absolutas e imutáveis significa que a ciência deixa de se aprofundar holisticamente na busca de soluções palpáveis e reais para a sociedade. Não raramente, os resultados das pesquisas científicas mais inovadoras apontam na direção oposta de métodos e regras ditas consagradas pelo establishment. Por conseguinte, a tríade formada por ciência dogmática, racionalismo instrumental e capitalismo excludente restringe-se a proteger apenas a um grupo de poucos privilegiados. Estes, por sua vez, não reconhecem as demais formas de conhecimento e vivência, mas insistem veementemente na ideia de uma democracia global. Contudo, cabe o questionamento: que democracia é essa? Trata-se, evidentemente, de uma democracia torta e excludente; a democracia de poucos, daqueles que detêm o poder e que se acham no direito de invadir o mundo dos outros e de impor suas próprias leis para se manterem no topo da pirâmide. O domínio dessa elite contemporânea vai além do poder político e econômico tradicional: agora, cerca e coloniza também o fazer científico e o pensamento crítico. Diante dos fatos analisados, conclui-se que as ações geopolíticas contemporâneas, ilustradas pela rotulação de facções brasileiras como organizações terroristas pelo governo Trump, não devem ser lidas sob a ótica obsoleta de uma invasão militar, mas sim como manobras de um pragmatismo financeiro e corporativo altamente midiático. Este cenário expõe a fragilidade e a hipocrisia de um liberalismo que se diz universal, mas que opera de forma excludente, marginalizando minorias sociais e sufocando indústrias locais em benefício das gigantes tecnológicas. O controle exercido por essa elite dominante fecha seu ciclo de poder ao subjugar não apenas a política e a economia, mas também a ciência, transformando o método científico em um dogma rígido que ignora a pluralidade social e holística. Desse modo, o que se vende como defesa da segurança e da democracia global revela-se, sob uma análise coesa e racional, como um sofisticado mecanismo de manutenção de privilégios, onde o capital, a informação e o conhecimento científico permanecem concentrados nas mãos de quem detém o poder de ditar as regras do jogo mundial.

Nenhum comentário:

Natureza

Natureza