Não há em curso qualquer ação imperialista clássica
por parte do governo Trump em relação às medidas tomadas para conter o
terrorismo ao classificar as organizações criminosas brasileiras,
especificamente o PCC e o Comando Vermelho. Devemos frisar bem: Trump é um
homem de mídia, um showman, e precisa estar constantemente sob os
holofotes da imprensa e do show business. A sua vida sempre foi isso:
aparecer e mostrar-se. Na política, não seria diferente, ainda mais no cenário
atual em que ele enfrenta problemas com a justiça. A verdade é que Trump não se
importa com a política tradicional e, muito menos, com a criminalidade e a
violência, seja no mundo ou mesmo em seu próprio país. O papel dele no governo
se resume a enriquecer a si mesmo e aos seus aliados das Big Techs, que
já acumulam fortunas bilionárias. O seu desejo pauta-se apenas no dinheiro,
mais nada. Ao tomar a decisão de classificar essas facções brasileiras como
terroristas — algo minimamente absurdo e que demonstra um desconhecimento total
da realidade da segurança pública no Brasil —, trata-se, na verdade, de uma
estratégia meramente vantajosa do ponto de vista econômico e financeiro. Pois,
a partir do momento em que tais organizações são rotuladas como terroristas, o
governo norte-americano ganha o pretexto para, unilateralmente e por meio de um
ato autocrático, investigar e intervir secretamente no território brasileiro
utilizando o FBI ou a CIA. Além disso, essa chancela permite bloquear bens e
ativos financeiros de instituições, empresas e bancos que tenham ou não uma
relação direta com essas facções. Tudo isso serve de justificativa para
fornecer aos amigos e financiadores de Trump, ou a ele próprio, benesses
econômicas, sob o argumento de que as empresas afetadas estão ligadas ao crime
organizado e devem ser punidas. No entanto, o que mais nos espanta é o fato de
analistas econômicos, especialistas em direito internacional e a grande mídia
não darem o devido crédito à forma como Trump manipula certas decisões em
benefício próprio. As brilhantes mentes desses profissionais da informação, da
economia e do direito preferem seguir pela via enganosa do imperialismo
ideológico, apontando que o governo americano deseja realizar uma incursão
militar e invadir o país para combater o crime e o tráfico de drogas. Nada
disso, meus caros leitores. Ou esses profissionais se equivocaram redondamente,
ou estão ganhando boas gorjetas para divulgar tal posicionamento.
Paralelamente, o governo brasileiro erra ao tratar o caso estritamente como uma
questão de soberania nacional ameaçada por forças militares. A saída para esse
impasse analítico está em compreender que o caminho adotado por Washington não
se baseia na força bélica, mas sim no mais baixo método de asfixia econômica,
destruindo a indústria e o comércio locais para abrir caminho e mercado às Big
Techs e a outros setores que favoreçam exclusivamente a indústria
estadunidense. A imposição arbitrária de tarifas ao comércio mundial deixa
clara essa intenção de Trump. Diante de tais medidas impositivas e protecionistas,
evidencia-se que a defesa do liberalismo econômico pelos ditos liberais atinge
apenas um certo ponto: vigora quando lhes é propício e decai imediatamente
quando contraria seus interesses. Portanto, esses atores mantêm-se liberais
dentro de uma pequena esfera que contempla apenas os seus iguais — a saber,
homens brancos, ricos e detentores do poder. No tocante aos diferentes e
desiguais, o âmbito desse liberalismo seletivo não inclui os negros, os
indígenas, as mulheres, as pessoas trans e outras minorias. Estariam eles
alijados dos ideais liberais, assim como suas crenças, valores e culturas? A
realidade demonstra que sim, eis que são historicamente pessoas excluídas desse
ecossistema de privilégios mascarado de mercado livre. Essa exclusão socioeconômica,
legitimada por discursos políticos de fachada, revela uma estrutura muito mais
profunda de dominação que ultrapassa as barreiras do mercado. Toda essa
narrativa a respeito de um imperialismo ficcional, suplantado por uma máquina
política e midiática que nos retira a subjetividade humana e nos transplanta
como engrenagens em um sistema automatizado, acaba recaindo também sobre os
ombros da ciência moderna. Afinal, a mesma lógica que restringe o mercado aos
detentores do poder econômico também opera para engessar a produção do
conhecimento científico. Sob essa ótica, o primeiro ponto a se destacar é que a
ciência jamais deveria estar presa a uma única metodologia, sendo salvaguardada
como detentora de uma verdade absoluta e inquestionável. Em segundo lugar, os
métodos científicos devem apoiar-se na variedade e ser amplamente testados por
visões distintas e divergentes. A restrição de olhares a regras absolutas e
imutáveis significa que a ciência deixa de se aprofundar holisticamente na
busca de soluções palpáveis e reais para a sociedade. Não raramente, os
resultados das pesquisas científicas mais inovadoras apontam na direção oposta
de métodos e regras ditas consagradas pelo establishment. Por
conseguinte, a tríade formada por ciência dogmática, racionalismo instrumental
e capitalismo excludente restringe-se a proteger apenas a um grupo de poucos
privilegiados. Estes, por sua vez, não reconhecem as demais formas de
conhecimento e vivência, mas insistem veementemente na ideia de uma democracia
global. Contudo, cabe o questionamento: que democracia é essa? Trata-se,
evidentemente, de uma democracia torta e excludente; a democracia de poucos,
daqueles que detêm o poder e que se acham no direito de invadir o mundo dos
outros e de impor suas próprias leis para se manterem no topo da pirâmide. O
domínio dessa elite contemporânea vai além do poder político e econômico
tradicional: agora, cerca e coloniza também o fazer científico e o pensamento
crítico. Diante dos fatos analisados, conclui-se que as ações geopolíticas
contemporâneas, ilustradas pela rotulação de facções brasileiras como
organizações terroristas pelo governo Trump, não devem ser lidas sob a ótica
obsoleta de uma invasão militar, mas sim como manobras de um pragmatismo
financeiro e corporativo altamente midiático. Este cenário expõe a fragilidade
e a hipocrisia de um liberalismo que se diz universal, mas que opera de forma
excludente, marginalizando minorias sociais e sufocando indústrias locais em
benefício das gigantes tecnológicas. O controle exercido por essa elite
dominante fecha seu ciclo de poder ao subjugar não apenas a política e a
economia, mas também a ciência, transformando o método científico em um dogma
rígido que ignora a pluralidade social e holística. Desse modo, o que se vende
como defesa da segurança e da democracia global revela-se, sob uma análise
coesa e racional, como um sofisticado mecanismo de manutenção de privilégios,
onde o capital, a informação e o conhecimento científico permanecem
concentrados nas mãos de quem detém o poder de ditar as regras do jogo mundial.
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