Como não podemos jamais deixar de analisar e criticar as trilhas neoliberais e seus atores que operam no mercado, lembrando que o capital atua no sentido da acumulação e põe em cheque aqueles não conseguem fazer o jogo do dinheiro. Ou seja, o capital muda rapidamente de mãos conforme os seus atores vacilam por não acompanhar a evolução mercadológica. Nessa lógica, o autor do livro: Começe errado, mas começe! tenta justifcar o lucro como missão social, ou melhor, justificar o capitalismo com um lado humano e social. De forma alguma somos contra o lucro, a empresa - sim - deve lucrar, por outro lado os trabalhadores devem ter o direito a participar desses lucros. Afinal, quem produz é o trabalhador. O lucro não deve ser o acúmulo somente do patrão. Até mesmo por que o autor afirma que o lucro precisa ter um caráter social. Em direção ao aspecto da centralização diz o autor: é um fator que desestimula a inovação. Nessa afirmação, há uma certa razão - talvez uma verdade. Pois, se centralizamos o conhecimento, a informação e o saber a disseminação e o compartilhamento desses acabam prejudicados. Torna-se uma caixa hermeticamente fechada e somente aquele que possui a chave tem acesso. A inovação depende de espaço e tempo sem controle de hierarquias de poder. Por isso, faz-se necessário na empresa a gestão por células e núcleos interativos, justamente para que o conhecimento, a infomação e o saber possa transitar de maneira livre. Segundo a visão do autor os colaboradores é que ajudam na construção da cultura organizacional. Como dissemos anteriormente, colaborador é o trabalhador. Sendo ele quem produz a mercadoria e está no chão da fabrica. É aquele que detém o conhecimento e o vende em troca de um salário. Portanto, é quem faz a cultura no ambiente da organização. Contudo, tal cultura infelizmente se vê decepada caso haja mudança de algum gestor (gerente, diretor ou CEO). Na cultura organizacional, um dos pontos mais importante pauta-se no erro como meio de aprendizagem. Assim aponta o autor: quanto mais se erra, mais se aprende. O aprendizado é o capital do futuro. Sim, trata-se de um fato verdadeiro, já de conhecimento de todos. As empresas deveriam internalizar essa máxima como meta, objetivo e ação natural. Na realidade o aprendizado vem com os erros, seja seu ou dos outros. Trata-se do velho ditado de Jesus: "Atire a primeira pedra aquele que nunca errou". Por outro lado, o que se vê na grande maioria da empresas que o erro é inadimissível. Se o trabalhador errar é colocado para fora (demitido). Por isso a cultura da empresa precisa mudar e aceitar o erro como parte do aprendizado. Dentro desse microcosmo empresarial a cultura tipicamente alia a ideia do erro ao pragmatismo, resumindo: fazer aquilo que precisa ser feito. Isso é uma lógica simples, pois, todo ser humano sabe aquilo que precisa ser feito. Condição básica para se obter resultados. Na fala do autor, "a intenção de sua empresa é ser uma plataforma de negócios, unindo assim a fábrica ao consumidor final em um único ambiente. Criando valor por meio da interação gerada entre esses participantes". Então, em seu pensamento a ideia de prestar serviços como forma de baixar custos, ao criar relação direta entre fábrica e consumidor sem intermédio de representantes comerciais. Diante da fala anterior, complementa o autor: "hoje as empresas tem que ser prestadora de serviços, assim digitalizar-se.A tecnologia deve ser exponencial". Diante disso, o interesse não sobrevoa mais a venda de produtos, como exemplo: portas, computadores ou carros. O foco paira em oferecer serviços aos cllientes, um visão típica do capitalismo cognitivo/ financeiro (O produto fica em segundo plano, mero detalhe). Demarca-se aí o fim do capitalismo de mercadorias.Quase tudo plataformizou-se, dando lugar a subjetividade das máquinas. Nesse contexto da tecnologia exponencial, apontam-se graves falhas atribuídas ao ser humano, dizendo que somos muito lentos, mas dotado de alta inteligência. Enquanto isso, os robôs são burros, porém muitos velozes. Jamais deveríamos colocar esse tipo de comparação em voga. Nós, seres humanos, agimos de acordo com o pensamento lento, dentro dos limites da razão e da emoção. Já a máquina seria apenas um elemento coadjuvantes devidoa sua capacidade de cálculos e operções matemáticas compelxas numa velocidade bastante elevada, ao desempenhar tarefas mecânicas. A afirmação a respeito da linearidade do pensamento humano não faz qualquer sentido, ao menos para o ponto de vista científico. Somos dotados de uma imensa capacidade semântica na linguagem ao fazer inferências e escolhas, além de sentir e abstrair problemas e criar soluções próprias e criativas. Algo que até momento uma máquina teria capacidade, mas em vias de concretizar-se. No entanto, a linearidade não faz parte da natureza humana, e sim permanece nas máquinas. Ainda sobre a linearidade, atribuímos o conceito de exponencialidade homem-máquina e erroneamente o autor insiste em afirmar que o humano é linear, enquanto a máquina tange para o exponencial. Por isso, ao tecer nossas críticas, procuramos revisar tais observações enviesadas de embuste intelectual. Daí apregoamos que o pensamento humano faz-se complexo demais por-se dotado de inferências, hipóteses, racionalidade juntos a sentimentos e emoções. Homens e máquinas são ao mesmo tempo distantes e complementares. Cabe-nos fazer lembrar: homens criam máquinas, portanto, ficam subjugadas aos nossos interesses e comandos. Isso dá a entender que o autor não acredita no fazer científico e muito menos o compreende quanro crítica sem embasamento o projeto genoma humano como um fracasso total por atingir apenas a cifra de 1%. Cabe aqui rebatermos tal posicionemento, não se deve avaliar por este prisma. A ciência constrói-se num longo prazo, necessita de tempo, muito tempo. Por exemplo, quanto tempo gastou-se para chegarmos às tecnologias de hoje. Para se ter um parâmetro, a internet para chegar ao patamar atual levou mais de trinta anos em pesquisa, desenvolvimento, equipamentos e softwares. Qualquer um que tenha o mínimo de noção, sabe que o tempo da ciência difere-se totalmente do mundo do mercado. Portanto, simplificar a visão das coisas nesse nível demonstra desconhecimento dos meandros da ciência. Na mesma trilha, querer atribuir felicidade neuronal à produtividade perante inovações nada mais é que forçar barra, Enfim, de onde saiu essa ideia tão esdrúxula. Trata-se de puro discurso de auto-ajuda, senso comum sem a menor análise empírica ou teor científico. Não poderíamos deixar de comentar a frase do autor: "Plantar soja dá mais resultado no curto prazo, mas plantar neurônios educativos e mais negócio". Diga-se uma comparação ao menos estapafúrdia, sem nexo e um tanto jocosa. Trata-se duas afirmações totalmente discrepantes, sem qualquer correlação próxima. É querer forçar um cubo encaixar numa esfera. Para completar o autor nos acrescenta: Exportamos suor e importamos pensamento. Obvio, somos vendedores de "commodities", um país agrário e extrativista. A muito tempo o país deixou de incentivar a indústria e investir na chamada indútsria 4.0 com base na tecnologia de ponta. A consequência nefasta foi continuarmos como mero s exportadores de produtos primários e pouco valor agregado. Ficamos para trás no desenvolvimento de tecnologias e nós tornamos dependentes. A equação apresentada pelo autor não se resolve e nem tão cedo haverá consenso de que o trabalho perpassa em divertimento, e que daí nasce a criatividade e alta produtividade. Sejamos sinceros e os psicanalistas, psicólogos e psiquiatras não nos deixam mentir que a invenção do trabalho como lazer e diversão é puro engodo, uma farsa. Trabalho implica em mercadoria, venda da força humana em troca de salário. Precipuamente uma relação segundo Marx que envolve alienação e exploração. Traduz-se na luta de classes, típico do capitalismo.
sábado, 16 de maio de 2026
sábado, 2 de maio de 2026
A invenção dos colaboradores: termo para desarticular trabalhadores na luta de classes
Ainda na tentativa de desconstruir o pensamento errático do empresariado brasileiro e o seu vêu consevador continuaremos neste texto a criticar o posicionamento daqueles que se acham donos da verdade em relação a sociedade. Estes seres que acreditam, por terem nas mãos o poder financeiro, numa superioridade as demais pessoas. Segundo a afirmação do nosso elemento crítico, a inovação seria a palavra do momento em gestão, porém existe um abismo entre aquilo que se fala e a realidade. De fato sim há esse abismo, principalmente por que o Brasil foi numa direção oposta e pegou a via da desindustrialização e não desenvolveu uma política efetiva de inovação. A inovação te um custo muito alto enão adianta contra argumentar, depende do capital estatal para se efetivar plenamente. Tanto que muitas empresas brasileiras necessitam de financiamento público para implementar projetos inovadores. E o fazer científico da universidades públicas assume fortemente esse papel do espaço de inovação, no entanto recebem críticas justamente das empresas e parte daqueles que a desconhecem. Complementando nossa visão crítica a respeito das palavras do autor ao dizer que a inovação é uma busca de riscos, e as possibilidades de fracasso são altos. Mais uma vez afirmamos nosso pensamento de que a inovação, sim, é risco. Por isso o capital do Estado é o elemento que movimenta o mercado de tecnologia. Sem o Estado torna-se impossível qualquer linha de desenvolvimento tecnológico e inovação. Pois, a inovação centra-se em pesquisas desenvolvidas por universidades públicas e institutos tecnológicos, ou seja, só o governo tem capacidade financeira para investir no longo prazo sem horizontes de lucros. Nos EUA as Bigtechs em sua maioria foram financiadas por dinheiro público, a exemplo das startups que ficaram anos desenvolvendo produtos sem lucros. A Indútria chinesa é um outro exemplo de investimento público que deve ao Estado todo seu avanço tecnológico de ponta. Portanto, inovação se faz com pesquisa e apoio de orgãos institucionais e fomento governamental. Dado que empresas privadas não tem a capacidade financeira suficiente para ficar dez, quinze anos sem capital para sobreviver. Dentro desse espectro da inovação, a inteligência artificial - no olhar de nosso autor neoliberal - é a fonte do desenvolvimento. Nisso, termos que concordar. O coletivo - já dizia Marx - é o "general intellect", ou seja, o saber difuso; onde quem produz é o trabalhador. A inteligência coletiva na atualidade está embutida na mais valia social, onde trabalhamos de graça para as grandes corporações de tecnologia, seja melhorando um software através de nossas contribuições ao dizer o que nele falta; nas trocas de saberes com colegas a respeito de uma vacina. No entanto, o autor em seu livro apresenta apenas uma frase muito rasa e não aprofunda sobre o assunto. Isso impede que os leitores possam tecer críticas mais contudentes e profundas. Ainda, no livro - há um momento que autor aponta que os colaboradores tornam-se capitalistas. Vejam bem, ele utiliza o termo colabradores. Vamos ser bem sinceros - são trabalhadores. Pura falácia por parte de nosso autor. Bem, o trabalhador nunca será o capitalista, justamente por não ter o capital e nem ser o dono dos meios de produção. O trabalhador vende sua força em troca de um salário e cumpre uma jornada de trabalho, seja física ou intelectual. Já o uso do termo colaborador trata-se de uma designação contemporânea presente nos manuais de gestão de pessoas e de administração para referir-se aos trabalhadores e desartircular os conflitos das lutas de classe. Essa nova onda de alteração de conceitos, definições e termos propostos nas cartilhas, nos manuais e informativos de administração e gestão de pessoas atingiu em cheio a cabeça do autor, que foi mais longe e passou a criar neologismos. No popular, inventar moda e termos. Assim diz ele: "colaboradores viram "empreendegados" (empreendedores + empregados). Ainda acrescenta os como capitalistas e felizes por terem nas mãos valores que permitem o erro ao inovar e assim felizes por um excelente atendimento aos clientes. Diga-se a verdade, trata-se de neologismo barato criado pelo dono dos meios de produção para justificar que o trabalhador é um capitalista. Mesma lógica para o termo colaborador. Algo que faz Marx se contorcer no túmulo ao ouvir tal heresia capitalista. Onde foi parar a luta de classes deve pensar Marx. Seria uma nova forma de alienar o trabalhador, criando a ideia do empresário de si mesmo - tão discutido por Biung-Chul Han em sua obra: A sociedade do cansaço. Cria-se aí um caminho para ampliar a exploração da mão de obra. Numa visão mais dilatada do capitalismo, os problemas tornam-se oportunidades de negócios afirma o autor. Realmente, se for apenas para aqueles que detêm os meios de produção e o seu lucro. O direito de fazer o que devemos sob a ótica do autor é exemplo de liberdade: estudar, educar-se e se meter em tudo. Esse é o típico lema da cultura empresarial e certamente deve estar afixado nos quadros de aviso, murais, paredes e no papel de parede dos computadores de sua empresa. Sobre o direito de fazer o que devemos - já não é um direito e sim um dever, uma ordem. Não é uma escolha. Pois, se fosse um direito, então não soaria como um dever. Daí o autor confunde direitos e deveres. Bem, direito é aquilo que nos cobre perante a lei. Já dever trata-se daquilo que precisamos cumprir para que haja ordem. E estudar, educar-se são direitos contemplados a todos, garantidos pela constituição e previsto pelo Estado. Num pequeno parágrafo de seu livro, o autor discorre numa argumentação a respeito de que a empresa tem que gerar lucro através de seus "colaboradores" e assim a compara com a empresa estatal - num tom errôneo - ao afirmar que na empresa estatal a falta de dinheiro (prejuízo), o governo pode injetar mais dinheiro e por isso não ela não vai à falência. Assim complementa o seu raciocínio ao apontar que no setor privado,o capitalismo encarrega-se de tirar do mercado aquelas não eficientes. Então, atribui as consequências do prejuízo ao consumidor. Cabe aqui analisarmos ponto a ponto, dado que o autor não nos esclarece muito bem o teor de suas indagações. As ideias estão um tanto nubladas pela orientação política e econômica. Vamos então esclatecer tais afirmações. Num primeiro momento, o lucro vaí entrar no bolso do capitalista e dos acionistas após deduzidas as receitas e as depesas. O lucro é o produto da mais-valia (mais valor) do trabalho na concepção marxista. Assim, o lucro é a sobra de receitas por cima das despesas. O contrário também é verdadeiro, se temos despesas que ultrapassam as receitas o quadro é deficitário,ou seja, prejuízo. A partir daí podemos seguir num segundo plano de pensamento cuja empresa estatal jamais deveria visar exclusivamente o lucro. Dado que sua natureza parte em atender necessidades sociais e servir como mecanismo de apoio aos Estado. A empresa estatal pode sim falir, ser vendida, abrir capital, operar de forma mista (pública/ privada), todavia, seu papel precípuo está em servir a população através de serviços básicos, da qual o setor privado não tem condições de prestar. Portanto, certos setores da economia cabem apenas ao Estado, - mais uma vez - para atender dignamente aos anseios da população e não visar somente o lucro. Pois, setores estratégicos que nenhuma empresa privada tem consdições de manter por serem impagáveism tais como: universidades, hospitais, energia, água e esgoto. Enfim, falar em lucro de empresa estatal e não compreender - ou ser incapaz de ver que apenas o Estado tem a capacidade única de fornecer tal serviço à sociedade. Para finalizar tais análises e críticas o autor comenta em seu livro que a hierarquia e a disciplinas deixaram de existir dentro do contexto do controle e da cadeia de comando. Com isso deixamos a questão: será? Acreditemos, nãoé bem assim. O controle paira sobre o subjetivo e esconde-se nas entrelinhas da cadeia de comando. O controle subsiste de maneira bastante tènue, quase imperceptível - mas está lá - engendrado no coração do ambiente organizacional. Fixado sob uma forma cultural e arraigado às crenças, aos valores e ritos cultuados que em sua maioria não são visíveis nos regulamentos , regimentos, entretanto permeiam as mentes e corações dos ditos "colaboradores", que na realidade trabalhodores que constrõem a riqueza para o patrão.
ZINI, Claúdio. Começe errado, mas comece! 4.ed. Palmas, PR: Kayguangue, 2023. 231p.
Natureza