sábado, 16 de maio de 2026

Não há felicidade neuronal na exploração do trabalho

Como não podemos jamais deixar de analisar e criticar as trilhas neoliberais e seus atores que operam no mercado, lembrando que o capital atua no sentido da acumulação e põe em cheque aqueles não conseguem fazer o jogo do dinheiro. Ou seja, o capital muda rapidamente de mãos conforme os seus atores vacilam por não acompanhar a evolução mercadológica. Nessa lógica, o autor do livro: Começe errado, mas começe! tenta justifcar o lucro como missão social, ou melhor, justificar o capitalismo com um lado humano e social. De forma alguma somos contra o lucro, a empresa - sim - deve lucrar, por outro lado os trabalhadores devem ter o direito a participar desses lucros. Afinal, quem produz é o trabalhador. O lucro não deve ser o acúmulo somente do patrão. Até mesmo por que o autor afirma que o lucro precisa ter um caráter social. Em direção ao aspecto da centralização diz o autor: é um fator que desestimula a inovação. Nessa afirmação, há uma certa razão - talvez uma verdade. Pois, se centralizamos o conhecimento, a informação e o saber a disseminação e o compartilhamento desses acabam prejudicados. Torna-se uma caixa hermeticamente fechada e somente aquele que possui a chave tem acesso. A inovação depende de espaço e tempo sem controle de hierarquias de poder. Por isso, faz-se necessário na empresa a gestão por células e núcleos interativos, justamente para que o conhecimento, a infomação e o saber possa transitar de maneira livre. Segundo a visão do autor os colaboradores é que ajudam na construção da cultura organizacional. Como dissemos anteriormente, colaborador é o trabalhador. Sendo ele quem produz a mercadoria e está no chão da fabrica. É aquele que detém o conhecimento e o vende em troca de um salário. Portanto, é quem faz a cultura no ambiente da organização. Contudo, tal cultura infelizmente se vê decepada caso haja mudança de algum gestor (gerente, diretor ou CEO). Na cultura organizacional, um dos pontos mais importante pauta-se no erro como meio de aprendizagem. Assim aponta o autor: quanto mais se erra, mais se aprende. O aprendizado é o capital do futuro. Sim, trata-se de um fato verdadeiro, já de conhecimento de todos. As empresas deveriam internalizar essa máxima como meta, objetivo e ação natural. Na realidade o aprendizado vem com os erros, seja seu ou dos outros. Trata-se do velho ditado de Jesus: "Atire a primeira pedra aquele que nunca errou". Por outro lado, o que se vê na grande maioria da empresas que o erro é inadimissível. Se o trabalhador errar é colocado para fora (demitido). Por isso a cultura da empresa precisa mudar e aceitar o erro como parte do aprendizado. Dentro desse microcosmo empresarial a cultura tipicamente alia a ideia do erro ao pragmatismo, resumindo: fazer aquilo que precisa ser feito. Isso é uma lógica simples, pois, todo ser humano sabe aquilo que precisa ser feito. Condição básica para se obter resultados. Na fala do autor, "a intenção de sua empresa é ser uma plataforma de negócios, unindo assim a fábrica ao consumidor final em um único ambiente. Criando valor por meio da interação gerada entre esses participantes". Então, em seu pensamento a ideia de prestar serviços como forma de baixar custos, ao criar relação direta entre fábrica e consumidor sem intermédio de representantes comerciais. Diante da fala anterior, complementa o autor: "hoje as empresas tem que ser prestadora de serviços, assim digitalizar-se.A tecnologia deve ser exponencial". Diante disso, o interesse não sobrevoa mais a venda de produtos, como exemplo: portas, computadores ou carros. O foco paira em oferecer serviços aos cllientes, um visão típica do capitalismo cognitivo/ financeiro (O produto fica em  segundo plano, mero detalhe). Demarca-se aí o fim do capitalismo de mercadorias.Quase tudo plataformizou-se, dando lugar a subjetividade das máquinas. Nesse contexto da tecnologia exponencial, apontam-se graves falhas atribuídas ao ser humano, dizendo que somos muito lentos, mas dotado de alta inteligência. Enquanto isso, os robôs são burros, porém muitos velozes. Jamais deveríamos colocar esse tipo de comparação em voga. Nós, seres humanos, agimos de acordo com o pensamento lento, dentro dos limites da razão e da emoção. Já a máquina seria apenas um elemento coadjuvantes devidoa sua capacidade de cálculos e operções matemáticas compelxas numa velocidade bastante elevada, ao desempenhar tarefas mecânicas. A afirmação a respeito da linearidade  do pensamento humano não faz qualquer sentido, ao menos para o ponto de vista científico. Somos dotados de uma imensa capacidade semântica na linguagem ao fazer inferências e escolhas, além de sentir e abstrair problemas e criar soluções próprias e criativas. Algo que até momento uma máquina teria capacidade, mas em vias de concretizar-se. No entanto, a linearidade não faz parte da natureza humana, e sim permanece nas máquinas. Ainda sobre a linearidade, atribuímos o conceito de exponencialidade homem-máquina e erroneamente o autor insiste em afirmar que o humano é linear, enquanto a máquina tange para o exponencial. Por isso, ao tecer nossas críticas, procuramos revisar tais observações enviesadas de embuste intelectual. Daí apregoamos que o pensamento humano faz-se complexo demais por-se dotado de inferências, hipóteses, racionalidade juntos a sentimentos e emoções. Homens e máquinas são ao mesmo tempo distantes e complementares. Cabe-nos fazer lembrar: homens criam máquinas, portanto, ficam subjugadas aos nossos interesses e comandos. Isso dá a entender que o autor não acredita no fazer científico e muito menos o compreende quanro crítica sem embasamento o projeto genoma humano como um fracasso total por atingir apenas a cifra de 1%.  Cabe aqui rebatermos tal posicionemento, não se deve avaliar por este prisma. A ciência constrói-se num longo prazo, necessita de tempo, muito tempo. Por exemplo, quanto tempo gastou-se para chegarmos às tecnologias de hoje. Para se ter um parâmetro, a internet para chegar ao patamar atual levou mais de trinta anos em pesquisa, desenvolvimento, equipamentos e softwares. Qualquer um que tenha o mínimo de noção, sabe que o tempo da ciência difere-se totalmente do mundo do mercado. Portanto, simplificar a visão das coisas nesse nível demonstra desconhecimento dos meandros da ciência. Na mesma trilha, querer atribuir felicidade neuronal à produtividade perante inovações nada mais é que forçar barra, Enfim, de onde saiu essa ideia tão esdrúxula. Trata-se de puro discurso de auto-ajuda, senso comum  sem a menor análise empírica ou teor científico. Não poderíamos deixar de comentar a frase do autor: "Plantar soja dá mais resultado no curto prazo, mas plantar neurônios educativos e mais negócio". Diga-se uma comparação ao menos estapafúrdia, sem nexo e um tanto jocosa. Trata-se duas afirmações totalmente discrepantes, sem qualquer correlação próxima. É querer forçar um cubo encaixar numa esfera. Para completar o autor nos acrescenta: Exportamos suor e importamos pensamento. Obvio, somos vendedores de "commodities", um país agrário e extrativista. A muito tempo o país deixou de incentivar a indústria e investir na chamada indútsria 4.0 com base na tecnologia de ponta. A consequência nefasta foi continuarmos como mero s exportadores de produtos primários e pouco valor agregado. Ficamos para trás no desenvolvimento de tecnologias e nós tornamos dependentes. A equação apresentada pelo autor não se resolve e nem tão cedo haverá consenso de que o trabalho perpassa em divertimento, e que daí nasce a criatividade e alta produtividade. Sejamos sinceros e os psicanalistas, psicólogos e psiquiatras  não nos deixam mentir que a invenção do trabalho como lazer e diversão é puro engodo, uma farsa. Trabalho implica em mercadoria, venda da força humana em troca de salário. Precipuamente uma relação segundo Marx que envolve alienação e exploração. Traduz-se na luta de classes, típico do capitalismo. 

sábado, 2 de maio de 2026

A invenção dos colaboradores: termo para desarticular trabalhadores na luta de classes

Ainda na tentativa de desconstruir o pensamento errático do empresariado brasileiro e o seu vêu consevador continuaremos neste texto a criticar o posicionamento daqueles que se acham donos da verdade em relação a sociedade. Estes seres que acreditam, por terem nas mãos o poder financeiro, numa superioridade as demais pessoas. Segundo a afirmação do nosso elemento crítico, a inovação seria a palavra do momento em gestão, porém existe um abismo entre aquilo que se fala e a realidade. De fato sim há esse abismo, principalmente por que o Brasil foi numa direção oposta e pegou a via da desindustrialização  e não desenvolveu uma política efetiva de inovação. A inovação te um custo muito alto enão adianta contra argumentar, depende do capital estatal para se efetivar plenamente. Tanto que muitas empresas brasileiras necessitam de financiamento público para implementar projetos inovadores. E o fazer científico da universidades públicas assume fortemente esse papel do espaço de inovação, no entanto recebem críticas justamente das empresas e parte daqueles que a desconhecem. Complementando nossa visão crítica a respeito das palavras do autor ao dizer que a inovação é uma busca de riscos, e as possibilidades de fracasso são altos. Mais uma vez afirmamos nosso pensamento de que a inovação, sim, é risco. Por isso o capital do Estado é o elemento que movimenta o mercado de tecnologia. Sem o Estado torna-se impossível qualquer linha de desenvolvimento tecnológico e inovação. Pois, a inovação centra-se em pesquisas desenvolvidas por universidades públicas e institutos tecnológicos, ou seja, só o governo tem capacidade financeira para investir no longo prazo sem horizontes de lucros. Nos EUA as Bigtechs em sua maioria foram financiadas por dinheiro público, a exemplo das startups que ficaram anos desenvolvendo produtos sem lucros. A Indútria chinesa é um outro exemplo de investimento público que deve ao Estado  todo seu avanço tecnológico de ponta. Portanto, inovação se faz com pesquisa e apoio de orgãos institucionais e fomento governamental. Dado que empresas privadas não tem a capacidade financeira suficiente para ficar dez, quinze anos sem capital para sobreviver. Dentro desse espectro da inovação, a inteligência artificial - no olhar de nosso autor neoliberal - é a fonte do desenvolvimento. Nisso, termos que concordar. O coletivo - já dizia Marx - é o "general intellect", ou seja, o saber difuso; onde quem produz é o trabalhador. A inteligência coletiva na atualidade está embutida na mais valia social, onde trabalhamos de graça para as grandes corporações de tecnologia, seja melhorando um software através de nossas contribuições ao dizer o que nele falta; nas trocas de saberes com colegas a respeito de uma vacina. No entanto, o autor em seu livro apresenta apenas uma frase muito rasa e não aprofunda sobre o assunto. Isso impede que os leitores possam tecer críticas mais contudentes e profundas. Ainda, no livro - há um momento que autor aponta que os colaboradores tornam-se capitalistas. Vejam bem, ele utiliza o termo colabradores. Vamos ser bem sinceros - são trabalhadores. Pura falácia por parte de nosso autor. Bem, o trabalhador nunca será o capitalista, justamente por não ter o capital e nem ser o dono dos meios de produção. O trabalhador vende sua força em troca de um salário e cumpre uma jornada de trabalho, seja física ou intelectual. Já o uso do termo colaborador trata-se de uma designação contemporânea presente nos manuais de gestão de pessoas e de administração para referir-se aos trabalhadores e desartircular os conflitos das lutas de classe. Essa nova onda de alteração de conceitos, definições e termos propostos nas cartilhas, nos manuais e informativos de administração e gestão de pessoas atingiu em cheio a cabeça do autor, que foi mais longe e passou a criar neologismos. No popular, inventar moda e termos.  Assim diz ele: "colaboradores viram "empreendegados" (empreendedores + empregados). Ainda acrescenta os como capitalistas e felizes por terem nas mãos valores que permitem o erro ao inovar e assim felizes por um excelente atendimento aos clientes. Diga-se a verdade, trata-se de neologismo barato criado pelo dono dos meios de produção para justificar que o trabalhador é um capitalista. Mesma lógica para o termo colaborador. Algo que faz Marx se contorcer no túmulo ao ouvir tal heresia capitalista. Onde foi parar a luta de classes deve pensar Marx. Seria uma nova forma de alienar o trabalhador, criando a ideia do empresário de si mesmo - tão discutido por Biung-Chul Han em sua obra: A sociedade do cansaço. Cria-se aí um caminho para ampliar a exploração da mão de obra. Numa visão mais dilatada do capitalismo, os problemas tornam-se oportunidades de negócios afirma o autor. Realmente, se for apenas para aqueles que detêm os meios de produção e o seu lucro. O direito de fazer o que devemos  sob a ótica do autor é exemplo de liberdade: estudar, educar-se e se meter em tudo. Esse é o típico lema da cultura empresarial e certamente deve estar afixado  nos quadros de aviso, murais, paredes e no papel de parede dos computadores de sua empresa. Sobre o direito de fazer o que devemos - já não é um direito e sim um dever, uma ordem. Não é uma escolha. Pois, se fosse um direito, então não soaria como um dever. Daí o autor confunde direitos e deveres. Bem, direito é aquilo que nos cobre perante a lei. Já dever trata-se daquilo que precisamos cumprir para que haja ordem. E estudar, educar-se são direitos contemplados a todos, garantidos pela constituição e previsto pelo Estado. Num pequeno parágrafo de seu livro, o autor discorre numa argumentação a respeito de que a empresa tem que gerar lucro através de seus "colaboradores" e assim a compara com a empresa estatal - num tom errôneo - ao afirmar que na empresa estatal a falta de dinheiro (prejuízo), o governo pode injetar mais dinheiro e por isso não ela não vai à falência. Assim complementa o seu raciocínio ao apontar que no setor privado,o capitalismo encarrega-se de tirar do mercado aquelas não eficientes. Então, atribui as consequências do prejuízo ao consumidor. Cabe aqui analisarmos ponto a ponto, dado que o autor não nos esclarece muito bem o teor de suas indagações. As ideias estão um tanto nubladas pela orientação política e econômica. Vamos então esclatecer tais afirmações. Num primeiro momento,  o lucro vaí entrar no bolso do capitalista e dos acionistas após deduzidas as receitas e as depesas. O lucro é o produto da mais-valia (mais valor) do trabalho na concepção marxista. Assim, o lucro é a sobra de receitas por cima das despesas. O contrário também é verdadeiro, se temos despesas que ultrapassam as receitas o quadro é deficitário,ou seja, prejuízo. A partir daí podemos seguir num segundo plano de pensamento cuja empresa estatal jamais deveria visar exclusivamente o lucro. Dado que sua natureza parte em atender necessidades sociais e servir como mecanismo de apoio aos Estado. A empresa estatal pode sim falir, ser vendida, abrir capital, operar de forma mista (pública/ privada), todavia, seu papel precípuo está em servir a população através de serviços básicos, da qual o setor privado não tem condições de prestar. Portanto, certos setores da economia cabem apenas ao Estado, - mais uma vez - para atender dignamente aos anseios da população e não visar somente o lucro. Pois, setores estratégicos que nenhuma empresa privada tem consdições de manter por serem impagáveism tais como: universidades, hospitais, energia, água e esgoto. Enfim, falar em lucro de empresa estatal e não compreender - ou ser incapaz  de ver que apenas o Estado tem  a capacidade única de fornecer tal serviço à sociedade. Para finalizar tais análises e críticas o autor comenta em seu livro que a hierarquia e a disciplinas deixaram de existir dentro do contexto do controle e da cadeia de comando. Com isso deixamos a questão: será? Acreditemos, nãoé bem assim. O controle paira sobre o subjetivo e esconde-se nas entrelinhas da cadeia de comando. O controle subsiste de maneira bastante tènue, quase imperceptível - mas está lá - engendrado no coração do ambiente organizacional. Fixado sob uma forma cultural e arraigado às crenças, aos valores e ritos cultuados que em sua maioria não são visíveis nos regulamentos , regimentos, entretanto permeiam as mentes e corações dos ditos "colaboradores", que na realidade trabalhodores que constrõem a riqueza para o patrão. 

ZINI, Claúdio. Começe errado, mas comece! 4.ed. Palmas, PR: Kayguangue, 2023. 231p. 

domingo, 26 de abril de 2026

Desmistificando o pensamento torto do conservadorsimo neoliberal

A formação do caráter brasileiro perpassa por um conservadorismo tacanho que nasceu dos confins das regiões auríferas de Minas Gerais e estendeu-se às localidades produtoras de açucar no século XVIII. Essa maldição da família patriarcal ainda perdura nas mentes e lares brasileiros, sobretudo na classe média e nas elites. Contudo, ainda faz-se presente nas camadas mais pobres. Portanto, não vencemos ainda essas tais diferenças de gênero.Pelo contrário, mesmo com toda legislação o assunto parece ter se agravado. Certas literaturas tortas contribuem de sobremaneira para que a situação mantenha-se plenamente atual. Isso - claro - negativamente. Lembro-me de ter observado tais crenças e juízos de valor em um livro um tanto desconexo da realidade daquilo buscamos como sociedade. Porém, tais ideias pululam em parte do universo masculino e com alguma anuência das mulheres. Há alguns trechos dessa "obra" um  certo ar de machismo evidente por parte do autor, ao dizer que: "tem esposas que já ganham o que omarido ganha. O marido, que não é ciumento fica muito satisfeito". Visão típica de um conservadorismo mesquinho, em que a mulher se submete ao homem, como se fosse algo surpreendente as esposas ganaharem mais que os seus maridos. Pois, falta aqui o autor libertar-se dessas amarras conservadoras. No entanto, prefere ele afundar-se num modelo familiar patriarcal, próprio de um homem branco, rico e bastante comum  da região sul do Brasil.  Porém, não é só o machismo que apoderá-se dos impulsos mentais do autor. Os enganos dissonantes em relação a educação permeiam todo o livro e faz dele um obra dispensável, talvez uma inutilidade literária, principalmente ao parafrasear a citação de Lester Thurow (um desses guru de autoajuda) cuja frase: "Se educarmos um homem, teremos um homem educado. Se educarmos uma mulher, teremos uma família educada". Logo, esse trecho complementa a frase anterior, ao corroborar a visão conservadora e machista da dita família tradicional e patriarcal, onde podemos inferir o papel da mulher como submissa e do lar, apenas na função de educar os filhos e manter a ordem do lar. Um sentido bastante peculiar do capitalismo do século passado. Na esteira educacional, o autor comete imperdoáveis deslizes conceituais. Para ele a universidade - hoje - se resume a ter um celular e assistir aula de algum guru na tela. Aqui, o conceito guarda-se num limite raso e simplório de educação. Propaga-se a máxima de que a universidade presencial, estruturada destina-se apenas aos mais ricos, cabendo ao filho do trabalhador um ensino superior de má qualidade, a distância, e pior - através de plataformas via celular. Temos que entender que a univesidade deve ser pública e agregar todas as classes sociais, como um direito inalienável para qualquer cidadão. Pois, a univesidade pública tem que ser presencial, onde o ensino remoto seja apenas complemento. A verdadeira aprendizagem realiza-se na relação professor/aluno em sala de aula e com os colegas para que a nasça a crítica, a discussão e saber fazer. Então,deve-se quebrar esse preconceito de que a universidade foi criada somente para atender as classes mais abastadas. Se o jovem deseja ser médico, sua classe social jamais deveria ser um impeditivo. A medicina não se aprende em lives ou videoaulas, pois requer um corpo de mestres e doutores ali presentes cotidianamente para atender os alunos. Essa coisa de guru e influenciador demonstra o mais completo desconhecimento da realidade. Ainda no tortuoso caminho da educação, o autor comete mais enganos ao expressar sobre a universidade corporativa colocando-a como centro de treinamento para a vida real e acrescenta ele: "É uma filosofia de educação, onde os cursos são em cima de problemas reais". Tal afirmação está na busca de saída para os incontornáveis problemas educacionais, que jamais deveria repousar-se na superficialidade das estruturas privadas. em primeiro lugar, A universidade corporativa como centro de treinamento teria aqui sinônimo de uma formação única e excluisvamente para atender pontualmente as necessidades da empresa. Daí questionamos onde ficaria a visão crítica, o debate de ideias, o universo dos penamentos e o metódo científico. Então, universidade corporativa parece ser uma denominação errônea criada para justificar que as empresas estão de fato preocupadas com a educação? Trata-se de um assunto a se pensar, dado que as empresas buscam lucros. como já dissemos anteriormente, conhecimento não visa lucro e dinheiro - mas sim - resolver problemas e apresentar soluções factíveis, que até em certa medida poderia ser utilizada como justificativa para a lucratividade. Mas não é o objetivo central. Por isso, a saída paira sobre a superfcialidade que afirmamos momentos antes. Quando o autor tece infundadas críticas ao modelo tradicional de ensino, e assim diz: "A escola tradicional não acompanha as tendências de mercado e não supre tais carências, mais uma vez mostra desconhecer a realidade sob seus pés. Sabemos que essa não é a função da escola tradicional, o papel dela está na formação ampla, genérica, pautada numa cultura laica e plural. Um ensino transversal. A escola pública jamis deveria está a mercê de um ensino industrialista e servir aos interesses do capital. Todavia, o autor não admite uam postura crítica do capitalismo e nem nesmo o debate de ideias, muito menos pontos de vista contrastantes e opiniões diversas. Tão necessários à polarização de discursos. Na mentalidade um tanto equivocada apressa-se em reafirmar a invenção da guerra intelectual. Para desmitificar tal afirmação a respeito precisamos demonstrar que tal guerra intelectual que tanto se fala é um engodo. Bem, o modo de pensar são múltiplos, é não unívoco - como quer o autor. Sabemos que o intelectual é dotado por um pensar sistêmico e crítico. Portanto, guerra intelectual - sim - faz-se necessária para a construção do saber e requer olhares tanto divergentes, quanto convergentes para que possa trilhar numa esfera democrática. Diante disso, afirmamos que nenhuma guerra instelectual está m curso. O que há são debates,opiniões e discussões científicas e filosóficas no âmbito da universidade pública, algo que nenhum centro de treinamento poderá oferecer. Observamos até aqui um espetáculo de contradições postuladas por ideologias de cunho neoliberal e inversões de pensamentos. Nesse ritmo tenebroso o autor intercambia negativamente seus valores a respeito do feminino e da pauta educacional. Primeiro, o ensino jamais poderá ser projeto, dado ao seu caráter perene e constante. Quanto a sala de aula, é o ambiente de aprendizado e sempre será. É insubstituível, por ser espaço de trocas de conhecimento, debates e pensamento crítico. É na sala de aula que aluno, professor e colegas constroem o saber. Consequentemente, considerar a sala de aula como local menor de apenas tira-dúvidas, é não entender minimamente a função da escola e o papel da educação no mundo. em hipótese alguma, o ensino deve ser visto como projeto mercadológico, mas sim como política pública trilhada no longo prazo. Perante o ensino corporativo creditado nas palavras do autor, abre certo precendente para que ele possa corroborar que os talentos são profissionais independentes e tenham alto grau de empregabilidade, movendo-se numa velocidade tão grande quanto seu talento. Palavras do autor, não nossa Já estamos fartos de saber que a realidade mostra-se bem diferente. O que mais se vê são pessoas  talentosas e criativas nas filas de desempergados, a espera de uma oportunidade de trabalho e pagar as suas contas. Milhares de jovens capacitados, talentosos e criativos desperdiçados por falta de uma oportunidade. Alguns em trabalhos muito aquém de sua capacidade intelectual. Sejamos sinceros, a verdade é que o capitalismo criou uma massa de pessoas que estão cotidianamente em busca de uma recolocação no mercado de trabalho, no entanto não conseguem - não por falta de talento - mas o próprio sistema as impede. Na tentativa de justificar o sistema capitalista como modelo ideal para a transição em uam sociedade tecnológica e versada no conhcimento o autor procura argumentar sobre os meios de produção e alega que os donos desses meios serão aqueles que possuem o conhecimento, e que donos de terras , patrimônio e capital é coisa do passado. Ele por ser industrial, ou vive uma contradição, ou soa no mínmo como desonestidade intelectual. Mas vamos lá, por que a coisa não é bem assim, para começar os bens tangíveis ainda concentra-se nas mãos de uns poucos, famílias que ainda estão no poder e herdaram fortunas. Quiça, o que tenha mudado é a migração de capital físico e tangível para o mercado financeiro. O s novos donos do meios de produção são, ainda, em grande parte as velhas elites. A ideia é que o dinheiro passou a produzir dinheiro (equação de Marx elevada ao extremo, onde dinheiro gera dinheiro: D-D), ou seja, o capitalismo financeiro. As empresas tornará-se  S/A, comandadas pelos  CEOs (geralmente acionisas majortiários ou eleitos pelo Conselhos de Administração). Mas as velhas oligarquias continum no rentismo e lucrando milhões e milhões com dividendos e juros. Por isso, atribuir morte a era industrial, como faz o autor, consiste numa interpretação duvidosa. Ocorre que a indústria mudou seu foco e prioridades, passando para uma indústria pautada no financeiro, e cujo o produto (mercadoria) não tem mais aquele valor intrínseco. A indústria embrenhou-se na produção de papéis (títulos, derivativos, ações debêntures e créditos). Dado que não há mais a figura do dono (proprietário), enfim, são todos apenas acionistas e vivem do mercado financeiro. O capital mudou de mãos e agora concentra-se em títulos, ações e crédito.A mercadoria fica em segundo plano. Isso não que dizer que o modelo industrial acabou e foi decretado fim do capitalismo. O que de fato mudou foi a forma como a indústria se antecipou aos novos paradigmas do capital. Vendo assim, a oportunidade de maximizar sua acumulação num modelo mais enxuto e tecnológico.

ZINI, Claúdio. Começe errado, mas comece! 4.ed. Palmas, PR: Kayguangue, 2023. 231p. 

sábado, 11 de abril de 2026

A ciência no banco dos réus: o encontro entre Lacey e Novaes

No último artigo discorremos sobre os aspectos básicos que tornam a ciência mais humanitária e necessária ao desenvolvimento social, econômico e tecnológico do planeta. Dando sequência a esse assunto, ainda reforçaremos as ideias de Lacey e Novaes a respeito dos saberes científicos e sua relação com um mundo onde a inovação técnica frequentemente atropela a reflexão ética, duas obras fundamentais se encontram no centro de um debate urgente sobre o futuro da civilização: Valores e Atividade Científica 2, de Hugo Lacey, e a coletânea O Homem-Máquina, organizada por Adauto Novaes. Embora possuam pontos de partida distintos, a convergência entre eles desenha um mapa crítico sobre como a ciência moderna molda - e, por vezes, deforma - a nossa realidade. Abaixo, exploramos os pontos de intersecção onde o pensamento desses autores se funde em um alerta necessário.

O Fim do Mito da Neutralidade

A maior convergência entre as obras é o ataque frontal à ideia de que a ciência é "neutra". Para Lacey, a escolha de como pesquisar já carrega um valor. Ele argumenta que a ciência moderna prioriza "estratégias descontextualizadas", voltadas para o controle e a manipulação da natureza. Na visão de Novaes e seus colaboradores, essa mesma ciência "neutra" é a que permite a manipulação do corpo humano como se fosse apenas matéria bruta, ignorando as dimensões sociais e espirituais do ser. Ambos concordam: não existe ciência sem ideologia.

A Redução do Humano ao Objeto

Os dois livros denunciam um processo de objetificação:

·  Em Lacey: A natureza e os sistemas sociais são reduzidos a variáveis que podem ser controladas por leis matemáticas e físicas.

·   Em Novaes: O ser humano é reduzido a uma "máquina". No livro organizado por Novaes, discute-se como a biotecnologia e a genética tratam o corpo como um conjunto de peças substituíveis ou dados a serem otimizados.

A convergência aqui é clara: a ciência contemporânea tende a desconsiderar a "autonomia" - seja das sementes na agroecologia (tema caro a Lacey) ou da vontade própria do indivíduo sobre seu organismo (foco de Novaes).

O Império do Controle e do Mercado

Outro ponto de união é a identificação de quem realmente dita o ritmo do progresso. Lacey aponta que a pesquisa científica está hoje quase totalmente submetida aos valores do capital e do mercado, que buscam lucros rápidos através da inovação tecnológica.

Essa tese é amplificada em O Homem-Máquina, onde os autores mostram como a manipulação do corpo (seja através de fármacos, cirurgias ou implantes) transformou a vida humana em um produto. A ciência deixa de ser um instrumento de libertação para se tornar uma ferramenta de dominação biopolíticaDessa forma podemos sintentizar tais convergências às quais os autores proprõem numa tabela bastante didática e fácil de compreender, que segue logo abaixo:

Tema Central

Visão de Lacey

Visão de Novaes (Coletânea)

Poder

A ciência serve ao controle da natureza e ao lucro.

A ciência serve ao controle dos corpos e à produtividade.

Metodologia

Mecanicista e descontextualizada.

Fragmentada e tecnicista.

Ética

Deve ser reintroduzida no centro da prática científica.

Deve ser o limite contra a desumanização técnica.

A leitura cruzada de Lacey e Novaes não é um convite ao abandono da ciência, mas sim à sua redemocratização. O que exige uma nova postura científica. Pois, enquanto Lacey pede uma ciência plural que respeite os contextos sociais, os autores de Novaes pedem uma ciência que não "desmonte" o humano em busca de uma perfeição mecânica ilusória. A convergência final é um chamado à responsabilidade: o cientista não pode mais se esconder atrás de números; ele deve responder pelo mundo que sua técnica está criando.

No entanto a ciência ainda segue sob o tacão do capital e para não nos deixar mentir, as luzes convergentes de Lacey e Novaes refletem tal pensamento. Portanto, ao esmiurçarmos as obras destes autores surge uma convergência contundente surge que denúncia como a ciência moderna se tornou uma engrenagem fundamental do modelo capitalista. Então, para ambos, a ciência não é uma entidade isolada em uma torre de marfim, mas um instrumento moldado pela lógica da acumulação, do lucro e do controle social.

A Ciência como Força Produtiva

A primeira grande convergência reside na compreensão de que a ciência abandonou o ideal de "conhecimento pelo conhecimento" para se tornar uma ferramenta de produção.

·  Lacey demonstra que o modelo de "ciência moderna" privilegia quase exclusivamente pesquisas que geram tecnologias patenteáveis e controle sobre a natureza. Isso ocorre porque tais pesquisas atendem aos interesses das corporações que buscam lucros imediatos.

·    Novaes, através dos ensaios de sua coletânea, mostra como essa mesma lógica entra "pele adentro". O corpo humano deixa de ser uma entidade sagrada ou biopsicossocial para se tornar um capital biológico. A ciência que manipula o corpo (genética, farmacologia) serve para otimizar o trabalhador e o consumidor, tornando-os mais produtivos e dependentes do mercado.

 A Estratégia de Controle e a Mercantilização

Ambos os autores identificam que a aliança entre ciência e capitalismo gera uma obsessão pelo controle total.

·    No campo (Lacey): O autor cita o exemplo das sementes transgênicas. A ciência é usada para criar sementes que não se reproduzem ou que dependem de agrotóxicos específicos. Aqui, o conhecimento científico é usado para "aprisionar" a agricultura ao  mercado financeiro, destruindo práticas tradicionais.

·    No corpo (Novaes): A ciência médica e biotecnológica foca na fragmentação do corpo em partes comercializáveis. A saúde torna-se um produto de prateleira. A convergência com Lacey é clara: o objetivo não é a autonomia do sujeito (ou do agricultor), mas a dependência de um sistema técnico-capitalista.

 O Silenciamento de Alternativas

Lacey e Novaes convergem ao apontar que o modelo capitalista impõe um "pensamento único" na ciência:

  • Marginalização de Saberes: Lacey aponta que formas de ciência que não geram lucro (como a agroecologia) são desqualificadas como "não científicas" ou irrelevantes.

  • Desumanização: Novaes alerta que, ao focar apenas no que é tecnicamente possível e economicamente rentável, a ciência ignora as questões éticas e o sofrimento humano, tratando o indivíduo como uma máquina que precisa de manutenção constante.  

Podemos sintetizar essa relação entre ciência e capital num quadro em que os pontos convergentes podem ser estabelecidos em cinco aspectos distintos:   

Ponto de Convergência

O Impacto do Modelo Capitalista

Finalidade

A pesquisa é direcionada para o que gera lucro e patentes, não para o bem-estar social amplo.

Visão de Mundo

A natureza (Lacey) e o corpo (Novaes) são vistos como recursos exploráveis e máquinas a serem otimizadas.

Poder

O conhecimento concentra-se nas mãos de grandes corporações (agroindústria, farmacêuticas, tech).

Ética

A ética é substituída pela eficiência técnica e pela viabilidade econômica.

Assim podemos dizer que o desafio da emancipação da ciência perpassa pela convergência entre os dois autores; é nos fornece um diagnóstico sombrio, porém necessário: sob a égide do capitalismo, a ciência corre o risco de deixar de ser um caminho para a verdade e passar a ser um manual de instruções para a dominação.Enquanto Lacey propõe uma ciência plural que incorpore valores sociais e ecológicos, as reflexões de Novaes pedem um retorno ao humanismo, para que a técnica não acabe por devorar o seu criador. Em suma, ambos defendem que a ciência precisa ser resgatada das mãos do mercado para voltar a servir à vida em sua plenitude. O que esses dois livros nos dizem, em uníssono, é que a luta por uma ciência diferente é, essencialmente, a luta por um modelo de sociedade diferente.

LACEY, Hugo. Valores e atividade científica 2. São Paulo: Editora 34, 2010. 384 p. (Coleção Trans).

NOVAES, Adauto (Org.). O homem-máquina: a ciência manipula o corpo. São Paulo: Companhia das Letras, 2003. 488 p.

sábado, 4 de abril de 2026

Entre a ética e a técnica: o dilema da ciência contemporânea em Lacey e Novaes

A evolução da humanidade durante os milênios é a prova cabal de que o ser humano tornou-se capaz de contornar seus problemas, e com isso criar soluções inteligentes para resolver suas necessidades. A invenção da roda, do arado, a descoberta do fogo na pré-história até a inteligência artificial, a nanotecnologia, a biotecnologia em nossos dias atuais mostra a importância da ciência na evolução da sociedade. Por outro lado, quanto essa revolução científica de fato beneficiou nós, seres humanos. Portanto, cabe aqui neste artigo discutirmos pontos centrais a respeito da imparcialidade, da neutralidade e autonomia da ciência. Enfim, a quem serve o saber e o fazer científico. Pois, é isso que iremos debater neste artigo, sob os holofotes de Hugo Lacey junto a obra de Adauto Novaes - Homem máquina. 

No cenário atual, onde a biotecnologia e a inteligência artificial avançam em ritmo frenético, a pergunta que ecoa nos centros de pesquisa e na filosofia não é mais apenas "o que podemos fazer?", mas sim "o que devemos fazer?". Este embate ético é o fio condutor que une duas obras fundamentais para compreender a ciência moderna: Valores e Atividade Científica 2, de Hugo Lacey, e O Homem-Máquina: A Ciência Manipula o Corpo, organizado por Adauto Novaes.

Embora partam de perspectivas distintas, ambos os autores convergem para uma crítica necessária à suposta "neutralidade" do progresso técnico-científico.

A Ciência Além do Laboratório: Hugo Lacey

Em sua obra, o filósofo australiano Hugo Lacey desafia a ideia de que a ciência é uma busca pura e desinteressada pela verdade. Para Lacey, a atividade científica está intrinsecamente ligada a valores.

Os Três Tipos de Valores

Lacey argumenta que a ciência é influenciada por uma tríade de valores:

  • Cognitivos: Critérios de verdade, como consistência e poder preditivo.
  • Éticos: O impacto das descobertas na vida humana e no meio ambiente.
  • Sociais/Políticos: Quem financia a pesquisa e quais interesses (militares, de mercado ou sociais) ela serve.

O autor propõe a Pluralidade Metodológica, sugerindo que a ciência não deve focar apenas em estratégias descontextualizadas (que buscam o controle da natureza), mas também em estratégias que considerem o contexto social e ecológico, como a agroecologia.

O Corpo sob o Bisturi da Razão: Adauto Novaes

Se Lacey foca na estrutura da pesquisa, a coletânea organizada por Adauto Novaes, O Homem-Máquina, mergulha nas consequências antropológicas dessa ciência. O livro explora como a visão mecanicista — que vê o corpo humano como uma engrenagem ou um conjunto de dados — transformou nossa relação com a vida.

A Fragmentação do Humano

Os ensaios presentes na obra de Novaes alertam para o risco da manipulação extrema. Ao tratar o corpo como um objeto puramente biológico e técnico, a ciência corre o risco de:

  •  Anular a subjetividade e a história individual.
  • Transformar a saúde em um produto de consumo.
  •  Criar uma "eugenia moderna" através da edição genética e da protetização sem limites éticos claros.

"A ciência que manipula o corpo é a mesma que, muitas vezes, esquece a dignidade do homem que o habita."

O Ponto de Encontro: A Necessidade de Limites

O diálogo entre Lacey e as reflexões de Novaes revela uma urgência: a democratização do conhecimento científico.

Ponto de Comparação

Hugo Lacey

Adauto Novaes (Coletânea)

Foco Principal

Metodologia e Valores

Antropologia e Biopoder

Crítica Central

O predomínio da estratégia de controle

A visão do homem como máquina funcional

Solução Proposta

Ciência plural e socialmente responsável

Reflexão filosófica sobre os limites da técnica

Uma Ciência para Quem?

A leitura conjunta dessas obras sugere que a ciência não é um destino inevitável, mas uma escolha política e ética. Enquanto Lacey nos fornece as ferramentas teóricas para identificar quais valores guiam nossas pesquisas, os autores de Novaes nos mostram o que está em jogo: a nossa própria definição de humanidade.

Para o leitor contemporâneo, a mensagem é clara: o progresso técnico só terá valor se estiver a serviço da emancipação humana e do equilíbrio planetário, e não apenas da eficiência mecânica ou do lucro desenfreado.

LACEY, Hugo. Valores e atividade científica 2. São Paulo: Editora 34, 2010. 384 p. (Coleção Trans).

NOVAES, Adauto (Org.). O homem-máquina: a ciência manipula o corpo. São Paulo: Companhia das Letras, 2003. 488 p.

domingo, 8 de março de 2026

A ideologia torta do capital: contradições e erros

A contemporaneidade exige de nós uma compreensão mais aprofundada das mudanças do mundo, portanto entender a dinâmica do capital torna-se essencial para que de fato possamos alinhar pensamentos e construir críticas minimamente factíveis. Não cabe mais na atualidade considerações pueris - digamos infatilizadas - que nós levam a decisões erradas e a mera opinião. É preciso enxergar no macrocosmo as paulatinas transformações sociais,  políticas e econômicas nesse pequeno intervalo do fim do século XX e o início do século XXI. Do ponto de vista histórico as grandes transições foram bastante perceptivas, ao apontar-se para o desenvolvimento e inovações tecnológicas, principalmente no âmbito da computação quãntica, Inteligência Artificial, computação em nuvem e Big Data. Trata-se de uma nova revolução industrial, ou seja - a indústria sem o operariado - cuja a máquina torna-se o elemento central. No entanto, há um preço muito alto a se pagar, valor intagível, que atinge diretamente toda sociedade. Dada a  consequência nefasta ao meio ambiente e consumo energético. Além de alterar a subjetividade humana por completo. Assim, somos jogados para dentro um sistema maquinal, em que o ego é triturado e nossa personalidade fica reduzida à pó. Somos apenas engrenagens e submetidos à vontade da maquinaria, verdadeiros homem-máquina. Não nos cabe aqui falar mais em produção e mercadoria. Agora, o humano é o produto da vontade da máquina. Entretanto, há aqueles que erroneamente insistem em afirmar que a velha indústria prevalece, pensam acreditar num capital produtivo de mercadorias e num amplo mercado consumidor. Talvez, por convições, valores ou mera ingenuidade (sendo bem menos improvável) essas pessoas - em sua maioria burgueses sem burgo - ainda pregam o mote da meritocracia, do nascer do nada, do trabalhar duro e atingir a riqueza. Elas simplesmente distorcem a realidade, criam esperanças em uopias. Enfim, qual o porquê deste assunto? qual a relevância dele neste texto? Bem, meus caros leitores, precisamos entender que não estamos mais dentro de um cenário dos anos 70, cujo a estabilidade política e econômica fazia-se presente no modelo da social-democracia. Os tempos são outros, nada mais tem a solidez de antes. Quem detém o poder é o mercado financeiro, onde dinheiro se traduz em mais dinheiro. Produtos e mercadorias são secundários. As empresas não tem mais um rosto, apenas acionistas e são administrada por um CEO. Por isso, viemos aqui tecer algumas críticas aos que ainda procuram referências históricas não mais cabíveis na atualidade. Com tais mudanças, pode-se dizer que a produção intelectual não está mais atrelada às atividades e tarefas rotineiras. Isso é um fato, dado que o capitalismo cognitivo exige de todos nós a condição de trabalhadores intelectuais subservientes às plataformas das Big Techs, daí retiram o mais valor social. Afinal, foi o que Marx previu como "general intelect". Pois qualquer afirmação generalizada da sociedade em relação a proteção daqueles ditos vagabundos (os não trabalhadores) soa como pura hipocrisia. Assim, deixo em tom de pergunta:proteger os mais carentes, moradores de rua, pessoas em situação de miséria é alimentar vagabundos? Há um grande equívoco nesse sentido, sendo qua a função do Estado é proteger quem mais precisa, portanto, as políticas sociais e de renda miníma precisam ser colocadas nas agendas em favor dos mais vulneráveis. 

Um outro erro está na afirmação de que a desigualdade financeira deve-se à desigualdade de educação. Existe aí um desconhecimento da realidade social e econômica, nem sempre ou rara vezes a educação vem como um elemento base para a desigualdade social. A discrepância está pontuada na diferença de renda entre ricos e pobres. A educação em si, ou,  a falta dela não é causa dessa desigualdade. A real causa perpetua-se na má distribuição e na concetração da riqueza nas mãos de poucos. Elevar o nível educacional contribui e mutio para que haja oportunidades de melhores empregos e salários, mas não define a desigualdade financeira. Criou-se a ilusão que para gerar lucro basta adquirir conhecimento e estar conectado a uma boa rede de relacionamento. Isto é desconsiderar a diferença entre lucro e conhecimento, trata-se de uma visão simplista e rasa. Bem, o lucro vem do mais-valor e da produção do trabalho, isso na exegese do capitalismo produtivo fordista. Ao colocarmos em termos atuais, da qual impera o capitalismo financeiro, o lucro está nos produtos do mercado de papéis (ações, títulos derivativos). É a acumulação de capital por meio do dinheiro produzindo mais dinheiro, e sem o elemento mercadoria tangível. Logo, assumir que o lucro vincula-se à aquisição de conhecimento e conexões numa rede de relacionamento, é não entender a essência do nosso capitalismo atual. Da mesma forma, quando julga-se que grande parte do ensino e aprendizagem hoje está no ambiente corporativo. Temos aí um erro crasso ou a pura desonestidade intelectual cometida por esses defensores do capitalismo. Em primeiro lugar, as empresas transformaram-se em não-lugares e sim em ambientes produtores de pápeis intangíveis, um lugar sem rosto. Com já diziamos antes, as empresas em sua maioria não tem mais donos-  apenas acionistas. Elas vivem de compra e venda de títulos, ações, debentures e dívidas. Por isso são incapazes de dar conta de uma educação formal ou profissional adequada e voltada para sociedade. Assim, acrescentamos que o ensino vem da escola e da educação regular. As pessoas adquirem formação e conhecimento solído no ambiente físico da sala de aula,com a presença de professores bem formados e capacitados, num ambiente crítico e de debates de ideias. Querer mercantilizar o ensino no âmbito organizacional trata-se de uma estratégia para alienar o trabalhador e colocá-lo numa posição de passividade diante das lutas trabalhistas. Esses mesmos donos dos meios de produção apontam o ensino corporativo  uma maneira de baratear a educação. Fala-se de uma escola barata. Aí devemos sim refletir e criticar tal solução. Para começar, a escola nunca foi barata e jamais poderia ser. Afinal, educação não tem preço e por isso deve ser pública. Pois, não existem recursos financeiros que possam oferecerum ensino de qualidade. Então, a melhor escola é aquela oferecida ao público de forma gratuita (melhor, proveniente dos impostos), cujo ensino seja laico e pautada na ciência. 

Ainda tentam justificar os lucros de qualquer modo. Dizem eles: "nada no mundo funciona sem lucro, sem lucro estamos fadados a bancarrota e sem lucro não há empresa". Tudo se resolve apenas atravês do capitalismo. Será? Há um enorme equívoco nisso tudo, já sabe-se que o capitalismo não resolveu o problema da desigualdade social e econômica,ao contrário, gerou um abismo ainda maior entre ricos e pobres. No momento, em que escrevo tais palavras, não apareceu nenhum outro sistema que viesse de fato a substituí-lo. Outros modelos como socialsmo e suas variadas matizes apresentaram sua derroccada, transformando-se em regimes totalitários e ditatoriais. Não resolvendo a questão da pobreza. Todavia, os ideários do regime capitalista nem de perto foi capaz de debelar as grandes diferenças sociais e econômicas, cada vez mais gritantes. Talvez, a volta de uma social-democracia; onde o Estado junto a iniciativa privada; possa mitigar tais problemas. Não há como fugir, o pensamento neoliberal instaurou-se em quase todo planeta decretando qualquer possibilidade de um Estado de bem-estar social. O neoliberalismo apresentou-se na contemporaneidade com uma força descomunal e suas premissas pairam sobre as mentes fazendo-nos crer na capacidade da remuneração variável, meritocracia, onde todos nós nos tornamos empreendedores, capitalistas, mesmo trabalhadores. Criou-se avisão míope de que todos possuem as mesmas chances, pura ilusão daqueles que não enxergam o capitalismo. Sejamos claro e objetivo: o trabalhador vende para o capitalista sua força de trabalho, em troca de um salário. Na outra ponta, tem-se o dono dos meio de produção. Este detêm parte do capital e do lucro (mas-valia em cima do trabalhador). Na atualidade do capital cognitivo o discurso faz-se em torno da meritocracia para corroborar a desigualdade social e econômica. A meritocracia esconde-se num discurso que busca antigir objetivos e metas de vida, fazendo transparecer que todos gazam da mesmas opostunidades. Está exposta a grande mentira que inventaram. Uma falácia proposta pelos donos dos meios de produção  para justificar as desigualdades vigentes. 

Dentro dessa perspectiva meritocrática fala-se em justiça, porém com um certo viés de que deve-se tratar as pessoas de forma desigual, ao passo que a injustiça teria que tratá-las de maneira igual. A princípio fica aquela ar estranho, um tanto confuso. Mas a intenção está justamente em gerar caos e confusão. Diríamos numa tentativa de despolitizar a sociedade. Trata-se do mais puro senso-comum e assim subverter conceitos. A ideia correta pauta-se na equidade, ou seja, reconhecer que todos deve ser respeitados em suas diferenças. A justiça tem função niveladora em que todos são iguais perante a lei e sem qualquer distinção. Até aí tudo certo. No entanto, a equidade vem oferecer equilíbrio no entorno das diferenças. Mais uma vez tentam deturpar os conceitos, e o fazem por meio de frases de efeito. Tais frases são jogadas ao vento, podem parecer inofensivas e não deletérias. Mas, existe por trás disso tudo um objetivo, que é ganhar a atenção e a mente das pessoas. Quando se coloca uma frase como: "o que produz dinheiro é conhecimento, pessoas mais educadas são mais produtivas". Percebe-se uma confusão conceitual proposital daquilo que é realmente o conhecimento, a produção, o dinheiro e a educação. Para começar, o conhecimento não tem o objetivo de produzir dinheiro, e nem de perto as pessoas mais educadas são as mais produtivas. O papel da educação está no aprendizado, na cultura e na aquisição de conhecimento, e não na produção de dinheiro. O conhecimento serve de instrumento para que possamos compreender nosso mundo, realizar ações en torno de nossa comunidade. O conhecimeto tem valor quando coletivo para beneficiar a ciência, a cultura e transformar a sociedade. A relação dinheiro-conhecimento é bastante superficial e não explica a profundidade do aprender. Vemos o quanto frases feitas ou soltas ao vento não nos permitem aprofundar na diversidade do pensamento. Por isso, a leitura crítica, o pensar consciente e descontruir ideias são práticas politizadoras e nos fazem caminhar por trilhas estreitas que jamais consideramos atravessar. O filosófo Plutarco numa era remota disse a seguinte frase: "O descanso é doce tempero do trabalho". Enfim, o contexto da frase nos dias atuais nem de longe tem o mesmo valor. Assim como, os símbolos, totens e objetos de outras eras podem assumir nos dias hoje outro signiifcado. Portanto, o perigo de frases soltas, sem contexto não gera qualquer conhecimento ou aprendizado e muito menos oferece sabedoria. São apenas palavras ditas sem profundidade e qualquer interpretação torna-se enganosa. Uma frase só adquire valor intríseco num contexto dentro de paragráfos ou numa obra lida. 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

A farsa do mercado - a corrupção do capitalismo financeiro

Diante das grandes repercussões políticas e econômicas que tomam conta da mídia nacional e abalam todo o país, não poderíamos deixar falar aqui a respeito do caso do Banco Master. Até mesmo por eu ter investido em um CDB deles que prometiam retorno de 120% do CDI, que com muito custo fui ressarcido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Mas infelizmente, tem uma grande parcela de pessoas que investiram seja diretamente, ou via fundos de investimentos que não irão receber facilmente os valores. Sim, podem dizer que somos iludidos por altos retornos e ganhos fáceis, ou seja, visamos o lucro. Isso é perfeitamente normal dentro de uma economia capitalista. Principalmente no atual capitalismo financeiro, em que o dinheiro virou mercadoria - mercadoria intangível (números numa tela de computador). A era do dinheiro virtual, cujo juro é a forma de remuneração pelo empréstimo de valores monetários. Trara-se de um sistema baseado na confiança, daí o termo fiduciário (fé, crença, acreditar no outro). Interessante observar que tais palavras são fortemente presentes nos dogmas religiosos. Parece que dinheiro e religião entrelaçaram-se e comungam o mesmo objetivo. Alguns de meus leitores podem dizer: isso é paranoia, que é apenas mera coincidência e coisas do tipo. Se formos buscar nos fatos históricos, algumas religiões dissidentes do catolicismo eram bastante tolerantes a usura, nada mais que empréstimos a juros. Essas religiões preconizaram os ideais burgueses e capitalistas. Digo isso, pelo fato de que a história percorre ciclos e segue uma mesma lógica, no entanto o espaço e o tempo muitas vezes se diferem. Aonde quero chegar diante desse pensamento? Bem, a resposta está justamente aqui, no Brasil, em pleno século XXI. Porém, precisamos fazer um esforço intelectual e pontuar alguns fatos anteriores para entender a realidade atual dos acontecimentos. A força capitalista propulsionada pelo motor da indústria, produção e o consumo de bens em meados dos anos 70 do século XX inicia sua derrocada. Ocorre o processo de desindustrialização e modelo fordista perde força em quase todo o mundo. Os sindicatos, as associações e as lutas dos trabalhadores são minadas, assim como a grande indústria fabril. O capitalismo fordista de produção deixa de ser o modelo atraente e abre espaço para serviços e a financeirização. Os bancos tornam-se os imperadores do mercado. As finanças e o mercado financeiro determinam como será o jogo do poder. Não interessa mais produzir e vender da maneira antiga. O mote é inserir o consumidor no jogo do crédito e débito, ou seja, a mercadoria é só uma isca para atrair futuros devedores, e deles cobrar juros. A era do homem endividado. Aquele que não possui empréstimos e dívidas deixa de ser atraente ao mercado. Com tudo isso, a indústria ganha com a bancarização e emissão de títulos creditícios. Vejam bem, toda essa mudança atinge desde de indivíduos à países. Pois, grandes nações passam a contrair empréstimos à juros devido a desindustrialização e caírem na ideologia neoliberal, ficam então sujeitas aos ditames de países credores e grandes conglomerados financeiros. As consequências desse neoliberalismo foram avassaladoras, como as crises constantes e abalo na soberania de muitos países que impactam diretamente na democracia. As privatizações e a austeridade nos gastos públicos marcam bem essa época no Brasil, no final dos anos 90 com o governo de Fernando Henrique Cardoso. A implementação do ideal neoliberal teve um custo enorme para o país, privatizações a toque de caixa, aumento do desemprego, mesmo com baixa inflação a pobreza extrema prevalecia. A distribuição da riqueza situava-se em níveis elevados. A elite ainda possuía grande parte da riqueza produzida em suas mãos. Nos bastidores da política e da economia a usura imperava e fazia com que as fortunas crescessem ainda mais. Os grandes bancos tinham lucros absurdos. Para captar mais dinheiro e ampliar as linhas de créditos ás famílias, às empresas e aos pequenos negócios entrava em cena a criatividade financeira do mercado. O mix de produtos financeiros - assim como a variabilidade de espécies de plantas e animais dentro da biologia - caminhavam numa diversidade assustadora. Os bancos, corretoras, financeiras e gestoras de investimentos, além das casas de análises locupletavam-se numa plêiade de entes financeiras. Muitas delas sem qualquer real lastro de capital, no intuito apenas de captar dinheiro de investidores com a promessa de altos rendimentos. Muitos dos produtos financeiros lastreados por essas entidades eram compostos de títulos e ativos denominados podres, com muito pouco valor real e artificialmente valorizado. Um exemplo claro, são os subprimes norte-americano, dividas imobiliárias (hipotecas) que eram vendidos aos pequenos investidores sem qualquer clareza em relação ao risco de crédito e capacidade do devedor em honrar a dívida. É importante observamos com clareza, que o capitalismo ao buscar novas maneiras de acumular-se e crescer não se importa com o modelo econômico e nem mesmo com o seu detentor. Por isso o dinheiro perpassa por diferentes de mãos e determina quem o comandará. Na atualidade, o capital conforma-se no modelo do dinheiro produzindo mais dinheiro sem passar pelo crivo da mercadoria, tornou-se um fim em si mesmo. Daí nasce o capitalismo financeiro e com ele toda uma espécie de produtos para o gosto do freguês, da qual citamos logo acima. Pois, é nesse instante que poderemos analisar detidamente os casos mais absurdos e bizarros de grupos ou indivíduos que fizeram desta vertente de capitalismo financeiro para gerar fortunas e se aproveitar do poder. Especificamente, o caso do Banco Master (claro que casos anteriores e outros futuros adentraram e adentrarão as páginas policiais e da mídia, assim como os meios políticos) mostra-se mais recente e gerou todo um burburinho nos corredores de Brasília. Não há nada demais em adquirir títulos de créditos privados como CDBs, LCIs, LCAs, FDICs e outros produtos financeiros. Tratam-se, a grosso modo, de compras de dívidas, em que empresas tomam empréstimos e assim pagam juros conforme o risco. Quanto maior o risco, maior os juros.  Ai que entra a mágica do Banco Master, com seu truque de ilusionismo financeiro, ao emitir títulos de créditos privados com promessa de juros acima do 120% do CDI. O Banco captou dos investidores bilhões em reais, mas sem condições reais honrar com os credores. A verdadeira questão é que o Master não possuía se quer patrimônio e muito menos capital suficiente para arcar com prejuízos. Enquanto isso, o seu dono vivia uma vida luxuosa e de aparências, gastando o dinheiro dos investidores. Bem próximo ao esquema das pirâmides, só que com aval político. O mais interessante dessa história toda é o que há por trás de tudo. O dono do Banco Master tem ligações com a igreja a qual pertence um deputado da direita e o seu pastor está ligado diretamente ao banqueiro (laços familiares). Uma forte rede que interliga política, igreja e capital financeiro. O Banco Master, assim como outros negócios bilionários demonstra a incapacidade de grandes empreendimentos de andarem sozinhos, e dependem fortemente de aportes do Estado e subsídios estatais. Não que tais subsídios e financiamentos sejam ilegais ou imorais. Portanto, cabe aos governos o dever de cobrar transparência na gestão destes recursos emprestados e fiscalizá-los. Enfim, trata-se de dinheiro que sai do bolso da população através de impostos. Infelizmente, escândalos financeiros como estes já não nenhuma novidade no mundo corporativo. Exemplos emblemáticos no Brasil e no mundo tornaram-se corriqueiros, porém um prato cheio para a mídia. Alguns vão lembrar-se do caso Coroa Brastel em 1983, em que letras de câmbio frias foram jorradas no mercado e sem qualquer lastro, dando enormes prejuízos aos pequenos investidores. Muitos outros casos como estes tiveram destaque na página principal dos jornais. Banco Nacional (1995), Banco Econômico (1995), Bamerindus (1997) - que não estava numa boa, Banco Marka (1999), FonteCindam (1999) que foram socorridos pelo Banco Central e outros exemplificam o descontrole na emissão e fiscalização de ativos financeiros, apesar da forte regulamentação por parte dos órgãos monetários. Talvez uma grande parcela da sociedade enxerga isso como algo natural, e inconscientemente até defenda tal atitude. Como se a corrupção por parte das empresas fosse uma consequência dos atos provocados pelos governo e entidades estatais. No entanto, tal suposição é errônea - dado que muitos bancos e empresas dependem de aportes e financiamentos estatais como o BNDES para manter-se. O Banco Master não fugiu à regra -  e sim - houve por parte do empresário claras tentativas de aproximar-se de pessoas do Estado para obter vantagens e ganhos. Mais uma vez os vícios privados tentam alinhar dos vícios públicos. No final de tudo, os únicos perdedores - mais uma vez - são os trabalhadores cuja previdência está atrelada a estes fundos mal geridos; o pequeno investidor que acredita que terá algum rendimento com esses títulos (podres) e a sociedade em geral que assiste incrédulo toda essa farsa montada por apenas interesses espúrios. 

Natureza

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