A formação do caráter brasileiro perpassa por um conservadorismo tacanho que nasceu dos confins das regiões auríferas de Minas Gerais e estendeu-se às localidades produtoras de açucar no século XVIII. Essa maldição da família patriarcal ainda perdura nas mentes e lares brasileiros, sobretudo na classe média e nas elites. Contudo, ainda faz-se presente nas camadas mais pobres. Portanto, não vencemos ainda essas tais diferenças de gênero.Pelo contrário, mesmo com toda legislação o assunto parece ter se agravado. Certas literaturas tortas contribuem de sobremaneira para que a situação mantenha-se plenamente atual. Isso - claro - negativamente. Lembro-me de ter observado tais crenças e juízos de valor em um livro um tanto desconexo da realidade daquilo buscamos como sociedade. Porém, tais ideias pululam em parte do universo masculino e com alguma anuência das mulheres. Há alguns trechos dessa "obra" um certo ar de machismo evidente por parte do autor, ao dizer que: "tem esposas que já ganham o que omarido ganha. O marido, que não é ciumento fica muito satisfeito". Visão típica de um conservadorismo mesquinho, em que a mulher se submete ao homem, como se fosse algo surpreendente as esposas ganaharem mais que os seus maridos. Pois, falta aqui o autor libertar-se dessas amarras conservadoras. No entanto, prefere ele afundar-se num modelo familiar patriarcal, próprio de um homem branco, rico e bastante comum da região sul do Brasil. Porém, não é só o machismo que apoderá-se dos impulsos mentais do autor. Os enganos dissonantes em relação a educação permeiam todo o livro e faz dele um obra dispensável, talvez uma inutilidade literária, principalmente ao parafrasear a citação de Lester Thurow (um desses guru de autoajuda) cuja frase: "Se educarmos um homem, teremos um homem educado. Se educarmos uma mulher, teremos uma família educada". Logo, esse trecho complementa a frase anterior, ao corroborar a visão conservadora e machista da dita família tradicional e patriarcal, onde podemos inferir o papel da mulher como submissa e do lar, apenas na função de educar os filhos e manter a ordem do lar. Um sentido bastante peculiar do capitalismo do século passado. Na esteira educacional, o autor comete imperdoáveis deslizes conceituais. Para ele a universidade - hoje - se resume a ter um celular e assistir aula de algum guru na tela. Aqui, o conceito guarda-se num limite raso e simplório de educação. Propaga-se a máxima de que a universidade presencial, estruturada destina-se apenas aos mais ricos, cabendo ao filho do trabalhador um ensino superior de má qualidade, a distância, e pior - através de plataformas via celular. Temos que entender que a univesidade deve ser pública e agregar todas as classes sociais, como um direito inalienável para qualquer cidadão. Pois, a univesidade pública tem que ser presencial, onde o ensino remoto seja apenas complemento. A verdadeira aprendizagem realiza-se na relação professor/aluno em sala de aula e com os colegas para que a nasça a crítica, a discussão e saber fazer. Então,deve-se quebrar esse preconceito de que a universidade foi criada somente para atender as classes mais abastadas. Se o jovem deseja ser médico, sua classe social jamais deveria ser um impeditivo. A medicina não se aprende em lives ou videoaulas, pois requer um corpo de mestres e doutores ali presentes cotidianamente para atender os alunos. Essa coisa de guru e influenciador demonstra o mais completo desconhecimento da realidade. Ainda no tortuoso caminho da educação, o autor comete mais enganos ao expressar sobre a universidade corporativa colocando-a como centro de treinamento para a vida real e acrescenta ele: "É uma filosofia de educação, onde os cursos são em cima de problemas reais". Tal afirmação está na busca de saída para os incontornáveis problemas educacionais, que jamais deveria repousar-se na superficialidade das estruturas privadas. em primeiro lugar, A universidade corporativa como centro de treinamento teria aqui sinônimo de uma formação única e excluisvamente para atender pontualmente as necessidades da empresa. Daí questionamos onde ficaria a visão crítica, o debate de ideias, o universo dos penamentos e o metódo científico. Então, universidade corporativa parece ser uma denominação errônea criada para justificar que as empresas estão de fato preocupadas com a educação? Trata-se de um assunto a se pensar, dado que as empresas buscam lucros. como já dissemos anteriormente, conhecimento não visa lucro e dinheiro - mas sim - resolver problemas e apresentar soluções factíveis, que até em certa medida poderia ser utilizada como justificativa para a lucratividade. Mas não é o objetivo central. Por isso, a saída paira sobre a superfcialidade que afirmamos momentos antes. Quando o autor tece infundadas críticas ao modelo tradicional de ensino, e assim diz: "A escola tradicional não acompanha as tendências de mercado e não supre tais carências, mais uma vez mostra desconhecer a realidade sob seus pés. Sabemos que essa não é a função da escola tradicional, o papel dela está na formação ampla, genérica, pautada numa cultura laica e plural. Um ensino transversal. A escola pública jamis deveria está a mercê de um ensino industrialista e servir aos interesses do capital. Todavia, o autor não admite uam postura crítica do capitalismo e nem nesmo o debate de ideias, muito menos pontos de vista contrastantes e opiniões diversas. Tão necessários à polarização de discursos. Na mentalidade um tanto equivocada apressa-se em reafirmar a invenção da guerra intelectual. Para desmitificar tal afirmação a respeito precisamos demonstrar que tal guerra intelectual que tanto se fala é um engodo. Bem, o modo de pensar são múltiplos, é não unívoco - como quer o autor. Sabemos que o intelectual é dotado por um pensar sistêmico e crítico. Portanto, guerra intelectual - sim - faz-se necessária para a construção do saber e requer olhares tanto divergentes, quanto convergentes para que possa trilhar numa esfera democrática. Diante disso, afirmamos que nenhuma guerra instelectual está m curso. O que há são debates,opiniões e discussões científicas e filosóficas no âmbito da universidade pública, algo que nenhum centro de treinamento poderá oferecer. Observamos até aqui um espetáculo de contradições postuladas por ideologias de cunho neoliberal e inversões de pensamentos. Nesse ritmo tenebroso o autor intercambia negativamente seus valores a respeito do feminino e da pauta educacional. Primeiro, o ensino jamais poderá ser projeto, dado ao seu caráter perene e constante. Quanto a sala de aula, é o ambiente de aprendizado e sempre será. É insubstituível, por ser espaço de trocas de conhecimento, debates e pensamento crítico. É na sala de aula que aluno, professor e colegas constroem o saber. Consequentemente, considerar a sala de aula como local menor de apenas tira-dúvidas, é não entender minimamente a função da escola e o papel da educação no mundo. em hipótese alguma, o ensino deve ser visto como projeto mercadológico, mas sim como política pública trilhada no longo prazo. Perante o ensino corporativo creditado nas palavras do autor, abre certo precendente para que ele possa corroborar que os talentos são profissionais independentes e tenham alto grau de empregabilidade, movendo-se numa velocidade tão grande quanto seu talento. Palavras do autor, não nossa Já estamos fartos de saber que a realidade mostra-se bem diferente. O que mais se vê são pessoas talentosas e criativas nas filas de desempergados, a espera de uma oportunidade de trabalho e pagar as suas contas. Milhares de jovens capacitados, talentosos e criativos desperdiçados por falta de uma oportunidade. Alguns em trabalhos muito aquém de sua capacidade intelectual. Sejamos sinceros, a verdade é que o capitalismo criou uma massa de pessoas que estão cotidianamente em busca de uma recolocação no mercado de trabalho, no entanto não conseguem - não por falta de talento - mas o próprio sistema as impede. Na tentativa de justificar o sistema capitalista como modelo ideal para a transição em uam sociedade tecnológica e versada no conhcimento o autor procura argumentar sobre os meios de produção e alega que os donos desses meios serão aqueles que possuem o conhecimento, e que donos de terras , patrimônio e capital é coisa do passado. Ele por ser industrial, ou vive uma contradição, ou soa no mínmo como desonestidade intelectual. Mas vamos lá, por que a coisa não é bem assim, para começar os bens tangíveis ainda concentra-se nas mãos de uns poucos, famílias que ainda estão no poder e herdaram fortunas. Quiça, o que tenha mudado é a migração de capital físico e tangível para o mercado financeiro. O s novos donos do meios de produção são, ainda, em grande parte as velhas elites. A ideia é que o dinheiro passou a produzir dinheiro (equação de Marx elevada ao extremo, onde dinheiro gera dinheiro: D-D), ou seja, o capitalismo financeiro. As empresas tornará-se S/A, comandadas pelos CEOs (geralmente acionisas majortiários ou eleitos pelo Conselhos de Administração). Mas as velhas oligarquias continum no rentismo e lucrando milhões e milhões com dividendos e juros. Por isso, atribuir morte a era industrial, como faz o autor, consiste numa interpretação duvidosa. Ocorre que a indústria mudou seu foco e prioridades, passando para uma indústria pautada no financeiro, e cujo o produto (mercadoria) não tem mais aquele valor intrínseco. A indústria embrenhou-se na produção de papéis (títulos, derivativos, ações debêntures e créditos). Dado que não há mais a figura do dono (proprietário), enfim, são todos apenas acionistas e vivem do mercado financeiro. O capital mudou de mãos e agora concentra-se em títulos, ações e crédito.A mercadoria fica em segundo plano. Isso não que dizer que o modelo industrial acabou e foi decretado fim do capitalismo. O que de fato mudou foi a forma como a indústria se antecipou aos novos paradigmas do capital. Vendo assim, a oportunidade de maximizar sua acumulação num modelo mais enxuto e tecnológico.
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