sábado, 16 de maio de 2026

Não há felicidade neuronal na exploração do trabalho

Como não podemos jamais deixar de analisar e criticar as trilhas neoliberais e seus atores que operam no mercado, lembrando que o capital atua no sentido da acumulação e põe em cheque aqueles não conseguem fazer o jogo do dinheiro. Ou seja, o capital muda rapidamente de mãos conforme os seus atores vacilam por não acompanhar a evolução mercadológica. Nessa lógica, o autor do livro: Começe errado, mas começe! tenta justifcar o lucro como missão social, ou melhor, justificar o capitalismo com um lado humano e social. De forma alguma somos contra o lucro, a empresa - sim - deve lucrar, por outro lado os trabalhadores devem ter o direito a participar desses lucros. Afinal, quem produz é o trabalhador. O lucro não deve ser o acúmulo somente do patrão. Até mesmo por que o autor afirma que o lucro precisa ter um caráter social. Em direção ao aspecto da centralização diz o autor: é um fator que desestimula a inovação. Nessa afirmação, há uma certa razão - talvez uma verdade. Pois, se centralizamos o conhecimento, a informação e o saber a disseminação e o compartilhamento desses acabam prejudicados. Torna-se uma caixa hermeticamente fechada e somente aquele que possui a chave tem acesso. A inovação depende de espaço e tempo sem controle de hierarquias de poder. Por isso, faz-se necessário na empresa a gestão por células e núcleos interativos, justamente para que o conhecimento, a infomação e o saber possa transitar de maneira livre. Segundo a visão do autor os colaboradores é que ajudam na construção da cultura organizacional. Como dissemos anteriormente, colaborador é o trabalhador. Sendo ele quem produz a mercadoria e está no chão da fabrica. É aquele que detém o conhecimento e o vende em troca de um salário. Portanto, é quem faz a cultura no ambiente da organização. Contudo, tal cultura infelizmente se vê decepada caso haja mudança de algum gestor (gerente, diretor ou CEO). Na cultura organizacional, um dos pontos mais importante pauta-se no erro como meio de aprendizagem. Assim aponta o autor: quanto mais se erra, mais se aprende. O aprendizado é o capital do futuro. Sim, trata-se de um fato verdadeiro, já de conhecimento de todos. As empresas deveriam internalizar essa máxima como meta, objetivo e ação natural. Na realidade o aprendizado vem com os erros, seja seu ou dos outros. Trata-se do velho ditado de Jesus: "Atire a primeira pedra aquele que nunca errou". Por outro lado, o que se vê na grande maioria da empresas que o erro é inadimissível. Se o trabalhador errar é colocado para fora (demitido). Por isso a cultura da empresa precisa mudar e aceitar o erro como parte do aprendizado. Dentro desse microcosmo empresarial a cultura tipicamente alia a ideia do erro ao pragmatismo, resumindo: fazer aquilo que precisa ser feito. Isso é uma lógica simples, pois, todo ser humano sabe aquilo que precisa ser feito. Condição básica para se obter resultados. Na fala do autor, "a intenção de sua empresa é ser uma plataforma de negócios, unindo assim a fábrica ao consumidor final em um único ambiente. Criando valor por meio da interação gerada entre esses participantes". Então, em seu pensamento a ideia de prestar serviços como forma de baixar custos, ao criar relação direta entre fábrica e consumidor sem intermédio de representantes comerciais. Diante da fala anterior, complementa o autor: "hoje as empresas tem que ser prestadora de serviços, assim digitalizar-se.A tecnologia deve ser exponencial". Diante disso, o interesse não sobrevoa mais a venda de produtos, como exemplo: portas, computadores ou carros. O foco paira em oferecer serviços aos cllientes, um visão típica do capitalismo cognitivo/ financeiro (O produto fica em  segundo plano, mero detalhe). Demarca-se aí o fim do capitalismo de mercadorias.Quase tudo plataformizou-se, dando lugar a subjetividade das máquinas. Nesse contexto da tecnologia exponencial, apontam-se graves falhas atribuídas ao ser humano, dizendo que somos muito lentos, mas dotado de alta inteligência. Enquanto isso, os robôs são burros, porém muitos velozes. Jamais deveríamos colocar esse tipo de comparação em voga. Nós, seres humanos, agimos de acordo com o pensamento lento, dentro dos limites da razão e da emoção. Já a máquina seria apenas um elemento coadjuvantes devidoa sua capacidade de cálculos e operções matemáticas compelxas numa velocidade bastante elevada, ao desempenhar tarefas mecânicas. A afirmação a respeito da linearidade  do pensamento humano não faz qualquer sentido, ao menos para o ponto de vista científico. Somos dotados de uma imensa capacidade semântica na linguagem ao fazer inferências e escolhas, além de sentir e abstrair problemas e criar soluções próprias e criativas. Algo que até momento uma máquina teria capacidade, mas em vias de concretizar-se. No entanto, a linearidade não faz parte da natureza humana, e sim permanece nas máquinas. Ainda sobre a linearidade, atribuímos o conceito de exponencialidade homem-máquina e erroneamente o autor insiste em afirmar que o humano é linear, enquanto a máquina tange para o exponencial. Por isso, ao tecer nossas críticas, procuramos revisar tais observações enviesadas de embuste intelectual. Daí apregoamos que o pensamento humano faz-se complexo demais por-se dotado de inferências, hipóteses, racionalidade juntos a sentimentos e emoções. Homens e máquinas são ao mesmo tempo distantes e complementares. Cabe-nos fazer lembrar: homens criam máquinas, portanto, ficam subjugadas aos nossos interesses e comandos. Isso dá a entender que o autor não acredita no fazer científico e muito menos o compreende quanro crítica sem embasamento o projeto genoma humano como um fracasso total por atingir apenas a cifra de 1%.  Cabe aqui rebatermos tal posicionemento, não se deve avaliar por este prisma. A ciência constrói-se num longo prazo, necessita de tempo, muito tempo. Por exemplo, quanto tempo gastou-se para chegarmos às tecnologias de hoje. Para se ter um parâmetro, a internet para chegar ao patamar atual levou mais de trinta anos em pesquisa, desenvolvimento, equipamentos e softwares. Qualquer um que tenha o mínimo de noção, sabe que o tempo da ciência difere-se totalmente do mundo do mercado. Portanto, simplificar a visão das coisas nesse nível demonstra desconhecimento dos meandros da ciência. Na mesma trilha, querer atribuir felicidade neuronal à produtividade perante inovações nada mais é que forçar barra, Enfim, de onde saiu essa ideia tão esdrúxula. Trata-se de puro discurso de auto-ajuda, senso comum  sem a menor análise empírica ou teor científico. Não poderíamos deixar de comentar a frase do autor: "Plantar soja dá mais resultado no curto prazo, mas plantar neurônios educativos e mais negócio". Diga-se uma comparação ao menos estapafúrdia, sem nexo e um tanto jocosa. Trata-se duas afirmações totalmente discrepantes, sem qualquer correlação próxima. É querer forçar um cubo encaixar numa esfera. Para completar o autor nos acrescenta: Exportamos suor e importamos pensamento. Obvio, somos vendedores de "commodities", um país agrário e extrativista. A muito tempo o país deixou de incentivar a indústria e investir na chamada indútsria 4.0 com base na tecnologia de ponta. A consequência nefasta foi continuarmos como mero s exportadores de produtos primários e pouco valor agregado. Ficamos para trás no desenvolvimento de tecnologias e nós tornamos dependentes. A equação apresentada pelo autor não se resolve e nem tão cedo haverá consenso de que o trabalho perpassa em divertimento, e que daí nasce a criatividade e alta produtividade. Sejamos sinceros e os psicanalistas, psicólogos e psiquiatras  não nos deixam mentir que a invenção do trabalho como lazer e diversão é puro engodo, uma farsa. Trabalho implica em mercadoria, venda da força humana em troca de salário. Precipuamente uma relação segundo Marx que envolve alienação e exploração. Traduz-se na luta de classes, típico do capitalismo. 

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