segunda-feira, 8 de maio de 2023

Mercados com excesso de liquidez

Durante a pandemia não faltou estímulos financeiros por parte das nações para ajudar o mercado, foram pacotes de empréstimos realizados para as empresas e a garantia de suas dívidas. Injeções de liquidez através das compras de títulos dos bancos, sendo então os bancos os primeiros beneficiados pelos governos, ao passo que as pessoas foram as menos ajudadas por meio de um pequeno auxílio, prestes a ser descontinuado, ou ter seu valor reduzido pela metade. Parece um grande contrassenso, pois foi justamente os bancos que mais fecharam postos de trabalhos, ou seja, milhares de pessoas demitidas nesse momento tão delicado de pandemia. Na verdade, a compra desses títulos trata-se da participação dos governos no setor privado, como desculpa para evitar uma possível quebradeira geral e salvaguardar os empregos. Logo, a atitude mais plausível a ser feita pelos governos deveria ser efetivas mudanças nas regras de impostos e taxas que beneficiem a população. No entanto, os juros bancários para o consumidor ainda é bastante alta, em média 37% ao ano. Sendo que a inflação em 2020, segundo dados do IBGE, fechou em torno dos 4,5%. Isso, nos faz deduzir que os bancos nesse momento de crise foram as organizações que mais ganharam dinheiro. A justificativa dos bancos para essas taxas de juros abusivas está na incapacidade de os tomadores de empréstimo honrar suas dívidas, uma versão um tanto contraditória, ao passo que a inadimplência foi comprovadamente baixa. Enfim, o brasileiro é um bom pagador. Em muitas nações como EUA, alguns países da Europa, Japão as taxas de juros estão próximas de zero, quando não são negativas, fato que explica os índices inflacionários com expectativas nulas. Por exemplo, a previsão da inflação para 2021 nos EUA mantém-se próximo de 0,2%, na Zona do Euro por volta de 0,17% no ano e Japão observa-se uma deflação na casa de -0,1%. Já em países emergentes a inflação vai na contramão, com tendência de alta. No Brasil a expectativa inflacionária projeta-se em torno dos 4,5% como meta, porém pode sofrer variações. A pandemia frustrou as expectativas de crescimento de vários países, dado que os níveis de investimentos acabaram recuando. Tais expectativas ficará abaixo da década 2010-2019, que foi de 3%. Já a década 2020-2029 a previsão dessa expectativa gira em torno dos 2%. Isso cria um grande ciclo vicioso, da qual os níveis de investimentos são cada vez menores impactando negativamente o crescimento que afeta diretamente a produção. A situação econômica do Brasil, não difere muito das outras nações emergentes, porém temos um agravante sendo que já vínhamos desde período de crise anterior, quando em 2016 geramos uma instabilidade política muito grande com impeachment da Presidente Dilma Roussef. Os eventos desse período foram traumáticos tanto em termos políticos, quanto econômicos. Mas aqui, não iremos abordar esse assunto, o que nos interessa é trazer dados mais atuais. Um desses dados está ligado ao mundo do trabalho, da qual analisaremos a taxa de desemprego e a renda do trabalhador. Para realizar essa análise utilizaremos como referência os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) no texto de Sandro Sachett de Carvalho publicado na Carta de conjuntura de número 50 do primeiro trimestre de 2021. A respeito da renda média efetiva do trabalhador foi em torno de 2185,00 reais, isso em novembro de 2020 com uma queda de 0,4% do mês anterior. As famílias que não possuem renda ou de renda mais baixa aumentaram no primeiro trimestre de 2020, com aumentos respectivos de 1,32% e 1,44%. O impacto da pandemia sobre a renda das famílias foi algo real e negativo, ao passo que a massa de rendimentos caiu. A pandemia também impactou muito a taxa de desemprego. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e estatística taxa de desemprego no terceiro trimestre de 2020 ficou em 14,1%, isso representa mais de 15 milhões de desempregados. a situação piora com os números de desalentados ou seja aqueles que estão desocupados e pararam de procurar trabalho, além daqueles que estão em subempregos somam mais de 30% da população. No entanto, o problema do desemprego no Brasil não está ligado apenas à pandemia, trata-se de um problema estrutural do capitalismo. Com a forte desindustrialização corrente no país, o setor serviços sozinho não está capacitado para absorver tanta mão de obra ociosa e nem mesmo optamos por criar uma indústria de alta tecnologia, que exige trabalhadores intelectuais, criativos e inseridos em setores de ponta.

quinta-feira, 6 de abril de 2023

Endividamento dos governos

Os diversos governos do mundo diante da pandemia tiveram grandes quedas de suas receitas e viram seus gastos aumentarem diante da crise. Na crise do Subprime em 2008 o aumento dos gastos representava 4% do PIB, com pandemia em 2020 estes gastos foram da ordem de 7% do PIB. Portanto, os gastos em 2020 chegam a ser quase três vezes maior que a crise de 2008. Nas economias emergentes e nos países desenvolvidos a dívida pública cresceu em torno de 120% do PIB. Já no Brasil a dívida pública irá representar quase 90% do PIB. Outro fator negativo para economia e que se torna cada vez mais grave diante do COVID-19 é a recessão global que tem como consequência direta o fechamento de empresas e postos de trabalho, queda de investimentos nos setores produtivos, aumento do endividamento das famílias, diminuição do consumo e redução da qualidade de vida principalmente pela má alocação dos recursos públicos. Isso é modelo neoliberal, que se que instaurar no planeta, metaforicamente um animal faminto por mercados - por onde passa devora sem piedade o que resta da sociedade, consome a produção, o trabalho e ainda quer mais. Exige liberdade total para atuar e extrair o máximo dos recursos financeiros. Dado que seu modelo anterior pautado na produção industrial e no trabalho fordista-taloyrista não oferece mais tantas possibilidades de lucro. Portanto, esse animal faminto busca na reprodução do dinheiro sobre o dinheiro, o excelso da mais-valia. O sistema capitalista em sua essência neoliberal encontra no Estado uma passagem larga para colocar prática suas ações, através de lobby, conchavos, apoio em campanhas eleitorais, e com isso obter vantagens financeiras e negócios lucrativos. O neoliberalismo permite a criação dessas aberrações políticas e econômicas comuns em países pobres e emergentes. O próprio governo compactua com tais anomalias, utilizando-se de mecanismos, muitas vezes democráticos por meio da legislação. Um exemplo recente foi projeto lei de autonomia do Banco Central (PL 19/19), aprovado democraticamente pelos 302 deputados. Na verdade, o Banco Central Brasileiro já gozava de grande autonomia, essa lei vem para dar mais poder a ele, impedido que o presidente da república possa exonerar a diretoria da instituição no prazo anterior a dois anos de mandato. A implementação desta lei tem todo um viés neoliberal que beneficia todo setor bancário do país, por outro lado, engessa de sobremaneira qualquer política monetária de cunho social. Trata-se de uma medida equivocada, dado que a autonomia do Banco Central não traz de fato investimentos estrangeiros para o país. Sabemos que o sistema de política monetária e a gestão de juros adotados no Brasil foi a derrocada para a indústria nacional. Infelizmente, não se trabalhou o que realmente precisava, o aumento da confiança no país em termos de investimentos internacional. Portanto, a autonomia do Banco Central coloca em xeque políticas que possam verdadeiramente ser benéficas para toda sociedade brasileira. Pois, a autonomia pressupõe uma certa irracionalidade, que reflete diretamente na adoção das políticas monetárias. Uma série de fatores em favor da autonomia do Banco Central foram colocados pelos seus defensores, com a controle da taxa de inflação, segurança jurídica para o sistema financeiro, estabilidade monetária. Só que essas ações já foram endossadas lá no passado em governos anteriores. O plano real, a meta de inflação, o controle cambial são medidas que tiveram boa eficácia do ponto de vista econômico e puderam num certo ponto contribuir para o desenvolvimento do consumo nas classes de menor poder aquisitivo. Tanto a autonomia do banco Central, quanto a PL3877/20 (versa sobre a remuneração da sobra de caixa dos bancos) são medidas típicas do neoliberalismo presente num capitalismo financeiro, que indubitavelmente desconstrói a sociedade, castra a soberania nacional e retira do presidente eleito o poder sobre o dinheiro. E ainda, a remuneração de sobras de caixa dos bancos traz como agravante o aumento da dívida pública. Segundo o site da auditoria cidadã da dívida no texto da Maria Lúcia Fatorelli tal manobra custou mais de um trilhão de reais aos país, quase 20% do PIB. Enquanto a enorme desigualdade social no país prevalece por causa destes recursos não serem investidos no setor produtivo e em políticas públicas e sociais.

sexta-feira, 24 de março de 2023

Sobre o PIB mundial

 

O produto interno bruto - o PIB - de um país na leitura de Ladislau Dowbor, em seu livro: A era do capital improdutivo (2000, p.31) refere-se a capacidade de uso da máquina produtiva, ou seja, é o quanto essa máquina utiliza de recursos para gerar riquezas. Partindo do conceito de PIB, podemos assim fazer uma previsão do crescimento econômico de algumas nações. A tabela abaixo nos apresenta importantes dados retirados do "Global Economic Prospect" do Banco Mundial, sobre o comportamento do PIB em 2020 e a previsão para 2021 em alguns países.

 
 

Países

PIB 2020

PIB 2021

EUA

-3,6%

3,5%

Zona do EURO

-7,4%

3,6%

China

2%

7,9%

Brasil

-4,5%

3%

Índia

-9,6%

5,4%

                         

                        

 

 

 

                        Tabela 1 - Produto Interno Bruto (PIB) 2020 e 2021.   

A tabela mostra claramente que a economia mundial nesse período de pandemia sofreu um enorme abalo, acentuadas quedas na indústria e serviços, como consequência grandes perdas de arrecadação por partes das nações, que viram suas dívidas públicas crescerem assustadoramente.

Nos países mais pobres viu-se grande desvalorização de suas moedas. Por exemplo, o real (Brasil) foi apontado como uma das piores moedas do mundo em termos desvalorização frentes as outras moedas, que se deve a desconfiança dos investidores. Sua queda foi de 22,4%, ficando atrás somente do Bolívar moeda da Venezuela que se desvalorizou cerca de 95%, da Rupya de Seychelles com uma queda de 33,5%, além moedas da Zâmbia, Angola e Argentina que tiveram desvalorizações em torno de 33% a 27%.

No entanto, os bancos brasileiros foram os que mais lucraram durante a pandemia, os cinco maiores do país tiveram nos noves primeiros meses de 2020, segundo reportagem da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT) um lucro de mais de 53 bilhões.

Sobre a China podemos fazer o seguinte diagnósticos, o PIB representa 71,4% do PIB dos EUA, a lista das 500 maiores empresas terá mais empresas baseadas na China (Hong Kong). A fatia da China no comércio global cresceu com o boom da exportação de produtos relacionados a crise, aumentando 3,6% em 2020.

 

Natureza

Natureza