sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

O capitalismo nunca foi natural

 

Muitos economistas colocam que o capitalismo é um sistema econômico natural. o que não  é verdade, pois a partir do momento que temos a presença da mão humana na transformação dos recursos da natureza, passa-se a ter uma artificialidade desses recursos. Eles deixam o seu estado natural bruto para obter uma forma consumível, tornam-se mercadorias que atendem as leis da oferta e demanda. Assim, as pessoas pagam um preço para obtê-los.

Este preço varia conforme a oferta e demanda. A exemplo tomemos a indústria extrativista, que retira da natureza diversos minerais, madeira, ou mesmo utilizam-se dos recursos hídricos para gerar energia que movimentam as indústrias, criando mercadorias que atendam as necessidades e desejos de consumo.

Em suma, o capitalismo apropria-se dos recursos naturais no intuito de gerar produtos e ofertá-los no mercado. O consumo torna-se um elemento vital para o desenvolvimento do capitalismo, Do outro lado, temos os trabalhadores que vendem sua força de trabalho em troca de uma quantia de dinheiro para gerar estas mercadorias.

Quantia essa denominada salário, que visa suprir  necessidades básicas. Portanto, Só há valor quando temos trabalho embutido nestes produtos, conforme Marx havia dito.

Esse é o principio dos estudos de Marx, que envolve questões ligadas ao capital e trabalho. Dois elementos geradores da famosa luta de classes colocados nos escritos marxistas. Marx coloca que os meios de produção dominado  pelo detentor do capital ( o capitalista) precisa produzir mercadorias e lançá-las num mercado para que seja consumida.

Assim o capitalista se apropria dos recursos naturais (água, madeira, minérios e outros) para moldá-las em mercadorias que vão até ao consumidor e obviamente feitas pelas mãos de algum trabalhador assalariado. Lógico, um vendedor, aquele que vende sua força de trabalho.    

Para reforçarmos essa maravilhosa prática adotada pelo capitalismo, vamos dizer que trata-se de uma forma de maximizar a produção e para tanto utiliza-se da força de trabalho assalariada, da qual o lucro provém do tempo extra de trabalho realizado. Portanto, é dai que se obtém o famigerado mais-valor ou mais-valia na concepção marxista.

Com advento das tecnologias das máquinas - aqui não distinguiremos se é a vapor ou elétrica -  introduzidas no ambiente fabril, o processo de produção ganhou mais celeridade e consequentemente diminui os custos de fabricação.

Porém, o trabalhador não foi recompensado por esta modernidade, ao passo que as horas de trabalho se manteve as mesmas e com uma produção muito maior, nem mesmo os salários tiveram grandes oscilações positivas. Cabiam aos trabalhadores recorrem aos sindicatos e declarar luta ao patrões, através das greves. Essas horas de trabalho não remuneradas, foi denominada por Marx de mais-valia ou mais-valor, sendo ela o lucro dos donos dos meios de produção. 

Só pra esclarecermos que o fato de não diferenciarmos aqui as máquinas a vapor ou elétricas, assim como os teares manuais por exemplo é porque estamos tratando superficialmente de um período histórico que envolve as primeiras revoluções industriais. Não é nosso intuito neste artigo descrever os pormenores da história. Mas sim focar na questão histórico-econômica e a sua passagem pela contemporaneidade fazendo elo entre a relação oferta-demanda e preços para mostrar víeis do capitalismo na ideia do recorte natural.

Assim descrevemos o princípio do capitalismo produtivo, aquele em que há  criação de mercadorias tangíveis produzidas pelas mãos de um trabalhador.

No entanto, a realidade atual deste século XXI não está mais calcada no processo produtivo das fábricas, muito menos no trabalhador. Portanto, o valor deixou de existir, dado que não se tem mais trabalho embutido pelas mão operarias. O que resta agora é o dinheiro criando mais dinheiro, por meio da magia dos juros. Com isso a mercadoria não tem sua expressão no valor, resta apenas o vazio dotado de desejo que nunca se satisfaz.

Isso que vivemos na contemporaneidade é uma nova forma de capitalismo em crise constante, pautado na financeirização, no modelo de juros e no endeusamento do mercado financeiro, onde as bolsas de valores e futuros são os templos que adoram o Deus dinheiro. As trocas são imagéticas e irreais, apenas números apresentados em tela que na velocidade da luz passa de uma mão para outra.

Nesse capitalismo o dinheiro (equivalente universal de trocas) age como um gerador de mais dinheiro, colocando de lado a relação capital-trabalho. Dessa forma, denominamos o capitalismo improdutivo ou capitalismo financeiro, da qual se cria produtos a partir do próprio capital, através de juros, dividendos, derivativos, ações e títulos.

Essa vertente do capitalismo alija em grande parte o trabalhador de qualquer tipo de reivindicação e coloca abaixo as entidades sindicais que protegem e fazem valer as leis trabalhistas. Todos nós passamos neste novo modelo de capitalismo à condição de investidor e sobrevivemos da via credor-devedor  perante ao mecanismo de taxa de juros e títulos comprados do governo que por sua vez financia a própria indústria financeira.

A visão desse capitalismo ultra-selvagem, gerador de capital fictício (termo utilizado por Marx no livro -  O capital) tem em seu corpo a ideia do liberalismo elevado num grau máximo, sem as amarras do Estado. Pois  nele não cabe a presença do Estado como interventor, ou mesmo, provedor de políticas publicas. Não sobra qualquer espaço para a burocracia Weberiana representante dos serviços públicos dotado de certa qualidade. Tudo agora cabe a iniciativa privada que impõem à população serviços básicos como água.esgoto, iluminação e até mesmo saúde e educação com tarifas elevadas. 

Enfim, a condição precípua em torno desse capitalismo totalmente artificial é que tudo passe a pertencer aos grandes conglomerados e holdings, formados por sociedades anônimas, grupos empresariais que não geram mercadorias, detém apenas marcas e patentes. Mais uma vez, é o dinheiro produzindo dinheiro. O famoso neoliberalismo.

Portanto, podemos dizer que as grandes companhias são apenas marcas, onde investidores aportam seus capitais em busca de maximizá-los e gerar mais capital, sem produzir se quer um alfinete. Até mesmo o governo já aderiu a tal modelo, por meio da criação de títulos públicos para captar empréstimos que pagam juros aos detentores destes títulos, na verdade credores do Estado. Assim, o governo contrai dívidas com grandes empresas e investidores, que podem ser fundos de pensões ou mesmo pessoas físicas.

A financeirização do capitalismo, a partir do fim do século XX, trouxe em si uma série de complicadores, como a quebra da relação oferta e demanda, preços e outros, criando mecanismos artificiais geradores de crises, que colocam em xeque o desenvolvimento de qualquer nação. Tal fato, alarga ainda mais as desigualdades socais, ao passo que as políticas públicas não são mais de domínio do Estado.

Nesse caso, o Estado torna-se uma engrenagem do modelo proposto pelo capital financeiro, deixando de ser o tutor da sociedade por não mais oferecer serviços públicos essenciais, tais como: educação, saúde, políticas de moradias, saneamento, energia elétrica subsidiada e bolsas assistenciais, além de prever direitos a quem necessita. O Neoliberalismo que se instaurou em quase todo o planeta vem com objetivo de enterrar os ideais da social-democracia  e suas políticas públicas de bem-estar social. Por fim ao modelo econômico desenhado pelo Keynesianismo, cujo Estado tem um papel forte nas decisões para debelar a recessão, a inflação e combater o desemprego.

Tudo tende a ser privatizado e entregue para as mãos da iniciativa privada, que mais uma vez reforçamos - oferecem um serviço muita vezes de má-qualidade por um preço vil. Aquele cidadão que não possui meios para pagá-los fica inteiramente desassistido e alijado do consumo desses serviços essenciais, antes oferecido e subsidiado pelo Estado.

O capitalismo em toda sua essência é uma obra do ser humano, que de fato utiliza-se da natureza para criação de coisas e assim inserir no mercado para obter nada mais que o lucro. Não importa se os produtos sejam objetos consumíveis, ou financeiros proveniente do próprio dinheiro. 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Princípio da oferta e demanda em relação aos preços

 



Para começarmos este artigo vamos colocar aqui o princípio da oferta e demanda como elemento básico que atua diretamente sobre os preços das mercadorias. Num mundo econômico ideal a relação entre a oferta e demanda tem uma certa predileção para tender-se ao equilíbrio. Com isso, dizemos que a equação P(x) → O=D, onde os preços são estáveis, devido a oferta e demanda serem iguais. Partem em rumo ao equilíbrio.

Entretanto, sabemos que a economia é uma ciência que trabalha com variáveis, hipóteses e cenários - que atua no campo das humanidades - assim não pertence ao mundo ideal. De certa forma podemos enquadrar a ciência econômica dentro de uma lógica do real e composta por muitos contrastes.

Para compreendermos a dinâmica da oferta e demanda, há uma necessidade de entendermos os principais  conceitos que regem essas duas variáveis. Assim temos, a oferta como uma quantidade de mercadorias ou recursos disponíveis num determinado mercado. Já a demanda trata-se do quanto as pessoas estão interessadas em obter esses recursos. A partir dessa definição simples e direta que iremos traçar algumas relações entre essas duas variáveis.

com isto demonstramos que se há um excesso de produtos num mercado, mas não existe um interesse em adquiri-lo dentro de uma quantidade que satisfaça esse mercado, dizemos que a oferta é maior que a demanda. Isso refletirá  negativamente nos preços, tornando-os mais baixos. Neste caso, o consumo é fraco e com tendência de queda.

Do contrário, se o consumo excede a oferta de produtos, ou seja, há uma demanda exponencial crescente para certo recurso, veremos que os preços certamente serão reajustados com direção de altas.

Outros elementos também podem influenciar de forma direta os princípios da oferta e demanda, tais como: a escassez de matérias-primas para a produção de bens industriais, a falta de recursos naturais essenciais para o bom  funcionamento dos processos de fabricação, por exemplo os recursos hídricos.

A inflação é também um outro fenômeno  intrínseco aos conceitos de oferta e demanda, justamente por ambos elementos influenciarem de sobremaneira os preços de uma mercadoria. Dessa forma, podemos definir a inflação como um aumento excessivo dos preços, principalmente se ocorre uma demanda excessiva em função da oferta. Por outro lado, a deflação é um conceito que vai em direção oposta à inflação, da qual observamos uma forte queda dos preços dos produtos provocado pela falta de demanda, onde não existe liquidez.

O nível de renda da população é outro fator relevante que afeta diretamente as regras da oferta e demanda. Geralmente, em países cuja a distribuição de renda fica muito concentrada, temos uma população de pobres e miseráveis muito grande, onde impera a falta de empregos, os salários são muito baixos, diante disso, a economia como um todo prejudicada.

Observa-se nesses países uma desproporcionalidade muito elevada no padrão de consumo das pessoas, além das taxas de inflação serem mais elevadas por não contarem com mecanismos de controle econômicos eficientes. Estes países tem uma economia mais dependente de outras nações, mesmo seus custos de produção sendo menores, a demanda fica restrita aos que possuem uma renda mais elevada, fator que afeta em cheio os preços produtos.

A maioria da produção destina-se ao mercado internacional. Isso ilustra muito bem o porquê das desigualdades sociais. Pois, produzimos riquezas a um custo baixo, da qual grande parte destina-se para outras nações. No entanto, a sobra desta produção é vendida no país por um preço bem mais elevado, justamente, por causa dos impostos e taxas que oneram a produção e a própria mercadoria. Portanto, a falta de incentivo do Estado para com a indústria desestimula a produção e faz com que o empresário busque outras formas de investir seu capital. 

Princípio da oferta e demanda em relação ao preço:

1- P(x) → O<D ou D>O -  tendência de alta dos preços.

2- P(x) → O>D ou D<O - tendência de baixa dos preços.

 

O preço então é uma relação que depende da oferta e demanda. Sendo que oferta e demanda são elementos básicos da economia, que tem influencia real nos mecanismos macroeconômicos, tais como: inflação, deflação e também nas trocas.

Portanto da oferta e demanda e a sua relação com a dinâmica dos preços nos leva a entender que o capitalismo em si não é um sistema natural, mas forjado pelas mão do homem. Trata-se de uma construção econômica pautada em variáveis que permite-nos quantificar as trocas comerciais através de um equivalente universal denominado dinheiro.

No livro princípios de economia política e tributação de David Ricardo, um dos fundadores da economia política juntamente com Adam Smith, faz importantes apontamentos sobre a questão da oferta e demanda. Ricardo (1996, p.293) afirma que a relação oferta e demanda em função dos preços é um efeito de duração temporária. Ainda sim o autor discorre sobre o assunto quando diz que a proporção entre oferta e demanda pode, efetivamente, afetar por algum tempo o valor de mercado de uma mercadoria, até que sua oferta aumente ou diminua, de acordo com o aumento ou diminuição da demanda (RICARDO, 1996, p.283). Observe que o Ricardo não fala em preço, mas sim em valor de mercado. Entende-se que nesse ponto Ricardo vá na direção oposta de Marx.

Para Ricardo a dependência exclusiva dos preços em função da oferta e da  demanda é um grande equivoco por parte da economia-política. Situação por ele corroborada ao falar que:

"Nem sempre a demanda de uma mercadoria aumenta se não for adquirida ou consumida em quantidade adicional, contudo, o seu valor em dinheiro pode aumentar. Caso, seu valor diminuísse, o preço de todas as mercadorias aumentaria, pois cada um dos concorrentes estaria disposto a gastar mais dinheiro na sua compra do que anteriormente. [...]  O preço natural, o seu custo de produção em termos monetários seria realmente modificado no valor do dinheiro, e sem que a demanda acusasse aumento algum, o preço da mercadoria se ajustasse naturalmente àquele valor".

Para David Ricardo o preço de uma mercadoria não está diretamente ligado a sua oferta e procura, mas sim o quanto se gasta para produzi-la. Suas observações são bastante válidas no momento em que os preços das matérias-primas, os gastos com salários, equipamentos, máquinas e outros insumos podem sofrer grandes reajustes. Porém, é valido dizer que a oferta e demanda determinam os preços a partir do momento que existe um mercado consumidor e a presença de um Estado regulador. 

Então, a oferta e demanda serve ao propósito capitalista de gerar consumo. A ideia desta parte do artigo, da qual buscamos ter uma noção mais clara sobre a oferta e demanda permitirá adentramos na ideia de que o capitalismo não nasceu da natureza, mas sim se apropriou dos recursos naturais e dividiu os homens em donos dos meios produção e proletariados. A parte II do artigo vamos discutir justamente sobre essa naturalidade  do capitalismo.  


segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Compreendendo a desigualdade social

 

Para que possamos entender a dinâmica da desigualdade na distribuição da renda no planeta, em primeiro lugar precisamos compreender a lógica do capital e suas estruturas. Fator que Marx denominou como " as leis de movimento do capital". Nestes estudos realizado por Marx ficou patente a questão da desigualdade de classes, Tendo de um lado uma minoria que detém os meios de produção, e de outro aqueles que vendem sua força de trabalho, justamente por não terem nas mãos o capital, a terra, as ferramentas e máquinas.Esse segundo denominado  de proletariado que trabalham em troca de uma salário, são explorados e alijados das riquezas produzidas. Enfim, como se dá este processo que Marx estudou, desdobrando em sua principal obra, O capital? Num primeiro momento devemos saber que o processo de produção envolve a troca da força de trabalho vendida a um "empresário" que possui as máquinas, a matéria-prima, as ferramentas e os galpões gerando mercadorias que circulam no mercado. O trabalhador recebe X horas para produzir, aquilo que ultrapassa as X horas (excedente) não é revertido ao trabalhador, portanto sendo o lucro, ou seja, vem daí o conceito de mais-valia ou mais valor. Então, só  existe valor naquilo em que há trabalho embutido, do contrário, sem não tem trabalho humano envolvido o valor deixa de existir. Essa era a visão de Marx, da qual faz sentido toda lógica capitalista. Mas agrega-se a essa relação a presença de um meio de troca universal, denominado dinheiro, que nos permite adquirir produtos no mercado. Para David Harvey, conforme descrito em seu livro  "A loucura da razão econômica" que o capital é uma parte total do dinheiro utilizado pelos donos dos meios de produção para adquirir força de trabalho, máquinas, matéria-prima, ferramentas e outros bens de capital. Dessa forma há mercadorias, bens que são colocadas no mercado para serem consumidas pela próprias classe trabalhadora que o produziu. Nesse ponto, o desejo pela mercadoria torna-se um fetichismo, em que o homem passa a ser consumido pela própria mercadoria, no que chamamos coisificação. Esse é o princípio de Marx a respeito do capitalismo, que leva a uma idealização das lutas de classes, por que a disparidade entre os donos dos meios de produção e trabalhadores geraram enormes desigualdades.Vou explicar melhor para que todos possam entender, ao passo que o assunto é um tanto complexo. Bem, toda desigualdade social.econômica é dada por um desequilíbrio não natural das forças do capital, ou seja, existe uma pequena parcela que fica com toda a riqueza gerada, neste caso, os donos do meios de produção. Por outro lado, temos aqueles que nada tem, a não ser um salário inferior às horas trabalhadas, sendo assim explorado. Claro, que essa parte do texto refere-se á um capitalismo industrial do século XIX e inicio do século XX, em que a produção era totalmente fabril. Tal afirmação está correta, para aqueles que certamente irão me criticar. Mas, o mundo pós-moderno, tecnológico, a qual impera a inteligência artificial, a nanotecnologia, a industria 4.0 totalmente robotizada. Não podemos negar essa revolução industrial da quarta geração. No entanto, o mundo pós-moderno, essa relação capitalista versus trabalhador (luta de classes) modificou-se, sendo que não temos mais uma grande quantidade das velhas indústrias do passado.Agora, impera novas tecnologias que exige cada vez menos a presença humana, fator que mostra um certo esvaziamento da relação de valor. Importante lembrar, só há valor se existe trabalho embutido, do contrário, só se tem preço. No entanto, a desigualdade em nada mudou, o gap entre ricos e pobres se dilatou, os ricos continuam abocanhando a maior parcela da riqueza produzida, enquanto os mais pobres continuam sem nada ou com muito pouco. Se pegarmos os estudos realizados pelo Thomas Piketty, no livro "O capital do século XXI, observaremos que a relação renda/capital  demonstra claramente que a distribuição da renda continua historicamente concentrada numa parcela ínfima da população, basta analisamos os dados econômicos, estatísticos e demográficos apresentados pelo autor, além de informações retiradas dos órgãos governamentais. Estes dados apresentam dados muitos interessantes em termos de distribuição de riqueza no mundo e países, sendo bastante confiáveis. Num âmbito mundial, os dados demonstram percentualmente como a riqueza se distribui entre aqueles 1% da população que domina quase 90% da riqueza, enquanto os 90% mais pobres ficam com pouco mais de 10%. Assim, podemos atribuir a falha num modelo neoliberal, que vem avançando pelo planeta de forma insidiosa, a qual os donos do capital impõem o fim do Estado de bem estar social e almejam a presença de um estado ausente para impetrar uma política selvagem de desregulamentação de normas e colocar fim aos impostos sobre a taxação do capital e dos meios de produção. Tudo isso como forma de aumentar os lucros da empresas. Esse é o discurso neoliberal, que não se importa verdadeiramente com os serviços públicos voltados para as populações mais carentes das políticas publicas sociais. O capitalismo não quer barreiras e para isso se faz mais presente nos governos, financiando políticos conservadores e de uma direita que se coloque a serviço do capital para obter maiores vantagens. Por isso, não se fala, nas casas legislativas e no poder executivo, de medidas a respeito da taxação de grandes fortunas ou mesmo sobre heranças, assim como uma reforma tributária onde os políticos ligados aos grandes capitais financeiros não mencionam o imposto progressivo sobre aqueles que tem as rendas mais altas. Talvez um caminho para debelarmos a desigualdade seria justamente colocar o dedo na ferida da  distribuição de renda e torná-la mais equânime, que perpassa  justamente por esses dois mecanismos econômicos e fiscais: primeiro, taxar as altas rendas e o capital, num segundo momento ampliar o imposto sobre as heranças. Mas pelo que vemos o governo não vai mexer com a elite, por que dela faz parte e é subserviente. Especificamente no Brasil, os atuais mecanismos políticos populistas de direita retiram dos mais pobres para repassar aos miseráveis, numa ação mentirosa para continuar o velho jogo político e enganar a todos durante as campanhas eleitorais.       

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Críticas a quem merece, deboche aos inimigos

O sentido da palavra progressista nunca significou baderna, nem desordem e sabemos disso. O progressista é aquele, que como verifica na bandeira, permite-se andar rumo ao desenvolvimento, a equidade e justiça social, ao desenvolvimento econômico produtivo. Não a isso que está aí, um neoliberalismo financeiro, que destrói a industrialização e a produção de bens em prol do mercado financeiro. Pois, o que este governo vem fazendo através do ministro da economia é elevar ao máximo o capital financeiro, onde se ganha apenas em cima de um dinheiro fictício que se multiplica infinitamente e enche os bolsos dos acionistas em detrimento do investimento produtivo e geração de empregos. Crítico não só esse governo medíocre e incapaz, mas também as esquerdas institucionalizadas, digo aqui PDT e PT que agora se fecham contra o apoio às manifestações de ruas que precisam ocorrer, por que o trabalhador não está em casa para o "lockdown", tem sair para trabalhar, por que não recebe o 600,00. Que na verdade esse governo queria pagar 200,00. No entanto, a oposição bateu o pé e brigou para que mantivesse os 600,00. Não me venha com essa de defender este governo, por que não devemos ser gado, seja de esquerda, de direita, ou de religião. Temos que pensar criticamente e não tapar os olhos e nem nos calar. Sim, tenho apreço pela esquerda, desde que sejam reflexivas e inteligentes, nem por isso defendo muitas das atitudes e erros cometidos. Assim faço minha crítica e autocrítica. Mas, esse governo que está aí, deve ser tratado como inimigo e merece o deboche, o escárnio pela incompetência, a falta de empatia e sensibilidade com os pobres que morrem na fila para pegar o 600,00, se é que pegam. Portanto, o que vemos desse governo são atitudes grotescas e machistas  contra negros, mulheres e gays. Seus representantes tem atitudes fascistas, basta ver as falas do presidente. Infelizmente, essa é a realidade. Muitos dos porta-vozes que apoiam o que está posto a mesa é um bando de ignorantes da classe média presente na mídia que desconhecem e não sabem interpretar filosoficamente as ideias de Marx, Foucault, Cioran, Sócrates e outros, a começar pelo guru terraplanista do governo. Poderia citar aqui uma centena destes energúmenos que fazem a cabeça do gado. Já chega destes elementos protofascistas que agridem as pessoas, que humilham servidores. Essas atitudes incitadas por esse governo irracional mostra que deveria ser extirpado a força do poder.  A questão não é ser de direita esquerda ou centro, mas sim fazer uma crítica contundente, feroz e veemente contra esse destrambelhamento a qual estamos vivendo. Não há governo, o que há é um bando.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Tem dinheiro sim, mas o governo nos engana

Estamos sendo enganados e roubados pelo governo, digo isso porque foi votado na câmara e no senado em plena pandemia a MP930/2020 e a PEC10/2020. Esses projetos são amplamente nocivos à sociedade brasileira e quem vai pagar por estas operações de risco será o cidadão. O que causa mais estranheza na aprovação desse projeto é a participação dos partidos de esquerda como PT e PDT, que criaram um mecanismo, a qual parte do senado não aprovou, mas a câmara acabou passando a lei e vice-versa. Isso demonstra que os interesses das grandes empresas e bancos estão acima do poder político. Enfim, esses projetos beneficiam os bancos e grandes empresas. Sendo que o governo, através do Banco Central poderá comprar títulos podres diretamente em balcão. Essas operações estarão isenta de investigação, colocando os diretores e funcionários do BC imunes, ou seja,  acima da lei. Tais títulos podres tratam-se de papéis sem lastro de empresas falidas, que jamais serão ressarcidos. Os títulos podres, por exemplo, podem ser: debêntures emitidas por empresas privadas para financiar projetos de expansão, compra de máquinas e outros; assim oferecem juros aos investidores. No entanto, com a quebra da empresa esses papeis se tornam quase sem valor. Muitas vezes, os bancos ficam com esses títulos, que já são descontados de seu caixa e lucro. O governo ao adquirir esses papéis inúteis beneficiam apenas os bancos e não ganham nada em troca, quem paga por isso é população. Veja bem, temos mais de 4 trilhões de reais disponíveis para poder atender a situação de pandemia em que se encontra o país. Porém, criou-se uma mentira de que esse dinheiro não poder ser gasto. Pois, destina-se ao pagamento da dívida. Agora, qual dívida? Aquela que foi criada por entes privados e dada de presente ao Estado, onde quem paga somos nós. Isso tudo gera uma enorme escassez de riqueza somente para o povo, ao passo que os bancos e grandes corporações dominam praticamente toda a riqueza produzida. Para ser mais exatos os 4 trilhões em caixa estão divididos em 1,4 trilhões na conta do Tesouro Nacional, 1,7 trilhões em reservas internacionais e 1 trilhão no caixa do Banco Central. Isso é dinheiro parado na conta do Estado, que deveriam ser repassados para salvar as pequenas e médias empresas e também para servir de auxilio aos desempregados neste momento de pandemia. Agora, esse montante vai parar nas mãos dos bancos e como desculpa do governo é o dinheiro de pagamento da dívida pública.  Enquanto, isso o trabalhador está na rua e sujeito a morrer pelo vírus. Tudo isso por que não quer se pagar míseros 600,00 aos trabalhadores. Tem dinheiro sim, temos que nos informar e lutar contra esse governo que nos engana. Vamos seguir o exemplo da Argentina suspendendo o pagamento de parte da dívida. O modelo de financeirização que o Brasil quer fazer é extremamente nocivo para economia. Será que fomos escolhidos para adquirir esses papéis podres que datam da crise de 2008. Quanto aos partidos de esquerda, tanto no senado, ou na câmara devem uma explicação a sociedade por ter votado a favor nesse crime contra o nação.


quinta-feira, 28 de maio de 2020

Do capitalismo produtivo ao anarcocapitalismo: onde vamos chegar!

O mundo realmente não sabe para onde caminha, talvez em direção a abismo profundo e bastante escuro. A economia já não é tão previsível e se apresenta moribunda. O que vamos assistir daqui para frente é o caos. Não apenas pela atual condição atual de pandemia (COVID-19), e sim por uma estrutura que vem se desenhado ao longo do início do século XXI. O primeiro flash dessa derrocada dos pilares da social-democracia e os governos de esquerda começa na Europa com avanço das ideias conservadoras da direita e da extremas direita. As palavras de ordem são a desconstrução do aparato estatal, a não intervenção do estado e o amplo livre mercado. Isso é, que o capitalismo não gosta do Estado, pois se cobra imposto demais, se regula em demasia e o excesso de leis trabalhistas impedem os empresários crescer. Os donos dos meios de produção querem ampla liberdade para produzir e maximizar seus lucros. Enquanto, do outro lado temos o empregado que vende sua força de trabalho, que produz e movimenta o mercado consumidor. Mesmo, com um salário miserável, vai ao supermercado, a feira, paga impostos e contas. Esse é o capitalismo produtivo com base em mercadorias tangíveis, que permite a troca de bens por dinheiro. A mais-valia aqui é notória, pois aquilo que o trabalhador produz a mais e não recebe pelo excedente se traduz no lucro do empresário. Basta ler o capital de Marx para compreender essa dinâmica econômica. Por isso, Marx propôs ao ditadura do proletariado, onde os trabalhadores pudessem impor suas exigências. Enfim, quem faz mercadorias são os trabalhadores. Eles estão no chão das fábricas. Essa, mesma lógica ganha força na segunda metade do século XX, com avanço tecnológico e o desenvolvimento da computação. Os trabalhadores não estão mais nas atingas fábricas e nem apertam mais parafuso, caminham rumo à tecnologia sofisticada, que necessita de maior grau de compreensão, informação e estudo. Este trabalhador intelectual se insere na economia do conhecimento, geralmente tem formação superior e capacidade para lidar com ferramentas e máquinas computacionais que requer forte poder de processamento. Agora, temos a mais-valia do conhecimento, em que esses trabalhadores são fatigados na produção de ideias e explorados em sua criatividade. A produtividade exigida pelas empresas está naquele que resolve problemas, toma decisões sob pressão, tem de apresentar solução rápidas. Como Estado não atua mais diretamente nas políticas sociais e de proteção aos direitos, esses trabalhadores não tem qualquer respaldo e sujeitados a um regime de trabalho degradante. Os efeitos estão no aparecimento de doenças que afetam a saúde física e mental. Mas, o capitalismo atualmente  não quer mais produzir e muito menos empregar pessoas, viu no mercado financeiro uma nova forma de ter lucro alto sem gastos. As taxas de juros são muito mais atraentes, e se se coloca um capital que dá retorno a uma taxa de juros de 6,5% a 8% ao ano, por que produzir. Os governos de direita acabam incentivando essas práticas, sendo que estão à serviço do capital. Esses governos não querem um estado forte e presente, preferem salvar bancos à criar políticas sociais, ou combater a corrupção, porque são corruptos. O capitalismo financeiro não gera renda, não produz bens e serviços, apenas buscam o lucro por meio da especulação financeira. Não há consumo, nem renda, o que há é o dinheiro comprando ou vendendo mais dinheiro. Um demonstração clara de que o poder não emana do povo e o Estado  não passa de um castelo de cartas, que pode ruir a qualquer momento. quem domina é capital especulativo, que ao sair de uma nação pode levá-la a uma crise sem precedentes. A conta vai parar nas mãos do povo. Agora, em termos de Brasil fica patente essa guinada da extrema direita ao poder, trata-se de um projeto político mundial orquestrado por grandes corporações dominantes, representantes do conservadorismo e de algumas facções religiosas e da mídia marrom a serviço da destruição das instituições  republicanas , que utilizam da democracia e precisam dela para operar seus planos. A ideia é não governar, mas criar o caos, implantar o anarcocapitalismo. Um Capitalismo medíocre que não se baseia na produção de bens e serviços e sim numa anomia social pautada no milicianismo, na ingerência da administração pública, no fim da cidadania e da leis. Vamos viver momentos profundos não só de uma crise gerada pela pandemia, teremos também uma crise econômica, política, social e principalmente existencial. Não á direção, enquanto esse governo virulento estiver no poder. 

sábado, 10 de junho de 2017

Trabalho, socialismo e pertencimento: mudanças em curso

É preciso acreditar que somos capazes de realizar coisas inimagináveis, enfim a nossa humanidade permite criarmos, inovarmos e aprendermos ao longo de nossa existência. No entanto, as limitações impostas pela sociedade, família, igreja e trabalho impedem o nosso crescimento pessoal.
Então, por que algumas pessoas atingem o sucesso, tornam-se grandes empreendedores, destacando-se na sociedade. Talvez, a resposta esteja no modo de pensar e agir. A grande maioria das pessoas se realiza dentro de uma caixa, um quadrado limitado e fechado, desconhecendo os horizontes que estão além daquele mundo cúbico. No entanto, uma pequena parcela da população consegue romper as paredes da caixa e ver que há uma imensidão a ser desbravada, pois é nesta vastidão de formas geométricas que impera a oportunidade, a criatividade e a habilidade para se chegar ao sucesso.
Mas o mundo nos engana, essa ideia de vencer e alcançar sucesso, poder e riqueza são uma ilusão criada pelo mundo capitalista. Apenas os poucos que dominam os meios de produção detêm o poder, que aliada aos meios de comunicação que nos iludem com suas propagandas e notícias, fazendo com que tornemos meros consumidores de produtos, seres passivos e alienados.
A mídia capitalista cria humanos dotados de uma cegueira intelectual, homens incapazes de enxergar sua própria condição, assim, tornamo-nos alvos da inescrupulosa indústria do entretenimento, que nos faz engolir diariamente produtos, serviços e pensamentos nebulosos, desnecessário e nocivo à nossa saúde física e mental.
O mundo nos obriga a encaixarmos em padrões mentais, estéticos e sociais, que muitas vezes vão contra nossa própria vontade e desejo. Tal fato é observado nas leis, nas regras e condutas. Ou mesmo, nas opiniões e críticas vindas de outras pessoas. O fato de não seguir os padrões impostos pela sociedade, estamos fadados ao ridículo, ao bizarro; somos vistos como um ser estranho. Isto, chamamos de não pertencimento, ao passo que não nos enquadramos em nenhum lugar ou tempo. Para que sejamos aceito por uma sociedade precisamos absorver sua cultura, suas crenças, seus costumes e ritos, aprender a interpretar seus signos e códigos linguísticos. Daí nasce o princípio do pertencimento (do fazer parte de). Eu só faço parte, se houver o aceite, a submissão, o estar sujeito às regras impostas por determinada comunidade, algo comum a muitas tribos indígenas da América do sul e africanas.
O princípio marxista eclodiu pelo mundo, pregando a necessidade do homem criar uma sociedade mais igualitária e justa, que se contrapõe a exploração capitalista, cujo trabalhador é uma mera peça do sistema. O trabalho alienante, exaustivo se junta aos baixos salários e as péssimas condições de vida. Nas cidades fabris, o homem não passa de mão de obra barata, trabalhando cerca de dezesseis horas por dia, tudo isso para enriquecer os donos dos meios de produção.
Estes pobres seres humanos de certa forma, não deixam de pertencer, pois o conceito de pertencimento lhes cabe a partir do momento em que se organizam para reivindicar, dentro da proposta marxista, direitos que assegurem melhores condições de vida. A organização dos trabalhadores e suas lutas deram origem aos primeiros sindicatos e associações, passando assim a conquistar diversos direitos trabalhistas.


Os sindicatos e associações passam a agregar novas lideranças, capazes de articular contra a dominação patronal e negociar benefícios para as diversas categorias profissionais. Na totalidade desses sindicatos e associações a presença das ideologias socialistas e anarquistas é amplamente visível, muitas dessas lutas envolveram greves, paralisação de máquinas, combate entre trabalhadores e policiais. A elite juntamente com as autoridades políticas tentavam minar qualquer tipo de atitude “revoltosa” por parte dos trabalhadores. No entanto, os movimentos sindicais e as greves só cresciam. O trabalhador sindicalizado se sentia respaldado, por que não estava mais sozinho em sua luta. O pertencimento trazia segurança e conforto e dessa forma agregava força para a causa. 

sábado, 27 de maio de 2017

Engenharia Social: presença na política brasileira

Engenharia social não se trata de nenhum ramo da engenharia, suas técnicas tem como foco a extração e uso de informações pessoais ou empresariais utilizadas por hackers ou crackers no intuito de gerar prejuízo e danos. Geralmente, essas técnicas ocorrem por meio da rede mundial de computadores, a internet, a qual as informações são "pescadas" em mensagens falsas enviadas aos usuários, vírus, phishing e outros diversos meios para roubos de informação alheia. 
No entanto a técnica de engenharia social não se restringe somente ao mundo da tecnologia da informação, podendo ser denominada como qualquer tipo de ação que visa a busca de informação por meios ilícitos, causando o mal a outrem. 
No Brasil a engenharia social tornou-se generalizada, como não bastassem somente os hackers e crackers, o meio político também aderiu a essa modalidade criminosa, envolvendo os poderes executivo, legislativo juntamente com parte do empresariado, através de técnicas sofisticadas. O modo mais engenhoso desta técnica se faz por meio do discurso manipulador, que fabrica informações deturpadas e falsas. 
A grande maioria desses discursos são recheados de textos inflamados e dotados de sentimentos, assim veiculados por uma mídia inescrupulosa e aliadas do meio político e financiadas por grandes empresas, tornando as notícias em verdade absoluta. 
A classe política se apropria desses discursos para esconderem suas ações corruptas que lesam toda sociedade. Pois, todo ato de engenharia social visa enganar e pilhar as pessoas independentes do meio em que se propaga, tanto pode ser a internet, como a TV, jornal ou telefone, a finalidade é obter informação e dessa forma utilizá-la contra o usuário. 
Na mídia de uma forma geral, o meio político encontrou uma maneira de agir ilegalmente, com seus discursos que encobrem os seus esquemas fraudulentos contra os cofres públicos, assim tirando recursos destinados aos serviços sociais, tais como: saúde,  educação, assistência social, além de outros necessários à manutenção da cidadania. 
Não pense que a engenharia social está apenas no imaginário tecnológico e virtual, ou é algo presente nos filmes de ficção. Pois no meio político é uma ação antiga daqueles que desejam usufruir o bem público e criar uma máquina pública para perpetuar-se no poder, prejudicando milhões de indivíduos, usando técnicas sofisticadas de códigos, codinomes estranhos, operações bancárias, conversas truncadas via telefone para cometerem lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, fraude em licitações, além de outros crimes lesa-pátria. Depois utilizam a mídia comprada com seus discursos para dominar, iludir, enganar aqueles que se deixam acreditar por belas palavras.  
Infelizmente, a engenharia social já se tornou uma prática comum em vários países do mundo, que destrói o estado democrático de direito, invadindo a privacidade, a liberdade das pessoas e geram imensos prejuízos às empresas sérias e comprometidas com o desenvolvimento da sociedade. Mas foi no Brasil que as técnicas de engenharia social implantada, tornaram-se tão evidente, tamanha proporção dos fatos de corrupção e descaramento evidenciados nos discursos mentirosos de nossos representantes, Tal fato, permite-nos dizer que a engenharia social no Brasil é coletiva, um caso de vergonha nacional, que nem a Polícia Federal, Ministério Público, o STF tem mais como conter, simplesmente se institucionalizou. É de dar inveja a qualquer hacker.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A história como vetor de construção da cultura e identidade dos povos

Um povo sem história é um povo sem identidade. Se não há história não existe futuro

A cultura é a construção da identidade de qualquer povo, através da cultura o homem cria e recria seus valores, crenças, mitos, ideologias, saberes e fazeres, dessa forma desenvolve sua história. A cultura permite o ser humano estabelecer sua identidade e trilhar o caminho do pertencimento. Toda produção de conhecimento é fruto de relações culturais que emanam das experiências, habilidades e das trocas de informação entre os homens.
A presença dos aspectos sociológicos e antropológicos da existência humana possibilita  entendermos as diversas culturas espalhadas pelo planeta e como cada povo construiu sua identidade, no entanto a dominação de uma cultura sobre a outra provocou ao longo dos séculos o desaparecimento de crenças, valores, religiões e aspectos culturais em favor de uma ideologia dita superior.
Tal dominação cultural veio juntamente com a dominação econômica, social, política e religiosa que até hoje reflete nos povos explorados, tais como os negros e índios, escravizados pelo dito ser superior europeu. Portanto conhecer a história é recriar a cultura e evitar que o erro passado seja novamente cometido.
A oralidade e a escrita são elementos fundamentais para construção da história, pois, torna possível aos seres humanos narrar suas tradições e representá-las no mundo. A tradição oral, passada de geração a geração foi à forma encontrada pelos povos oprimidos de perpetuar seus saberes e fazeres, além de ser um instrumento de luta e resistência contra opressão dos dominantes. A oralidade com seu caráter tácito e informal permitiu ao homem aprender sobre como dominar o ar, a terra, o fogo e o ar, elementos naturais que constituem a vida e assim precisam estar em harmonia com todos os outros seres.
Por outro lado, a escrita encontra-se no seio dos povos dominantes. O ato de escrever e ler são visto como a essência daqueles que são capazes de explorar, por deterem o poder da informação e do conhecimento. Logicamente, tal visão da escrita perpassa a ideia do dominador, por não reconhecer a oralidade como traço cultural e legitimo de outros povos, assim como a religião, os modos e os costumes.
Pois uma tribo africana que não tem internalizada a capacidade da escrita, aos olhos do dominador é subjugado como seres inferiores, o mesmo ocorre nas nações indígenas americanas, então, incapazes de construir sua cultura, por isso merecem ser subservientes aos desejos do colonizador, executando trabalhos penosos e sofrendo castigos horrendos.
Tal visão retrógrada e imperialista dos superiores povos europeu levaram ao genocídio cultural, que infelizmente abriu caminho para todos os tipos de preconceitos e as mais variadas formas de violência contra os povos africanos e latinos, que perduram até o momento, trata-se de uma ferida aberta, que jamais cicatrizará.
Resta-nos a história como um meio para resgatar a identidade perdida, usando a escrita vinda da cultura dos dominantes para documentar e autenticar as atrocidades cometidas no passado, fazendo-se assim lembrar que os erros não devem ser apagados.        

sábado, 10 de dezembro de 2016

Digitalização de prontuários médicos no SUS: medida desnecessária no momento

      

Segundo determinação do Ministério da Saúde (MS), até o dia 10 de dezembro de 2016 todos os prontuários médicos dos pacientes deveriam ser digitalizados nos postos e unidades de saúde de todo país, logicamente que tal medida do MS não será cumprida na sua totalidade, por razões de dificuldades financeiras, tecnológicas e de recursos humanos, exigindo treinamento dos funcionários, implantações de redes e equipamentos, tais como Scanners, softwares.  A digitalização dos prontuários certamente irá trazer grandes vantagens ao sistema de saúde, beneficiando milhões de usuários do serviço, como rapidez e eficiência no atendimento, permitir conhecer melhor o histórico do paciente e assim administrar o tratamento adequado, acesso seguro às informações por diferentes profissionais da saúde, além de diminuir o custo com a impressão e duplicação de documentos em papel, gerando enorme economia nos gastos públicos. A tecnologia da digitalização dos prontuários médicos fará a integração de informações entre o governo federal, estadual e municipal e dessa forma distribuir de forma mais equânime os repasses de verbas. No entanto, a conclusão deste projeto vai ser longo que exigirá esforços de todos profissionais de saúde e tecnologia envolvidos, além do apoio direto do Ministério da Saúde, não só com equipamentos e sistemas, mas também capacitação e treinamento das pessoas. A realidade dos postos e unidades de saúde em nosso país parece ser desconhecida pelo governo, por estar muito aquém do ideal, não possuindo mínimo para atender o cidadão. A ideia da digitalização do serviço de saúde de fato é uma iniciativa bastante positiva e extrema relevância que beneficiará o atendimento ao usuário do serviço de saúde e vai agilizar as atividades e tarefas dos profissionais.  Mas a grande questão é que antes deveria se pensar na situação real dos postos e unidades de saúde do país. A maioria deles está numa situação de extrema penúria, se quer tem médicos em quantidade suficiente, muitos estão com sua estrutura física danificada, não possuindo iluminação adequada, vazamentos no teto, alguns não possuem medicamentos básicos para o cidadão e outros não têm material de limpeza e de higiene. Fatores como estes é que deveriam ser prioritários e serem sanados com urgência. A tecnologia por si só não resolverá os problemas já citados. Então, o investimento do governo para a modernização na saúde acaba sendo inútil, um gasto que poderia ser utilizado em outras frentes mais necessárias, servindo de forma efetiva o usuário do sistema de saúde. Portanto, exigir prazo para implantação do serviço de digitalização de prontuários médicos, quando não se tem uma mínima estrutura é um grande contrassenso, ou melhor, para ser mais crítico, torna-se pura demagogia. Precisamos oferecer ao cidadão serviços públicos mais concretos e tangíveis, que atendam a sua real necessidade. Não estamos aqui contra a digitalização do serviço de saúde, sabemos  que trata-se de uma tendência natural e evolutiva, que deve sim ocorrer, devido a sua enorme vantagem agilizando os processos nos serviços de saúde com um todo. Porém, é preciso avaliar as condições reais para sua implementação, pelo fato da digitalização ser um processo complexo que demanda conhecimento técnico, experiência em certas atividades e tarefas, planejamento estratégico e operacional, suporte tecnológico e estrutural, além de desenvolvimento de sistemas de informação, redes estáveis para comunicação constante e equipamentos. Enfim, caberia ao Ministério de Saúde, antes de impor tal medida em tão curto prazo, reavaliar suas atitudes e compreender a verdadeira situação de caos da qual a saúde brasileira se encontra, basta vermos as filas quilométricas nas unidades e postos de saúde para marcar um exame, quando conseguimos fazer, leva-se seis meses ou até mais. A tecnologia de digitalização dos prontuários por mais benéfica que seja,  nesse caso não poderia ser a primeira solução, sendo que existem problemas muitos mais grave a serem resolvidos.          

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Os Perigos da Desregulamentação Econômica

Neste novo milênio assistimos a enormes mudanças em relação a economia, não vivemos mais dentro de uma ilha isolada, cuja produção e consumo estava restrito localmente. O mundo tornou-se global, assim como os mercados, que diretamente são impactados. talvez, uma da maiores discussões neste planeta globalizado seja a questão da desregulamentação da economia. Este assunto um tanto controverso apresenta distintas opiniões e interesses em diversas nações. As experiências em relação a desregulamentação a princípio pode ser um tanto perniciosa e trazer graves consequências econômicas e sociais.
Pois, trata-se de um mecanismo que privilegia grandes empresas em detrimento ao papel estado. A isenção do estado de sua função social, econômica e até mesmo política em certo sentido no gerenciamento de regras, normas e leis, colocando-as na mão de grandes corporações cria enormes danos à sociedade. A falta de intervenção por parte do estado, permite que empresas atuem com as piores práticas e muitas vezes sem serem punidas de maneira severa.
O caso mais emblemático que se beneficiou da desregulamentação foi a empresa Eron, uma gigante da setor de energia dos EUA, que faliu no inicio do século XXI devido a falhas e fraudes financeiras, erros de gestão, falsas informações ao mercado. A Eron era vista de como um corporação sólida, pois, investir em suas ações eram ganhos líquidos e certos, mas na verdade a empresa apresentava grandes problemas como: balanços e demonstrativos contábeis mascarados que não reportavam os  reais prejuízos.  A Eron aproveitou-se da falta de regulação do setor energético e de concorrência no estado da Califórnia para cometer abusos econômicos, alvitrando os preços das tarifas em mais de 300%.  A falência da Eron foi um choque para todos que dela dependiam, provocou as mais diversas reações, suicídio de executivos, empobrecimento, desemprego e muitos investidores viram suas aposentadorias e pensões se diluírem. Isto mostra claramente que a ausência do estado e a quebra de leis podem ser danosas a sociedade como um todo. Portanto  o governo deve exigir contrapartidas financeiras (multas, ajustes de conduta) e legais (punição de executivos e responsáveis) no intuito de proteger os interesses da sociedade.  
Na visão da  esquerda renovada, o governo é a base de regulamentação dos serviços prestados  pelas empresas, pois regular é evitar que os excessos capitalistas possam fraudar o mercado e abusar economicamente da sociedade.  As agências reguladoras tem um papel preponderante na economia, cujo princípio é debelar os abusos de preços dos serviços e produtos, exigir das empresas atuantes políticas claras de proteção ao consumidor, funcionários e investidores, transparência na gestão, em que os balanços patrimoniais e contábeis sejam abertos a todos. As agencias reguladoras devem representar os interesses da sociedade, punido de forma exemplar os absurdos comerciais, regular as tarifas  e cobrar serviços de qualidade.  Pois, casos como estes da Eron mostram que os excessos nos preços foram tolerados pelo governo devido a falta de controle e leis que punissem exemplarmente a empresa, responsabilizando seus executivos por agirem sem qualquer ética no mercado.
Enfim, aqueles que defendem a desregulamentação, geralmente são dotados de uma ética duvidosa, intitulam-se os donos do poder e furtam-se da responsabilidade com os trabalhadores, pequenos acionistas, consumidores e agentes governamentais. De uma certa forma podemos aqui entender que desregular a economia é fortalecer o capitalismo em sua essência mais selvagem e brutal, assim passando por cima dos direitos trabalhistas, provocar perdas no investimento dos fundos de pensão e aposentadorias, além do desmonte da legislação fiscal-tributária. A desregulamentação abre um enorme precedente para a especulação financeira, colocando em detrimento os investimentos de milhões de pessoas, que esperam um retorno real e justo.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Esquerda renovada: uma mudança de paradigma

A criação da esquerda renovada vem contrapor o status quo vigente, por não mais caber a ideologia partidária, como uma proposta arcaica e ineficaz aos anseios da sociedade atual.  O partidarismo como mecanismo político tornou-se obsoleto e segredado a realidade da nova configuração ocorrida no mundo, ao passo que não consegue mais arrebanhar todas as vertentes e correntes de pensamentos.  A pretensão maior da esquerda renovada é justamente não ser de forma alguma um palanque partidário,  uma sigla ou símbolo formatado em estatutos, ideologias, regras  ou mesmo transformar-se em agremiação. O objetivo da esquerda renovada pauta-se na manifestação contrária ao atual modelo político, da qual poucos se beneficiam do poder.  
A  verdadeira insatisfação da sociedade em relação a política de um modo geral pôde ser observado nas urnas desta última eleições, frente ao enorme número de abstenções, votos nulos e brancos, tal fato mostra a descrença e desânimo com modelo político em voga. Essa demonstração um tanto nociva gerou um quadro de anomalia política, trazendo à tona  certas bizarrices como a extrema direita numa posição conservadora e com seus discursos preconceituosos. Isso representa um certo retrocesso político, que danificam os institutos democráticos conquistados ao longo história. Basta vermos os perigos que o conservadorismo ultradireitista podem fazer ao tomarem o poder, tais como: a perda de grandes projetos que visam a diminuição das desigualdades sociais, leis e direitos voltados às minorias, o fim da divisão da riqueza produzida pelo país.
No entanto o autoritarismo das antigas frentes comunistas, como o Stalinismo na antiga URSS, o comunismo chinês não pode ser aceito como a essência do socialismo colocado por Marx, por que recaem na grotesco e selvagem autoritarismo. Pois, Marx foi muito mal interpretado ou mesmo mal utilizado ao pregar-se as ideias socialistas, sua proposta em linhas gerais era a luta pela igualdade na distribuição da riqueza  e o fim da exploração dos trabalhadores pelo rolo compressor do capitalismo agressivo, da qual a direita conservadora era responsável. A esquerda renovada pretende regastar o marxismo dentro de suas ideias democráticas e não essa visão fantasiada, em que o socialismo é vista como uma ditadura do proletariado ou uma burocracia ineficaz imposta pelo estado como colocam alguns defensores do conservadorismo.
O estado deve sim existir  e ser presente, justamente para manter a ordem das coisas, intervir nos abusos do capital e de seus detentores, auxiliar nas políticas públicas e atender as necessidades dos despossuídos e oprimidos  pelo poder econômico. Na própria teoria econômica de Keynes (economista inglês) seus tratados já demonstravam que o estado tem a função de regular a emissão de moeda, estabelecer  normas para o mercado de maneira a impedir os desastres econômicos, como foi crise econômica de 1929 e tantas outras, ou seja, Keynes defendia a interferência da economia na política. Diante dessa visão a esquerda renovada tenta construir suas ponderações e incutir suas opiniões, entretanto, sem a criação de ideologias partidárias, nem mesmo estatutos, pois este é a amalgama para o antigo, ultrapassado, que deve ser aniquilado.
As manifestações são o nosso palco, sem bandeiras e apoio partidário, nascemos da comoção popular, da indignação com as ideologias opressoras. Sabemos que a atual política não dá mais conta dos nossos desejos. No seu cerne o que se vê é apenas corrupção, desgaste, interesses particulares, desmantelamento com a coisa pública. Na chamada casa do povo, lugar onde estão nossos representantes tudo está contaminado pelos vermes corruptivos, fazem o jogo  conforme seus interesses próprios. A máxima dos partidos políticos é adentrar essas casas  e no seu interior estabelecer regras que contrariam a vontade da maioria. A esquerda  renovada não pretensão de estar ou mesmo fazer o jogo sujo do poder. O objetivo da esquerda renovada é lutar e apoiar através de novas armas o fortalecimento da democracia em todas as suas esferas, manifestar de forma inteligível contra aqueles que abusam do poder em benefício próprio.  A liberdade se faz de maneira responsável, enfim somos todos responsáveis pelos nossos atos e a nossa omissão custa caro. O fato de abstermos politicamente leva ao poder nossos inimigos, isso é visível na atual conjuntura política, quando assistimos a derrocada da democracia. Precisamos ser transgressores no sentido de impedir e relutar  e jamais aceitar que o arcaico e parasitário poder renasça para escravizarmos.
Afinal, estamos vivendo o ápice tecnológico, em que a internet e suas ferramentas: blogs, redes sociais, como um meio sincrônico substitui os meios frios de comunicação como a TV, Rádio que não permite a interação ao vivo e instantânea. Então, a internet juntamente de seus instrumentos deve ser um espaço de luta, manifestações e reunião da esquerda renovada. As redes sociais é lugar da conversação, do debate, das ideias produtivas, onde podemos discutir aquilo que desejamos em termos políticos, sociais e econômicos. Pois o Estado  é a soma da sociedade, a força produtiva, que englobam as necessidades popular e não as vontades daqueles que usurpam o bem público. Novamente, a tecnologia vem como aliada dos sem voz, dos oprimidos, dos despossuídos, através dos blogs e redes sociais podem exprimir seu grito de liberdade e clamar por mudanças, ou mesmo opor-se ao sistema e talvez transgredir, assim agir e manifestar-se democraticamente contra o atual estado das coisas.
A burocracia e a tecnocracia deveriam ser estados de exceções, que outrora dominaram o mundo, no entanto a história nos ensinou que regimes abomináveis e distópicos como estes jamais deveriam vir à tona novamente, são inaceitáveis. Esses regimes formam-se da alienação  humana, em momentos de fragilidade democrática, por exemplo: o Stalinismo se fez de uma anomalia do socialismo marxista, dá má interpretação de seus escritos e da própria aceitação cega da sociedade num momento de caos histórico. entretanto, a tecnocracia nasce do poder da direita conservadora, dos instrumentos impostos pelo capitalismo, juntamente com o estado autoritário que utiliza os meios de comunicação e propaganda para vender um sistema econômico que pode ser a solução do mundo naquele momento de fragilidade. 
Não podemos cair  nesse ideário tecnocrático, que se resume no aparelhamento do estado, justamente para manipular a sociedade como um todo. A tecnocracia nos levaram a patamares históricos deploráveis com infinitos massacres genocidas, destruição cultural, extrema desigualdades sociais, o verdadeiro caos planetário. Muito bem, qualquer fundamentalismo seja de direita ou de esquerda torna-se nocivo a sociedade, assim  como a ideia de partidarismo que gera cisão e fragmentação política, originando a descontinuidade de projetos futuros.
Nem mesmo,  o modelo anárquico com seu conceito de ausência de poder e contrariedade aos regimes políticos faz frente as propostas da esquerda renovada, por que ainda sim é dotada  de ideologias, são estas que impedem o florescimento de uma sociedade organizada para contrapor-se a tudo que está estabelecido. Talvez a anarquia possa aproximar-se da esquerda renovada no sentido não ideológico, mas da ação conjunta presente nos sindicatos, agremiações e associações de trabalhadores.  A esquerda renovada não acredita nas instituições enquanto sua forma física e sim no agir da sociedade, pois toda ação também gera reações, segundo as leis da física. As reações, um ato de proteção dos reacionários, que não querem permitir o desenvolvimento das políticas progressistas, libertárias, anárquica e de cunho esquerdistas ajam naturalmente sobre o mundo por medo de perderem o controle  e o poder sobre as massas, continuar manipulando-as. Enquanto isso, os reacionários dominam qualquer tentativa de ação libertadora, sufocando-as com  mordaça da opressão. colocam aqueles que pensam e agem em prol da cidadania, da igualdade e da liberdade numa situação de clandestinidade e subversão por exercerem sua intelectualidade a favor da democracia.
De qualquer forma, sabemos que o modelo de democracia representativa não é o ideal, apresenta grandes falhas, sujeitas a desigualdades sociais, políticas e econômicas. A representatividade nem sempre é a escolha da maioria, muitas vezes manipulável pela corrupção e fortemente dotada pela ideologia partidária, exigindo estatutos e regra incompreensíveis aos olhos da grande parcela da sociedade. A complexidade desestimula a participação, em consequência temos a insatisfação com o modelo democrático aí posto. Faz-se mister que as fronteiras da revolução sejam quebradas  como condição sine qua non para a libertação do homem. Rebelemo-nos para destituir o paradigma político vigente, que encontra-se decadente e prejudicial aos interesses da população trabalhadora.       
Nossas armas serão os discursos, as manifestações, as ideias que devem ecoar do nosso espírito livre e combativo, não queremos mais um poder humilhante, com sua face repressiva e ameaçadora, pois o tempo do medo já passou e nos resta fazer a revolução com mudanças reais. Assim a esquerda renovada entrará na verdadeira roda da história para desmascarar toda iniquidade imposta pelo poder tirânico do sistema econômico que visa apenas o lucro e massacra o trabalhador.
O filosofo que de tudo ri, ao contrario daquele que ainda pode chorar, por não ter nada e saber o que apenas sobrou foi a miséria humana. Sim, somos seres miseráveis, dotados de uma profunda angustia, melancólicos, incapazes de reagir aos intensos medos. Não temos mais lágrimas de tanto pranto, que só nos resta o riso escarnoso da desgraça humana. Na verdade, não somos dotados de uma carapaça grossa, que nos protege contras as lanças e espadas do mundo, a todo momento recebemos o ataque dos inimigos e simplesmente não reagimos, então sucumbimos à primeira ferida.
Deixamos a história nos consumir, por ela passamos e nada aprendemos. Mas, se quisermos mudar a nossa condição de vítima, coadjuvantes para quiça protagonistas atuantes temos que ir ao front de batalha e desse modo lutar com as armas certas. A esquerda renovada tem o intuito de desconstruir a miséria humana, transformar o riso do escárnio e da melancolia em esperança. Parece-nos presunção ou até uma utopia vinda do mais retórico discurso, no entanto, se temos a capacidade de rir de nós mesmos, refletir sobre nossa miserabilidade e nossas ações enquanto ser no mundo, os próprios caminhos que construirmos fornecem a direção a seguir. Direção esta, que visa romper os laços traçados pelas ideias conservadoras, preconceituosas e reacionárias.
A real compreensão da miséria humana nos permite desatar os nós feitos pelas tradições das políticas antidemocráticas e autoritaristas que tanto barbarizam o homem trabalhador.  portanto a história deve ser entendida não como um fim em si mesma, mas a oportunidade de não replicarmos os erros passados. Tal experiência já vivenciada pelas mais diversas anomalias políticas, que dizimaram todas as tentativas de mudanças.
A esquerda renovada passa por uma estrada pavimentada e sólida, pois é quase uma experiência espiritual, dotada de fé, não no sentido da religião e sim no âmbito da crença de valores éticos e morais, ou seja, acreditar na capacidade de mudar o mundo política, social e economicamente.
O conhecimento talvez seja a única forma de chegarmos a plena liberdade. Por meio do conhecimento criamos toda estrutura cultural com suas crenças, valores, mitos, regras, normas e ritos.  No entanto, o conhecimento na mãos de poucos torna-se artefato de dominação e exploração. É um poder exacerbado, que cria senhores e escravos. O capitalismo é fruto desse conhecimento, em que poucos detém os meios de produção e quase escraviza o resto do mundo. A esquerda renovada vem justamente reivindicar o acesso ao conhecimento de maneira ampla, atingindo a todos aqueles que não tem voz. A ampla disseminação do conhecimento é a via natural para que todos nós possamos construir uma base sólida em relação aos nossos desejos, expectativas e anseios.     

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Uma pequena nota sobre o livro "Aplausos para Cecília" (Sônia Mara)

É muito comum nós seres humanos julgarmos os outros sem conhecermos seu passado. Não procuramos ir a fundo para saber a história das pessoas  e com isso deixamos de aprender com elas a mais sublime essência da vida. Pois, as melhores histórias são aquelas dotadas de simplicidade e sabedoria que provém de nossos antepassados, que nos fazem refletir a vida. Muitas desses casos escondem em si medos, incertezas, angústias, amarguras, tristezas, decepções, dores e traumas que nunca se fecham, são apenas amenizados pelo tempo e talvez juntam-se aos raríssimos momentos de alegria e paz. Para que possamos ter a clara compreensão do universo que nos cerca é necessário sabedoria, mas não essa colocada pelos bancos da escola e sim aquela vinda daqueles que nos antecede. O aprender com estes verdadeiros sábios estão em suas palavras simples, cheias de ensinamento de quem nasceu numa vida sofrida, privados do amor, do carinho.
Encontramos em grandes escritores como Guimarães Rosa, Fernando Sabino e entre outros mineiros a prosa que destaca muito bem essa simplória sabedoria. Nos mais recônditos cantos destas Minas Gerais estórias se tornaram famosas para o resto do mundo, apresentando a magia deste povo guerreiro. As tradições, costumes, a religiosidade e segredos das pequenas cidades mineiras guardam enormes relíquias sobre sua gente. Suas histórias, muitas delas trancadas a sete chaves, escondem magoas e desencontros internalizados pela vergonha e medo. Talvez a melhor forma de  amenizar os traumas vividos seja jogar pata fora tudo aquilo que nos corroí por dentro. Então, escrever, falar e contar causos pode ser uma saída para os males, um modo de evitar que o passado não esteja mais presente na roda do futuro, ou seja volte a acontecer. Por que aquele que não admite seu passado está condenado repeti-lo no futuro.
A pequena introdução feita anteriormente é justamente para refletirmos sobre como as dificuldades impostas pela vida podem nos tornar sábios e ao mesmo tempo "externizar" essa sabedoria pode ensinar aos outros a lidar com suas angústias de maneira serena, amenizando os traumas. Quanto a ideia descrita sobre as pacatas cidades de Minas Gerais (hoje nem tão pacata assim, pelo fato da violência ter tomado conta delas), é por que as melhores histórias as tratam como um povo acolhedor, hospitaleiro, que sabe receber visitas com mesa farta de broa de fubá, pão de queijo, café de qualidade e leite. Mas nesta resenha a narrativa não vai alcançar estes saberes ou mesmo o modo de vida nas "Gerais". O livro a ser resenhado emite um parecer sobre os desencontros familiares, ficando assim no âmbito do primeiro parágrafo que trata da sabedoria pelo revés da vida. Agora adentraremos de fato ao livro intitulado "Aplausos  para Cecília" de Sônia Mara que com uma escrita objetiva e sem rodeios, permitindo uma leitura agradável e reflexiva, aquilatando-se aos grandes escritores mineiros já citados  acima anteriormente. A obra da autora expõem como os sonhos e desejos de criança podem ser simplesmente destruídos pela degeneração do seio familiar, que faz perdurar por gerações e gerações uma cicatriz inapagável, um verdadeiro trauma que nem mesmo a psicanálise Freudiana daria conta de apaga-la. Entretanto a exteriorização do fato através da palavra escrita foi a melhor forma da autora externalizar e exorcizar os sentimentos mais profundo de angústias, amarguras, tristeza e ressentimentos deixados pelos seus antepassados. Sendo que o abandono dos filhos por uma mãe para viver com seu amante é uma temática muito forte principalmente num tempo em que tal assunto era um tabu, talvez um "sacrilégio, um ato de loucura em uma sociedade conservadora, machista e patriarcal neste vasto interior das Minas Gerais.  Digamos enfim,  que o livro "Aplausos para Cecília" de Sônia Mara traz a tona um drama familiar, o abandono dos filhos pela mãe adúltera, cuja protagonista a menina Cecília se vê órfã de mãe e pai vivos tem de aprender a sobreviver não só com a miséria humana, mas a falta de amor e carinho. Observa-se na obra não uma superação, e sim a aceitação e sublimação dos fatos ocorridos. Portanto,  o livro da autora nos faz pensar sobre como a ausência dos pais pode gerar enormes danos nos filhos, contada numa história simples, mas sobre um assunto tão complexo.  

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Distopia capitalista - a verdade sobre a classe média brasileira

Esta é a ideia do capitalismo: produzir e criar um exército de consumidores. Com apoio do governo estas grandes empresas recebem incentivos e faz girar seus produtos. A mídia é o vetor de propagação, que através de cenários paradisíacos iludem as pessoas que para ser o melhor deve consumir o produto A, para ser feliz tem de comprar o produto B e assim caímos neste rolo compressor do capitalismo. Já a classe média proveniente de um passado que no Brasil a colocava como classe D ou E ( abaixo ou entre a linha da pobreza) , mal tem formação educacional e política, na verdade é uma vítima do sistema econômico que massifica a população por meio da ilusão midiática. Vivemos uma grande distopia capitalista, com seres humanos "androidificados" (robotizados) neste sistema nefasto, principalmente nós países emergentes, que viraram templos do consumo desenfreados, por serem mais facilmente manipulados e querer imitar o estilo de vida da matriz global EUA. Enquanto isso, caminhamos para o caos político, social e econômico, aceitando as coisas como rês que vai para o abate. Não podemos ser meros coadjuvantes de nossa história, aceitarmos frações e migalhas informacionais vindas do meios de comunicação que manipulam nossas mentes e nos transformam em mortos vivos, necessitando de outros cérebros para nos guiar e sobreviver. Jamais permitirmos que esses parasitas políticos, que sugam nosso sangue, suor, salário, aposentadorias e direitos nos representem como homens públicos, votando projetos e leis que contrariam os interesses e benefícios para sociedade. Mas infelizmente vivemos num mundo distópico, na qual a democracia é uma mentira, a liberdade é uma ilusão. Somos escravos do poder midiático, do espetáculo, da manipulação e do consumo que conforta nossa vida medíocre, por sermos medianos. Portanto nos falta clareza, opinião e pensamento crítico. O capitalismo ilude a todos, por ser declarar um sistema em que as oportunidades são para todos, aqueles que não crescem é porque não trabalham, não criam, não geram riqueza e lucro, puro engodo, a máxima capitalista é explorar. explorar e explorar o máximo do despossuído. Então, criar um pequena classe média obtusa e acéfala, moldada pela mídia para o consumos, enquanto uma raríssima parcela da sociedade desfruta da riqueza. Pois, Marx já havia previsto no século XIX.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

As relações de trabalho na sociedade do conhecimento

A era da sociedade industrial com base na produção de bens tangíveis chegou ao fim e levando com ela as relações pautadas na luta de classe e os meios de produção. O legado deixado pela era industrial foi o crescimento exagerado das cidade, a divisão do trabalho e domínio dos meios de produção por uma burguesia capitalista que explorava os trabalhadores. No entanto, as lutas de classes serviram para a organização dos trabalhadores e o aparecimento dos sindicatos e associações e com isso melhorias no padrão de vida, apesar de que na maioria dos países emergentes a desigualdade social ainda prevalece com enorme impacto, a qual grande parte da população não tem acesso a educação, emprego, moradia, saúde. 
O capitalismo industrial nos países desenvolvidos gerou uma classe média alienada, cujo foco esta no consumo desenfreado e desprovida da capacidade de criar opinião, quando a faz tem como base as mídias de massa, manipuladas pelo estado e grandes corporações. A sociedade industrial fundamentada na relação terra-capital-trabalho por força das próprias mudanças, como a globalização dos mercados, as novas formas e relações de trabalho e o avanço tecnológico sai de cena para da lugar a intangibilidade crescente dos serviços pautados no conhecimento. 
A era da sociedade do conhecimento em que a industria passa embutir o conhecimento como o principal fator de competitividade e geração de riqueza. O conhecimento nesta nova era é o elemento chave para o sucesso das organizações e isto modificou profundamente as relações no mundo do trabalho. O trabalhador do conhecimento não vende mais sua força de trabalho, ou seja, deixou de ser mão de obra, tornando-se um trabalhador intelectual que pensa, age e toma decisões. Na sociedade do conhecimento a crescente industria é amplamente notada nos setores de TI, cinema, TV, consultoria que exige colaboradores pensantes, criativos e capazes de apresentar resultados efetivos. As formas de trabalho também mudaram com a sociedade do conhecimento, muitos trabalham em casa ou prestam serviços como freelancer através de contratos temporários, talvez possa parecer para alguns uma precarização do emprego, mas, na verdade é uma maneira de flexibilizar a jornada de trabalho e ampliar a legislação trabalhista. 
Essas mudanças nas relações de trabalho pautadas na sociedade do conhecimento contribuem para a colaboratividade e motivação das equipes, pois o foco estão nas pessoas. Sendo que a tecnologia não modifica o status quo das empresas e nem é um indicador de sucesso e competitividade, por exemplo, todas as empresas tem acesso ao mesmo software, mas são os seus colaboradores que detêm o conhecimento para fazer a diferença. 
A complexidade da sociedade do conhecimento não comporta mais a visão simplista e cartesiana da era industrial, temos a necessidade de uma olhar holístico, sistêmico, para que as empresas possam compreender as grandes transformações e assim enfrentá-las. Pois a visão sistêmica permite-nos entender de forma global as necessidades dos outros, sem sermos individualista. Esta é a chave da sociedade do conhecimento, em que o outro possa ser ator da sua própria história tendo voz e vez. 
As grandes empresas que desapareceram na atual sociedade do conhecimento foi justamente por não aceitarem as mudanças ocorridas no mercado, simplesmente faliram por não acreditarem que as novas tecnologias, as transformações nas relações de trabalho e de consumo poderiam de fato efetivar-se. 
Essas grandes empresas cometeram um enorme erro que lhe custaram o fim no mercado globalizado e altamente mutável. No entanto, poucas empresas centenárias sobreviveram e foram capazes de se adequar a nova sociedade, isto se deve a resiliência e aprendizagem contínua de seus colaboradores, gerentes e diretores, ou seja, o conhecimento das pessoas. As organizações que aprendem assim denominadas são aquelas que não visam o lucro obsessivo e sim a satisfação de por meio de um propósito claro e ao mesmo tempo aceitando a diversidade do mercado, consumidores e dos próprios colaboradores. 

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Rede social com espaço político

O conceito de rede social não é algo novo, construído pela tecnologias da informação e comunicação (TICS). Ela tem seu viés no campo sociológico, que busca compreender as interações humanas e os relacionamentos entre atores sociais. Filósofos, sociólogos, economistas e outros tantos profissionais procuraram entender as redes sociais como mecanismo de trocas informacionais e como instrumento de participação e pertencimento. O individuo seja consciente ou inconscientemente tem a necessidade de estar incluso em um grupo quer por afinidade ou mesmo pela vontade de pertencer em algo que lhe dar prazer. Este conjunto ou agrupamento de seres formam uma rede de interesses convergentes. No interior dessas redes as interações podem ser intensas e duradouras, ou mesmo, efêmeras e dispersas. Os estudos em redes sociais busca avaliar as interações e os fluxos de informação entre os atores que dela participam, daí nasce a análise de redes sociais (ARS) com a proposta de entender seus mecanismos tais como: ator, nós, ligações (links), centro, periferia, audiência, distâncias. A relação destes mecanismo permitem-nos compreender o comportamento dos atores e a sua atuação. Já os "links" e "nós" de uma rede é o modo de fluição das informações e conhecimentos que por ela perpassa, pois depende da quantidade de trocas informacionais. A intensidade das trocas de informação ou conhecimento determinará a posição e nas ligações de um ator na rede. Pois um ator que tem o papel central na rede provavelmente terá uma quantidade maior de links, do que aquele que está na periferia. Podemos dizer que o número de links e nós é um fator determinante para o fluxo de informações e ampliam as trocas de conhecimentos entre as pessoas. Atualmente, no âmbito da análise de redes socais (ARS) a tecnologia da informação e comunicação abriu um enorme caminho para que a ideia de rede social fosse transportada para o mundo virtual. Isso ofereceu mais subsídios ao estudo das interações e fluxos informacionais entre atores da rede. Com apoio da TICS percebeu-se uma reestruturação na forma de configuração das redes, tornando-as mais distribuídas, ou seja, não há mais um nó central, que a ordena. Nas redes distribuídas a informação flui de maneira rápida e sem a retenção de conhecimento, por que as trocas são múltiplas, não existindo a centralização de um comando que envia, recebe e distribui informações. As redes sociais sofreu grandes mudanças com a internet, se antes elas eram mais físicas e dotadas de caráter humano, agora vive no ciberespaço, na virtualidade. Mesmo assim a participação dos grupos sociais mantém-se ou talvez até ampliaram-se, basta vermos as manifestações, reivindicações e atos públicos que aglomeraram milhões de pessoas em todo mundo. Este fenômeno que encheram as ruas só foi possível através da ampliação das redes sociais no ciberespaço. Podemos dizer que a rede social tornou-se um importante instrumento de luta e conquista social. No entanto, a beleza da rede esconde uma questão polemizada por pensadores como Zygmunt Bauman sobre o fato da liquidez das relações e interações humanas. Vivemos em uma sociedade em que as relações estão cada vez mais superficiais e efêmeras e isto não é diferente no mundo virtual, na qual tudo é dinâmico. Entender as redes sociais requer de nós um conhecimento sobre as relações humanas, compreender o indivíduo e suas necessidades e talvez sabermos que a tecnologia não é uma solução única para resolvermos estes problemas. O ideal é retiramos das redes sociais o potencial que ela pode oferecer em termos interação, fluxo de informação. Pois, as força nas interações e nos fluxos informacionais aumentam a audiência e a participação. Observa-se, principalmente quem tem aproveitado desta participação nas redes sociais são os grupos políticos, ao fazer dela um palco de campanha para as eleições. Portanto, o uso da rede na política abriu um espaço de participação, que permite conhecermos propostas, sugerirmos ideias, aceitar ou não um programa de governo. No aspecto político o uso das redes ampliou o espaço democrático para que aqueles que não tinham voz pudessem expor seus sentimentos, angustias, desejos e participar como cidadão.  

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Não somos vaquinha de presépio - somos cidadão

Como vai meus caros leitores, já faz um bom tempo que não venho aqui para colocar minhas ideias em prática e discutirmos sobre os atuais acontecimentos. No entanto algo que vem me deixando um tanto consternado é rumo de nossa política, que tornou-se assunto corriqueiro na grande mídia televisiva, além de outros meios de comunicação. Fala-se de crise, corrupção, lava-jato, impeachment, triplex, sitio, Petrobrás e por aí vai. A todo momento somos bombardeados com novas revelações, que já não são mais novidades para ninguém e sim fatos cotidianos da realidade brasileira. A manifestações pelo país não tem um porquê, sendo atos que caíram no vazio, enquanto isso, avança a tentativa de impedir a presidenta a dar continuidade ao seu governo. Tudo bem, diga-se de passagem que o governo está atrapalhado, desnorteado e sem uma direção, até concordo, por que realmente está, basta vermos os indicadores econômicos e sociais, por outro lado temos um legislativo ("covil de cobras") que nada faz em prol do cidadão, estão apenas preocupados em manter seu "curral eleitoral" (expressão ressuscitada de um passado coronelista e populista) e assim perpetuarem no poder. Percebemos a nocividade dos acontecimentos, como tudo isto é prejudicial à nação brasileira. De um lado um governo esvaziado pelos fatos de corrupção e incompetência, do outro uma parcela da câmara dos deputados que visam apenas a sua reeleição, troca de favores, sem contar que muitos deles estão envolvidos em atos ilícitos e jamais deveriam estar naquela casa, que por sinal virou a casa da Mãe Joana. Se a crise econômica foi deflagada, graças ao rumo político no país. Sinceramente, não vai ser o  impeachment da presidente que irá restaurar a confiança na política brasileira, por que infelizmente o sistema como um todo está corrompido. A crise não é só política e econômica, vai além, vivemos uma crise de valores, de moral, de identidade, pois é, não sabemos mais o que está certo ou errado. Nossas opiniões perderam fundamentação, não temos mais a capacidade de dialogar e compreender o outro. Os meios de comunicação de massa nos manipulam, com mentiras ou meias verdades em prol de interesses escusos. Esta é a nova sociedade, a sociedade do espetáculo, calcada apenas no consumismo, no prazer e nas relações efêmeras que impede-nos de ver obvio, a verdade. Saímos da realidade, para entrarmos em um mundo de fantasia criado pela publicidade e a mídia, com seus produtos inebriantes. Esta mesma mídia fala em democracia, igualdade, liberdade, no entanto o que vemos são enormes contrastes sociais, econômicos, direitos sendo violados, desrespeito ao cidadão. Por isso estamos em crise, justamente por não nos envolvermos e dialogarmos contra este atual quadro político podre, contaminado pela corrupção, interesses próprios. Enquanto a grande maioria da população padece na pobreza, no desemprego e na manipulação de uma elite nefasta.  



Natureza

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