sexta-feira, 6 de agosto de 2021

A desindustrialização

 

Na primeira metade do século XX, a indústria automobilística representou o suprassumo do capitalismo produtivo e da tecnocracia, que fomentou o desenvolvimento de vários outros setores, principalmente a indústria de base. Os setores industriais contribuíram fortemente para o crescimento das cidades e com apoio do estado ampliam estradas, abriram rodovias, fortaleceram o comércio e serviços, além de desenvolver as pequenas oficinas e fábricas. Mas, na segunda metade deste século XX, os setores industriais começam a sofre sua derrocada. O capital passa a transferir sua vertente produtiva para uma vertente financeira que não exige custos com matérias-primas, instalações físicas complexas, maquinários e mão de obra. Inicia-se a desindustrialização.

O processo de desindustrialização teve seu marco a partir dos anos 80, coincidindo com a globalização e o fim do regime socialista no leste europeu. Época da queda do muro de Berlim e pouco depois o fim da URSS. A velha indústria não encontra mais fôlego para sobreviver, diante das grandes inovações tecnológicas e da robotização.

A indústria automobilística é um exemplo real desses novos tempos, ao passo que substitui trabalhadores por robôs capazes de realizar todo trabalho de fabricação e montagem dos automóveis.

O mesmo ocorre em outros setores industriais, e tal fato obriga o operário a buscar novas formas de resistir à desindustrialização, indo então para o setor de serviços ou comércio sujeito a ganhar um salário bem menor. Portanto, a desindustrialização reflete diretamente no poder dos sindicatos e associações de trabalhadores que perdem seu poder de negociação e até mesmo sua desintegração enquanto representante da classe trabalhadoras. Conforme Camargos (2009, p.112) a falência do modelo desenvolvimentista por parte do Estado e a abertura econômica que permitiu a entrada do neoliberalismo e da globalização representou um movimento denominado "desestruturação produtiva" que foi amplamente deletéria para economia do país.

Essa "desestruturação produtiva", que na verdade trata-se do fim do capitalismo produtivo, afetou diversos setores da economia, culminado no fechamento de grandes empresas, algumas pertencentes aos setores de ponta, tais como: automotivo, alimentação, têxtil, eletroeletrônicos. O fim da industrialização, principalmente num país como o nosso, traz enormes consequências para o desenvolvimento social, gerando desemprego e ampliando as desigualdades sociais.

Os sindicatos e associações de trabalhadores de alguma forma tiveram um certo protagonismo na tentativa de protelar os danos causados pela "desestruturação produtiva". Na visão de Camargos (2009, p.171) O movimento sindical foi capaz de impedir o agravamento do arrocho salarial, num cenário macroeconômico caracterizado por elevadas taxas de inflação. 

A autora ainda afirma que o sindicalismo brasileiro contribui para afirmar a cidadania política dos trabalhadores e aproximá-los de suas entidades representativas (CAMARGOS, 2009, p.171).

As forças do capital ao desmontar sua estrutura produtiva, para entra de vez no modelo financeiro trouxe grandes danos para representatividade dos trabalhadores. A mesma opinião é corroborada por Camargos (2009, p.169) ao dizer que a:

Dificuldade de a representação sindical atuar num espaço mais amplo e ter suas ações limitadas que decorre das profundas desigualdades socioeconômicas existentes no país e da histórica desconexão entre crescimento econômico e distribuição de renda, que dificultam a mobilização dos trabalhadores.  

Com isso, podemos falar que existe neste contexto toda uma herança histórico-cultural, pautada nas raízes escravocrata que impede toda organização de luta por parte dos trabalhadores. Alia-se também a esta falta de organização dos trabalhadores a própria desestruturação do sistema de produção provocado pelo capitalismo financeiro, que deu lugar ao antigo sistema fabril.    

A desindustrialização abre enormes precedentes para entrada do capitalismo financeiro, a qual os grandes investidores não se preocupam com a produção de mercadorias, mas sim com a geração de lucros através dos juros e dividendos obtidos pela aquisição de ações e títulos que os remuneram.

As relações de trabalho tornaram-se precárias com a expansão do capitalismo financeiro, situação em que os sindicatos perderam sua força de negociação a partir do fim do século XX, que se estende até o momento. Há uma queda real dos salários e os seus instrumentos de valorização ficaram prejudicados. O processo produtivo não é mais a lógica do capital, mas sim o capital financeiro.

Nos países desenvolvidos a desindustrialização não tem sido tão traumática, pelo fato de ter uma população mais escolarizada. Neles o fim da indústria como conhecemos, se fez com a compensação das novas tecnologias de informação e comunicação (TICs), além do fortalecimento de empresas desenvolvedoras de aplicativos e softwares baseadas em redes e na internet.

As tecnologias de informação e comunicação (TICs) se baseiam especificamente em serviços torna-se o principal meio para criação de novas frentes de trabalho, absorvendo grande parte da mão de obra da antiga indústria. Na tentativa de responder ás necessidades desse novo mercado as universidades e escolas técnicas procuram adequar seu ensino com vistas para essa nova realidade tecnológica e formar profissionais voltados para esses setores. Os países desenvolvidos saíram na frente nessa corrida tecnológica e passaram a deter a maioria de todas patentes, direitos autorais, direitos de marca, dispondo de mecanismos de proteção contra a produção por outros países de suas descobertas científicas. Tudo isso traz um ganho muito maior que os antigos métodos fabris de produção.

Agora o mundo entrou no que chamamos da era da economia da informação e conhecimento. O que prevalece nesta economia da informação e conhecimento é a capacidade de o trabalhador ter competências intelectuais e não mais a força física, ser capaz de pensar os problemas da empresa, solucioná-las e tomar as decisões mais assertivas. Não existe mais lugar para o trabalho braçal, que não exige escolaridade e educação formal. Todos nós agora seremos pagos para pensar e resolver problemas. O mais interessante desta nova economia, denominada de economia da informação e conhecimento, é o fato dela conseguir aliar muito bem o capital financeiro e tecnologia da informação, criando um novo conceito em termos de capital e trabalho.

As grandes mudanças no mundo do trabalho foram bastantes negativas para o trabalhador, que perdeu sua condição de estabilidade e trabalho integral. Na obra: O imaterial, de autoria do filosofo Austríaco André Gorz (2005, p.24) as grandes corporações americanas remodelaram totalmente seus quadros de pessoal, onde mais de 90%, segundo o autor, absorve uma massa variável de colaboradores externos, substitutos, temporários e autônomos. A grande maioria são profissionais com alto grau de escolaridade e conhecimento. Esse tipo de vínculo desonera essas grandes empresas de encargos trabalhistas, indenizações e licenças, indicio claro da precarização do trabalho. Para Gorz (2005, p.26) isso representa a produção do si mesmo, dentro de uma perspectiva em que tudo transforma-se em mercadoria, tendo como medida o dinheiro – isso é o mais puro neoliberalismo.      

Assim nasce o trabalhador do século XXI, que está o tempo inteiro conectado a uma plataforma tecnológica de rede, que nela se produz conteúdo muitas vezes sem remuneração para torná-la mais eficaz, produtiva e geradora de receitas. Portanto aqui colocamos o conceito de monetização, quando essas plataformas de rede torna-se lucrativa, à custa de uma mais-valia proveniente do usuário conectado em tempo integral, e, no entanto, não recebe nada por utilizá-la e com ela interagir. Trata-se de uma troca injusta de via - única, em que apenas a plataforma obtém lucro. Quanto ao resto, não passam de usuários que alimentam o sistema com seus conhecimentos e muitos desejos de consumo.

Dessa forma trabalhamos no modelo 24x7, nem nos damos conta disso. Fomos completamente afastados do mundo real, produtivo e dotado de direitos sociais, trabalhistas e políticos. Será que viramos máquinas, zumbis ou qualquer coisa do gênero e por isso nos tornamos menos humanos do que éramos quando havia o mundo fabril.

Talvez, nos transformamos numa espécie de homem-máquina, um ser híbrido, um androide, algo que certamente não gostaríamos de ver diante de um espelho. Certamente perderíamos a capacidade de desconectarmos e usufruir daquilo que restaria da natureza, por não sermos mais humano.

Será que essa nova economia, cujo sua base é a informação e o conhecimento, nos encetou de vez para a contemporaneidade ou simplesmente fomos enganados pela tecnologia que nos dominou, criando um mundo virtual, irreal e dotado de ilusões. Vejam como os aplicativos nos escravizam, trabalhamos quase de graça ou sem qualquer remuneração para que elas sejam cada vez mais eficientes em nos tornar dependentes, tecnologicamente falando. Cada vez mais cresce o número de moto-entregadores, motoristas de aplicativos, Youtubers, programadores, analistas de dados, criadores de conteúdo que precisam correr dia e noite para monetizar-se e obter algum ganho exigido pelo aplicativos. 

Do outro lado, encontram-se os criadores, empreendedores, investidores que irão fazer desses aplicativos, sistemas e softwares seu meio de produção, a qual irão lançá-los no mercado financeiro. Alguns desses projetos poderão se realizar e vir a ser uma grande "start up" que abrirá seu capital e terá suas ações negociadas na Bolsa de Valores, pagando juros e dividendos para os investidores. Outras, não terão a mesma sorte e vão morrer antes mesmo de alcançar o sucesso.   

Francamente, dizer que o capitalismo seja ele produtivo, improdutivo ou qualquer outra denominação que tenha, jamais foi natural, sendo tal afirmação uma grande bobagem. Digo mais, o capitalismo é um produto do homem, uma criação humana, da mesma forma que criamos Deus, ou para aqueles que apostam na religião somos uma criatura divina concebida pelas mãos de Deus.

Se o capitalismo retira da natureza os bens naturais, sejam eles quaisquer sejam: metais, minerais, água, terra, madeira é o transforma, modela e assim cria produtos (mercadorias) para obter lucro por meio do dinheiro (equivalente universal) como forma de facilitar as trocas. Jamais poderíamos pensar o capitalismo como algo natural nascido da força divina ou que brota das entranhas do solo. Pois, a mão do homem não tem capacidade de criar coisas naturais, nem mesmo em pensamento.

Nos cabe apenas, a capacidade de modelar os elementos da natureza em coisas. Isto, desde dos tempos antigos, medievais e talvez mais longínquo aos homens sapiens ou neandertais que desenvolveram a capacidade de fazer das pedras facas e lanças para obter alimentos.

Realmente acredito que o capitalismo mereça uma revisão profunda em suas estruturas, por conta de suas crises constantes provocada pelo "homem-economicus". Um primeiro aspecto que exige essa revisão está no fato de apropriarmos dos recursos naturais e dele criar mercadorias, submetendo os homens numa condição de proletário, com isso exploramos sua força de trabalho para retirar o máximo de lucro.

Num segundo momento, este com aspecto mais tecnológico e dotado de dispositivos, aplicativos e todo aparato de rede impõem a sociedade um falso conhecimento, o que impera é a mais completa alienação diante da dominação do intelecto. Se vive num mar de desinformação contida nesses aparatos.

Mesmo com tanto avanço tecnológico, inovação e desenvolvimento de aplicações de ponta, não conseguimos debelar o principal problema que aflige a humanidade - ela - a desigualdade social, que mata milhões de fome pelo planeta, que gera problemas crônicos de saúde, que impede milhões de crianças frequentar uma escola. A grande maioria da população do planeta sobrevive na mais completa miséria. Volto a insistir que a fome, a falta de política básica de saúde, desemprego e a falta de urbanização das comunidades carentes como as favelas do rio de Janeiro, Índia, África do Sul é uma endemia política gerada pela falta de um Estado. Mesmo Estado que faz locupletar as grandes corporações. Ainda assim, não vamos nos esquecer, temos os países da África em que milhões de crianças morrem por desnutrição e doenças parasitárias.

Com o empobrecimento do mundo em geral, devido ao desemprego causado principalmente pela desindustrialização, a presença do Estado neste momento nunca foi tão necessária, justamente para se criar uma política de renda básica capaz de prover as necessidades mínimas da população economicamente inativa, ou seja, aqueles que não tem emprego.

Assistimos nestes últimos tempos um enorme contingente de pessoas que sobrevivem na informalidade e no subemprego. Encontra-se nessa situação vendedores de balas, flanelinhas, lavadores de carros, vendedores de comida de rua, além de outros que antes era visto apenas em grandes centros urbanos, mas a situação já é uma realidade em cidades médias. Muitos deles vivem na própria rua, por não terem capacidade de pagar o aluguel de um imóvel.

A ideia da renda básica universal, que é consenso entre vários economistas e parte dos políticos de esquerda no mundo seria um a solução viável para mitigar as desigualdades sociais e ao mesmo tempo contribuir para girar a roda da economia e do consumo. Porém assistimos o contrário, vemos o Estado se eximir de suas responsabilidades com o social e entregar suas riquezas para as mãos do capital. Trata-se do Estado mínimo, que não tem nenhuma pretensão de criar políticas públicas e nem mesmo serviços de utilidade para a população.

A palavra do Estado neoliberal é uníssona, não gastar e deixar que a iniciativa privada ofereça seus serviços à sociedade. Portanto, ao lidar com a iniciativa privada, o Estado fornece todo seu aparato, sobretudo se existe intenções eleitoreiras envolvidas.   

Dessa maneira vamos sobrevivendo à instabilidade social, o tédio de conviver com a iniquidade imposta por uma democracia representativa, um tanto capenga, que a cada 4 anos elege mais do mesmo - seja de esquerda ou de direita - cuja função destes representantes é fazer o jogo do capitalismo e arreganhar-se para o neoliberalismo. Estamos em mundo cansativo, indolente, que se arrasta não para lutar e mudar os "status quo", mas sim para ficar estático, apático e alheio ás mudanças.

Nesse intervalo, a renda se desloca de forma ascendente para uma minoria pertencente as elites, que abocanham com suas bocas largas o grosso de quase toda renda per capita, ou seja, de tudo aquilo que o trabalhador produz mesmo sem indústria. Enquanto, a grande maioria da população, uma massa amorfa, seca, pálida não fica nem com 20% da renda gerada pelo seu próprio suor. A desigualdade na divisão da renda per capita do país e abissal. Por isso temos um capitalismo tão selvagem, em que uns pouquíssimos dominam toda a riqueza produzida, de outro lado aqueles milhões que morrem de fome. 

Possivelmente, fica a dúvida a respeito da crise do capitalismo. Sendo que a indústria farmacêutica, por exemplo, tem lucrado tanto com as patentes de medicamentos. Até mesmo a indústria automobilística modificou seu modelo de negócio, passando a não mais lucrar com a venda de veículos somente, mas obter retorno com o financiamento e cobrança de juros. Isso demonstra a enorme capacidade de mutação do capitalismo, indo do produtivo para o improdutivo, entrando num ciclo do capital financeiro e cognitivo. Essa capacidade de mutação não se restringe somente ao capitalismo, pois é visível nas pessoas e nas cidades.

terça-feira, 20 de julho de 2021

A educação no capitalismo cognitivo


O Saber, as trocas de conhecimento e experiências, a inovação cientifica e a codificação do conhecimento tácito em explícito (socialização dos saberes) tem toda sua base nos modelos de educação, propagado a mais 800 anos. As universidades, escolas técnicas, centros de pesquisas, bibliotecas, hospitais universitários, faculdades, museu e arquivos são instituições devidamente concebidas para que o fluxo de conhecimento ocorra de maneira formal e também informal, atuantes na produção científica e artística. Portanto fica a pergunta, seriam essas instituições ideais para fortalecer o capitalismo cognitivo, justamente por entregar “mercadorias” provenientes do trabalho imaterial?

Talvez a resposta esteja em todo contexto do livro e nos direciona uma afirmação positiva. Dado que neste parágrafo especificamente, podemos dizer que há um interesse das forças privatistas em adentrar por meio do capital financeiro nestas instituições. No interior do projeto neoliberal ter em suas mãos a educação, principalmente técnica e universitária, é uma forma de acumulação imaterial, por sua vez expropria grande parte da população do direito à educação, já que o Estado não tem mais o domínio sobre ela. Assim, toda pesquisa e inovação, também como a criação de patentes não pertence mais a ordem dos comuns.  

quinta-feira, 15 de julho de 2021

Em busca de uma renda básica universal

 

O conceito de renda básica universal perpassa, ou deveria perpassar por toda discussão nas agendas progressistas. Na definição de Fumagalli (p.295) a renda básica pode ser entendida como uma distribuição monetária que visa garantir ao cidadão uma vida mais digna, deve ser uma renda universal e, portanto, imbricada aos direitos humanos. 

Sobre a renda básica, Fumagalli ainda afirma que seu conceito aparece como instrumento de bem-estar social, justamente por visar a distribuição de recursos públicos e de extrema importância no contexto do capitalismo cognitivo. Como diz o próprio autor: "a renda básica não tem é um presente, um instrumento contra a pobreza, mas uma pode assumir o papel de reduzir a pobreza, além de ser funcional no processo de acumulação; incrementar a inovação e a aprendizagem, por fim desenvolver o capital humano. 

No entanto, as forças conservadoras do capitalismo cognitivo veem a política de renda básica como um elemento de desestruturação do controle hierárquico e social do sistema, já que os trabalhadores teoricamente teriam maior capacidade de negociação.

A efetivação da renda básica depende, antes de tudo, de uma ampla reforma no modelo tributário e fiscal. Uma reforma progressiva e verticalizada, cuja maior parte das contribuições venham das camadas mais ricas, na tentativa de fazer uma distribuição menos desigual possível.

Nesse momento em que o planeta foi assolado por uma sindemia, o programa de renda básica universal seria o ponto chave para combate-la, ao passo que o trabalhador não pode estar na rua e muito menos em seu ambiente de trabalho. A renda básica, junto ao lockdown seria a única alternativa capaz de liquidar o vírus.

terça-feira, 8 de junho de 2021

As frentes populares – o comum em redes

Uma frente popular de direitos neste caso pode ser definida nas palavras de Fumagalli (p.294), como uma comunidade de indivíduos livres que atuam como pessoas em comunidade. Portanto são pessoas que em seus espaços territoriais, sociais e econômicos atuam conjuntamente de maneira solidaria, na tentativa de pelo menos mitigar os problemas sociais.  

A ação isolada dos sindicatos e associações de trabalhadores é um tanto ineficaz e insuficiente perante a grande demanda e vulnerabilidade social e econômica daqueles que estão em situação de extrema pobreza. Faz-se mister a conjunção de uma frente popular ampla com base numa linguagem comum e em ações comuns para enredar-se numa teia de solidariedade. Essa, talvez seja, a genuína prática democrática participativa vinda daquilo que é o comum, proposto por Dardot e Laval.

No capitalismo cognitivo, a acumulação segundo Fumagalli (2010, p.323) é bioeconômica, que se realiza no desenvolvimento dos fluxos das redes, puramente imaterial. Isso, torna cada vez mais diminuto a participação coletiva e o comum sucumbe perante o mercado financeiro.

Numa bioeconomia somente as ações vindas de um corpo em movimento, em luta será capaz de transpor as atuais formas de alienação e expropriação do trabalho imaterial que servem as estruturas do capitalismo cognitivo. Por isso, a criação de uma consciência que se mova em uma direção autônoma e capaz de enfrentar os duros golpes que atingem toda sociedade.               

Ainda, a respeito das ideias do comum, o aparecimento das frentes populares, formada por setores mais progressistas da sociedade civil unem-se em prol de demandas especificas da população. Especificamente, nesse momento de sindemia, as frentes populares ganham força por meio das tecnologias de informação e comunicação (TICs), onde o uso das redes sociais aparece como um canal de abertura para discussão de temos ligados à política e economia, além de servir para movimentos de apoio e solidariedade.

As frentes populares agregam em seu interior diversos matizes da ideologia do campo progressista, contam com a participação de entidades sindicais, representantes da igreja, de partidos políticos e movimentos sociais (negros, indígenas, LGBTs, mulheres e outros), que juntos enredam um importante círculo de compartilhamento de conhecimentos e trocas de experiências. Essas frentes populares beneficiam-se das redes sociais numa comunicação mais direta, síncrona e com objetivo de alcançar o maior número de espectadores, num trabalho coletivo e de ordem social. Cabem as elas o papel de porta-voz da democracia participativa, ou seja, levar demandas especificas de um coletivo para as representações políticas instituídas.

Enquanto o capitalismo cognitivo concentra-se no indivíduo, ou seja, toda produção e reprodução imaterial está calcada numa única célula e na identidade. As frentes populares procuram quebrar essa lógica do individualismo e do identitarismo (o igual, o mesmo, o idem), justamente por aceitar e celebrar o diferente (o outro). Tal atitude permite agregarmos diferentes fazeres e saberes, conhecimentos tácitos, que de certo modo ampliam as trocas de experiências entre seus membros.

Na verdade, as frentes populares formam uma enorme rede de conhecimentos informais numa trama de nós e laços, que em conjunto realizam a acumulação de novos saberes. O entrelaçamento e os fluxos dessas redes permitem as frentes populares terem grande influência em muitas decisões tomadas pelos entes políticos.

Em alguns aspectos os trabalhos desenvolvidos pelas frentes populares caracterizam-se pela regionalidade e localidade de suas ações, atuando de forma consistente em pequenas cidades, bairros e dependendo da ação desenvolvida, atuam nos estados.

O comum descrito por Dardot e Laval é o inverso do individual e do identitarismo que o capitalismo cognitivo nos impõem goela abaixo. O comum congrega o coletivo, aquilo pertencente a todos e a ninguém aos mesmo tempo. Pois, o corte transversal do coletivo outorga sustentabilidade para a democracia participativa, onde diferentes grupos de pensamentos diversos unem-se ao redor de um bem comum. 

No coletivo cabe o progressismo dos sindicatos, entidades e associações já tão definhadas pelas mudanças nas relações de trabalho; os conselhos formados por representantes da sociedade civil, e traz fortemente a formação das frentes populares que agregam pessoas, no intuito de realizar ações em favor da população. Por ser parte do comum, as frentes populares não desejam uma organização jurídica e formal, preferem manter seu caráter informal e atuar numa rede de relacionamento, a qual cada participante move-se em prol do bem comum.

DARDOT, Pierre; LAVAL, Christian. Comum: ensaio sobre a revolução no século XXI. Tradução de Mariana Echalar. São Paulo: Boitempo, 2017. 647p.

FUMAGALLI, Andrea, Bioeconomia y capitalismo cognitivo: hacia um nuevo paradigma de acumulación. Traducción del: Antônio Antôn Hernandez elt al. Madrid: Traficante de Sueños, 2010. 336p.  



segunda-feira, 3 de maio de 2021

O desabafo da classe trabalhadora


Pergunte-nos, o que tanto desejamos! Responderemos em alto e bom som, uma narrativa – mas não uma qualquer – tem que ser a narrativa com o poder de abalar as antigas estruturas do sistema, capaz de desconstruir os mitos, as crenças e o valores de uma cultura dominante, pautada na expropriação, na alienação e na espoliação da força de trabalho. Com isso, reconstruir a cultura dos antepassados, que idolatra os deuses da natureza, como o sol, a lua, a chuva e valoriza o trabalho coletivo.

Se somos trabalhadores, merecemos o pão, o vinho, o salário digno, a igualdade e a liberdade de ser humano, mas - antes de tudo – a narrativa e aí sim produziremos histórias. A nossa história, de lutas e de conflitos – para utilizarmos contra a exploração. Porque, o trabalho produz não só mercadorias, produtos que atendem o consumo dos mais ricos, mas também gera uma série de outros fatores comuns ao mundo econômico como riqueza, desigualdades, escassez e crises.

A narrativa serve de instrumento para construirmos cenários através da linguagem, que com seus símbolos e signos nos tornamos capazes de enfrentar as adversidades impostas pela opressão dos sistemas, sejam eles totalitários, ou mesmo aqueles pseudodemocráticos. Infelizmente na contemporaneidade, as falsas narrativas dominam como se fossem autênticas, mas não são. Pois, utilizam uma linguagem semelhante a nossa, então, a empacotam e distribuem nos mais variados meios de comunicação de massa e para muitos, tal linguagem, apresenta-se como normal e palatável. Essa, é a narrativa da opressão invisível, que opera no domínio das mentes e coroações.

Essa linguagem formatada em pacotes e composta de falsas narrativas nos jogou para aquilo que Fumagalli denomina de bioeconomia, ou seja, a economia da vida que é parte do biopoder foucaultiano. Assunto que veremos nos próximos capítulos deste livro. Portanto, somente a verdadeira narrativa, vindas dos trabalhadores e de sua cultura, terá condições de nos retirar dos espaços de dominação e da opressão invisível, e nos colocar novamente no eixo da nossa história.                 

terça-feira, 6 de abril de 2021

A desindustrialização


Na primeira metade do século XX, a indústria automobilística representou o suprassumo do capitalismo produtivo e da tecnocracia, que fomentou o desenvolvimento de vários outros setores, principalmente a indústria de base. Os setores industriais contribuíram fortemente para o crescimento das cidades e com apoio do estado ampliam estradas, abriram rodovias, fortaleceram o comércio e serviços, além de desenvolver as pequenas oficinas e fábricas. Mas, na segunda metade deste século XX, os setores industriais começam a sofre sua derrocada. O capital passa a transferir sua vertente produtiva para uma vertente financeira que não exige custos com matérias-primas, instalações físicas complexas, maquinários e mão de obra. Inicia-se a desindustrialização.

O processo de desindustrialização teve seu marco a partir dos anos 80, coincidindo com a globalização e o fim do regime socialista no leste europeu. Época da queda do muro de Berlim e pouco depois o fim da URSS. A velha indústria não encontra mais fôlego para sobreviver, diante das grandes inovações tecnológicas e da robotização.

A indústria automobilística é um exemplo real desses novos tempos, ao passo que substitui trabalhadores por robôs capazes de realizar todo trabalho de fabricação e montagem dos automóveis.

O mesmo ocorre em outros setores industriais, e tal fato obriga o operário a buscar novas formas de resistir à desindustrialização, indo então para o setor de serviços ou comércio sujeito a ganhar um salário bem menor. Portanto, a desindustrialização reflete diretamente no poder dos sindicatos e associações de trabalhadores que perdem seu poder de negociação e até mesmo sua desintegração enquanto representante da classe trabalhadoras. Conforme Camargos (2009, p.112) a falência do modelo desenvolvimentista por parte do Estado e a abertura econômica que permitiu a entrada do neoliberalismo e da globalização representou um movimento denominado "desestruturação produtiva" que foi amplamente deletéria para economia do país.

Essa "desestruturação produtiva", que na verdade trata-se do fim do capitalismo produtivo, afetou diversos setores da economia, culminado no fechamento de grandes empresas, algumas pertencentes aos setores de ponta, tais como: automotivo, alimentação, têxtil, eletroeletrônicos. O fim da industrialização, principalmente num país como o nosso, traz enormes consequências para o desenvolvimento social, gerando desemprego e ampliando as desigualdades sociais.

Os sindicatos e associações de trabalhadores de alguma forma tiveram um certo protagonismo na tentativa de protelar os danos causados pela "desestruturação produtiva". Na visão de Camargos (2009, p.171) O movimento sindical foi capaz de impedir o agravamento do arrocho salarial, num cenário macroeconômico caracterizado por elevadas taxas de inflação. 

A autora ainda afirma que o sindicalismo brasileiro contribui para afirmar a cidadania política dos trabalhadores e aproximá-los de suas entidades representativas (CAMARGOS, 2009, p.171).

As forças do capital ao desmontar sua estrutura produtiva, para entra de vez no modelo financeiro trouxe grandes danos para representatividade dos trabalhadores. A mesma opinião é corroborada por Camargos (2009, p.169) ao dizer que a:

dificuldade da representação sindical atuar num espaço mais amplo e ter suas ações limitadas que decorre das profundas desigualdades socioeconômicas existentes no país e da histórica desconexão entre crescimento econômico e distribuição de renda, que dificultam a mobilização dos trabalhadores.  

Com isso, podemos falar que existe neste contexto toda uma herança histórico-cultural, pautada nas raízes escravocrata que impede toda organização de luta por parte dos trabalhadores. Alia-se também a esta falta de organização dos trabalhadores a própria desestruturação do sistema de produção provocado pelo capitalismo financeiro, que deu lugar ao antigo sistema fabril.    

A desindustrialização abre enormes precedentes para entrada do capitalismo financeiro, a qual os grandes investidores não se preocupam com a produção de mercadorias, mas sim com a geração de lucros através dos juros e dividendos obtidos pela aquisição de ações e títulos que os remuneram.

As relações de trabalho tornaram-se precárias com a expansão do capitalismo financeiro, situação em que os sindicatos perderam sua força de negociação a partir do fim do século XX, que estende-se até o momento. Há uma queda real dos salários e os seus instrumentos de valorização ficaram prejudicados. O processo produtivo não é mais a lógica do capital, mas sim o capital financeiro.

Nos países desenvolvidos a desindustrialização não tem sido tão traumática, pelo fato de ter uma população mais escolarizada. Neles o fim da indústria como conhecemos, se fez com a compensação das novas tecnologias de informação e comunicação (TICs), além do fortalecimento de empresas desenvolvedoras de aplicativos e softwares baseadas em redes e na internet.

As tecnologias de informação e comunicação (TICs) se baseiam especificamente em serviços torna-se o principal meio para criação de novas frentes de trabalho, absorvendo grande parte da mão de obra da antiga indústria. Na tentativa de responder ás necessidades desse novo mercado as universidades e escolas técnicas procuram adequar seu ensino com vistas para essa nova realidade tecnológica e formar profissionais voltados para esses setores. Os países desenvolvidos saíram na frente nessa corrida tecnológica e passaram a deter a maioria de todas patentes, direitos autorais, direitos de marca, dispondo de mecanismos de proteção contra a produção por outros países de suas descobertas científicas. Tudo isso traz um ganho muito maior que os antigos métodos fabris de produção.

Agora o mundo entrou no que chamamos da era da economia da informação e conhecimento. O que prevalece nesta economia da informação e conhecimento é a capacidade de o trabalhador ter competências intelectuais e não mais a força física, ser capaz de pensar os problemas da empresa, solucioná-las e tomar as decisões mais assertivas. Não existe mais lugar para o trabalho braçal, que não exige escolaridade e educação formal. Todos nós agora seremos pagos para pensar e resolver problemas. O mais interessante desta nova economia, denominada de economia da informação e conhecimento, é o fato dela conseguir aliar muito bem o capital financeiro e tecnologia da informação, criando um novo conceito em termos de capital e trabalho.

As grandes mudanças no mundo do trabalho foram bastantes negativas para o trabalhador, que perdeu sua condição de estabilidade e trabalho integral. Na obra: O imaterial, de autoria do filosofo Austríaco André Gorz (2005, p.24) as grandes corporações americanas remodelaram totalmente seus quadros de pessoal, onde mais de 90%, segundo o autor, absorve uma massa variável de colaboradores externos, substitutos, temporários e autônomos. A grande maioria são profissionais com alto grau de escolaridade e conhecimento. Esse tipo de vínculo desonera essas grandes empresas de encargos trabalhistas, indenizações e licenças, indicio claro da precarização do trabalho. Para Gorz (2005, p.26) isso representa a produção do si mesmo, dentro de uma perspectiva em que tudo transforma-se em mercadoria, tendo como medida o dinheiro – isso é o mais puro neoliberalismo.      

Assim nasce o trabalhador do século XXI, que está o tempo inteiro conectado a uma plataforma tecnológica de rede, que nela se produz conteúdo muitas vezes sem remuneração para torná-la mais eficaz, produtiva e geradora de receitas. Portanto aqui colocamos o conceito de monetização, quando essas plataformas de rede torna-se lucrativa, à custa de uma mais-valia proveniente do usuário conectado em tempo integral, e, no entanto, não recebe nada por utilizá-la e com ela interagir. Trata-se de uma troca injusta de via - única, em que apenas a plataforma obtém lucro. Quanto ao resto, não passam de usuários que alimentam o sistema com seus conhecimentos e muitos desejos de consumo.

Dessa forma trabalhamos no modelo 24x7, nem nos damos conta disso. Fomos completamente afastados do mundo real, produtivo e dotado de direitos sociais, trabalhistas e políticos. Será que viramos máquinas, zumbis ou qualquer coisa do gênero e por isso nos tornamos menos humanos do que éramos quando havia o mundo fabril.

Talvez, nos transformamos numa espécie de homem-máquina, um ser híbrido, um androide, algo que certamente não gostaríamos de ver diante de um espelho. Certamente perderíamos a capacidade de desconectarmos e usufruir daquilo que restaria da natureza, por não sermos mais humano.

Será que essa nova economia, cujo sua base é a informação e o conhecimento, nos encetou de vez para a contemporaneidade ou simplesmente fomos enganados pela tecnologia que nos dominou, criando um mundo virtual, irreal e dotado de ilusões. Vejam como os aplicativos nos escravizam, trabalhamos quase de graça ou sem qualquer remuneração para que elas sejam cada vez mais eficientes em nos tornar dependentes, tecnologicamente falando. Cada vez mais cresce o número de moto-entregadores, motoristas de aplicativos, Youtubers, programadores, analistas de dados, criadores de conteúdo que precisam correr dia e noite para monetizar-se e obter algum ganho exigido pelo aplicativos. 

Do outro lado, encontram-se os criadores, empreendedores, investidores que irão fazer desses aplicativos, sistemas e softwares seu meio de produção, a qual irão lançá-los no mercado financeiro. Alguns desses projetos poderão se realizar e vir a ser uma grande "start up" que abrirá seu capital e terá suas ações negociadas na Bolsa de Valores, pagando juros e dividendos para os investidores. Outras, não terão a mesma sorte e vão morrer antes mesmo de alcançar o sucesso.   

Francamente, dizer que o capitalismo seja ele produtivo, improdutivo ou qualquer outra denominação que tenha, jamais foi natural, sendo tal afirmação uma grande bobagem. Digo mais, o capitalismo é um produto do homem, uma criação humana, da mesma forma que criamos Deus, ou para aqueles que apostam na religião somos uma criatura divina concebida pelas mãos de Deus.

Se o capitalismo retira da natureza os bens naturais, sejam eles quaisquer sejam: metais, minerais, água, terra, madeira é o transforma, modela e assim cria produtos (mercadorias) para obter lucro por meio do dinheiro (equivalente universal) como forma de facilitar as trocas. Jamais poderíamos pensar o capitalismo como algo natural nascido da força divina ou que brota das entranhas do solo. Pois, a mão do homem não tem capacidade de criar coisas naturais, nem mesmo em pensamento.

Nos cabe apenas, a capacidade de modelar os elementos da natureza em coisas. Isto, desde dos tempos antigos, medievais e talvez mais longínquo aos homens sapiens ou neandertais que desenvolveram a capacidade de fazer das pedras facas e lanças para obter alimentos.

Realmente acredito que o capitalismo mereça uma revisão profunda em suas estruturas, por conta de suas crises constantes provocada pelo "homem-economicus". Um primeiro aspecto que exige essa revisão está no fato de apropriarmos dos recursos naturais e dele criar mercadorias, submetendo os homens numa condição de proletário, com isso exploramos sua força de trabalho para retirar o máximo de lucro.

Num segundo momento, este com aspecto mais tecnológico e dotado de dispositivos, aplicativos e todo aparato de rede impõem a sociedade um falso conhecimento, o que impera é a mais completa alienação diante da dominação do intelecto. Se vive num mar de desinformação contida nesses aparatos.

Mesmo com tanto avanço tecnológico, inovação e desenvolvimento de aplicações de ponta, não conseguimos debelar o principal problema que aflige a humanidade - ela - a desigualdade social, que mata milhões de fome pelo planeta, que gera problemas crônicos de saúde, que impede milhões de crianças frequentar uma escola. A grande maioria da população do planeta sobrevive na mais completa miséria. Volto a insistir que a fome, a falta de política básica de saúde, desemprego e a falta de urbanização das comunidades carentes como as favelas do rio de Janeiro, Índia, África do Sul é uma endemia política gerada pela falta de um Estado. Mesmo Estado que faz locupletar as grandes corporações. Ainda assim, não vamos nos esquecer, temos os países da África em que milhões de crianças morrem por desnutrição e doenças parasitárias.

Com o empobrecimento do mundo em geral, devido ao desemprego causado principalmente pela desindustrialização, a presença do Estado neste momento nunca foi tão necessária, justamente para se criar uma política de renda básica capaz de prover as necessidades mínimas da população economicamente inativa, ou seja, aqueles que não tem emprego.

Assistimos nestes últimos tempos um enorme contingente de pessoas que sobrevivem na informalidade e no subemprego. Encontra-se nessa situação vendedores de balas, flanelinhas, lavadores de carros, vendedores de comida de rua, além de outros que antes era visto apenas em grandes centros urbanos, mas a situação já é uma realidade em cidades médias. Muitos deles vivem na própria rua, por não terem capacidade de pagar o aluguel de um imóvel.

A ideia da renda básica universal, que é consenso entre vários economistas e parte dos políticos de esquerda no mundo seria um a solução viável para mitigar as desigualdades sociais e ao mesmo tempo contribuir para girar a roda da economia e do consumo. Porém assistimos o contrário, vemos o Estado se eximir de suas responsabilidades com o social e entregar suas riquezas para as mãos do capital. Trata-se do Estado mínimo, que não tem nenhuma pretensão de criar políticas públicas e nem mesmo serviços de utilidade para a população.

A palavra do Estado neoliberal é uníssona, não gastar e deixar que a iniciativa privada ofereça seus serviços à sociedade. Portanto, ao lidar com a iniciativa privada, o Estado fornece todo seu aparato, sobretudo se existe intenções eleitoreiras envolvidas.   

Dessa maneira vamos sobrevivendo à instabilidade social, o tédio de conviver com a iniquidade imposta por uma democracia representativa, um tanto capenga, que a cada 4 anos elege mais do mesmo - seja de esquerda ou de direita - cuja função destes representantes é fazer o jogo do capitalismo e arreganhar-se para o neoliberalismo. Estamos em mundo cansativo, indolente, que se arrasta não para lutar e mudar os "status quo", mas sim para ficar estático, apático e alheio ás mudanças.

Nesse intervalo, a renda se desloca de forma ascendente para uma minoria pertencente as elites, que abocanham com suas bocas largas o grosso de quase toda renda per capita, ou seja, de tudo aquilo que o trabalhador produz mesmo sem indústria. Enquanto, a grande maioria da população, uma massa amorfa, seca, pálida não fica nem com 20% da renda gerada pelo seu próprio suor. A desigualdade na divisão da renda per capita do país e abissal. Por isso temos um capitalismo tão selvagem, em que uns pouquíssimos dominam toda a riqueza produzida, de outro lado aqueles milhões que morrem de fome. 

Possivelmente, fica a dúvida a respeito da crise do capitalismo. Sendo que a indústria farmacêutica, por exemplo, tem lucrado tanto com as patentes de medicamentos. Até mesmo a indústria automobilística modificou seu modelo de negócio, passando a não mais lucrar com a venda de veículos somente, mas obter retorno com o financiamento e cobrança de juros. Isso demonstra a enorme capacidade de mutação do capitalismo, indo do produtivo para o improdutivo, entrando num ciclo do capital financeiro e cognitivo. Essa capacidade de mutação não restringe somente ao capitalismo, pois é visível nas pessoas e nas cidades.

CAMARGOS, Regina Coeli Moreira. Negociações coletiva: trajetórias e desafios. Belo Horizonte: RTM, 2009. 178p. 


quinta-feira, 4 de março de 2021

A morte do Estado assistencialista

 

Com o fim da presença do Estado assistencialista, torna-se inexistente os serviços básicos e as tarifas sociais fornecidas ao cidadão. Não há mais o modelo social-democrata e nem mesmo o socialista. o que impera é o neoliberalismo em sua mais pura essência. O mundo agora está dominado por grandes S/A determinado a oferta e a demanda, controlando os preços e os  salários dos trabalhadores.

Talvez pior, o Estado passou a servir os desejos do capital, salvando bancos e grandes empresas ao criar financiamentos através de empréstimos com juros baixíssimos e de longuíssimo prazo. As privatizações no país em meados da década de 90 foram obscenas, para não dizer pornográficas. Empresas estatais, patrimônio pertencente ao povo brasileiro, foram vendidas quase de graça e com auxilio de empréstimos do próprio governo. Foi entregue à iniciativa privada setores estratégicos da economia, como: energia, mineração, telefonia e outros durante o governo de Fernando Henrique Cardoso em meados de 1996. Essas privatizações em nada beneficiaram  a sociedade, a não ser oferecer tarifas absurdas e deixando que milhões de brasileiros não tivessem acesso a estes serviços.

O desmonte estatal ainda paira sobre nossas cabeças, no atual governo que possui um viés totalmente neoliberal e de extrema direita pretende entregar aos grandes grupos empresariais parte, se não todo nosso patrimônio, que envolve os serviços de educação, saúde, serviço postal, além de empresas como:  Eletrobrás, Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa e outros.

Soma-se a estas pretensões neoliberais a condução de reformas que retiram direitos dos trabalhadores e da população. sendo que já foi concluída a reforma trabalhista e ainda está pauta nesse governo outras reformas que certamente no futuro serão nocivas ao povo. Quanto a reforma da previdência, que em parte já foi concluída retira do cidadão direitos básicos e traz bastante insegurança para o futuro. Tais reformas enfraquecem os sindicatos e sua capacidade de negociação e luta, deixando o trabalhador a mercê de sua própria sorte. Outras reformas ainda querem destruir os serviços públicos e por suas vez acabar com as instituições republicanas, rompendo sem qualquer cerimônia com as forças democráticas reconstruídas após um tenebroso período ditatorial. Portanto, é um ledo engano quem aponta esse governo como sendo ditatorial ou mesmo fascista, pelo contrário, o seu desejo está na liberdade total.

Para ele tudo deve ser livre, não deve ter regras constitucionais. e leis. Nada de cadeirinha no banco de trás para as crianças, nem cinto de segurança. Enfim, esse governo se elegeu na democracia e somente nela ele vence as eleições. Agora, as atitudes de seus representantes enquanto seres individuais são fascistas e ditatoriais, por não reconhecer o coletivo, o social e a vida em grupo.

Somente o indivíduo, o eu contempla o reconhecimento deste governo, que deseja o anarco-capitalismo, ou seja, a liberdade do eu em detrimento dos grupos, da coletividade. O coletivo não tem vez, as minorias são vistas como o outro, aquele que é estrangeiro dentro de sua própria terra. A comunidade é subjugada aos caprichos do eu - indivíduo.

Tal realidade é escancarada nos projetos de reformas deste governo, que previa o regime de capitalização para aposentadoria em detrimento do atual regime de repartição. No primeiro, cada a pessoa é responsável pela sua própria aposentadoria, ao adquirir uma previdência de uma empresa privada. Já o segundo, ou seja, o regime de repartição o cidadão contribui para uma previdência estatal que serve a muitas outras pessoas.  

Logo, vai se concluindo o perverso plano neoliberal, iniciado no final dos anos 80 em quase todo o mundo, provocado pelo enfraquecimento dos projetos e programas de políticas sociais e dos ideais levantados pelos sociais-democratas. O fim destes ideais abre espaço para agenda globalizante, direitista e também para extrema-direita, pautada no conservadorismo e até mesmo no fascismo.

Essa pautas conservadoras, fascistas de extrema-direita não encontravam eco nos meios de comunicação tradicionais. O espaço na TV, rádio, jornais revistas impressas sabiam apoiar estes ideais poderia trazer perda de audiência. O caminho para instauração dessas ideologias fascistas estavam nas novas tecnologias de informação e comunicação, exatamente nas redes sociais. As redes sociais serviram de instrumento - por sinal muito eficaz - nas mãos de ideólogos mal intencionados, que permitiu a ascensão de grupelhos de extrema-direita e líderes como: Viktor Orbán (Hungria), Matteo Salvini (Itália), Donald Trump (EUA) e Jair Bolsonaro (Brasil).

As redes sociais contaram com enxurradas de "fake-news"  (mensagens falsas) desenhadas exclusivamente para ridicularizar e denegrir a imagem dos verdadeiros líderes e dos movimentos democráticos que zelam pela liberdade e por ideias de cunho progressista.

As redes sociais tornaram-se instrumentos poderosos e de grande valia - ou seja para o bem, ou para o mal - na democracia, gerando nova audiência e servindo como palco de reivindicação para aqueles que se sentem excluídos do meio social.

Além disso, as redes sociais trouxeram a baila novas formas de organização e mostrou-se como um excelente ambiente para construção política, sendo assim, um caminho para a divulgação de propostas e desenvolvimento de projetos de políticas públicas.

Contudo, as redes sociais vieram também exprimir as vontades populares e potencializar as revoltas da sociedade. Elas tornaram possíveis as ondas de protestos e dessa forma levantar as massas para os embates contra a opressão dos governos. Movimentos naturais nasceram das redes e posteriormente ganharam as ruas, sem presença de palanques e líderes. Todos ali se movimentavam por suas próprias opiniões, crenças e valores. Não havia uma coordenação, um líder. As próprias redes sociais que determinam as ações e os confrontos.

Milhões de anônimos, de pessoas comuns em busca de voz fizeram das redes sociais o seu canal para protestar ou mesmo apresentar as mazelas de sua cidade, bairro ou rua. Com as redes sociais nada mais fica escondido, tudo pode parar nas telas do tablet, notebook ou smartphone. A vida privada acabou, agora fazemos parte de um grande coletivo. Vivemos num "big brother" onde somos avaliados por "likes" e "deslikes" e a qualquer momento ser cancelado por não agradar o outro.

Nem de longe essa reconfiguração do mundo de capitalista trouxe ganhos reais para maioria dos países. Pelo contrário, o que houve foram perdas significativas para a sociedade perante o empobrecimento das populações , até mesmo em países desenvolvidos. Basta vermos o processo de gentrificação que vem ocorrendo na frança, onde o encarecimento dos imóveis em certas regiões periféricas de Paris joga milhares de pessoas para outras cidade do entorno. A gentrificação das cidades expulsam as pessoas de seu próprio bairro por transformá-lo em espaços nobres voltados à elite, enquanto o trabalhador fica mais distante de seus locais de trabalho, quando não gera o desemprego levando o trabalhador a uma pobreza absoluta. A gentrificação destrói a história de um lugar, o quanto naquele espaço as pessoas tiveram suas experiências, cultura e modo de vida.          

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

O capitalismo nunca foi natural

 

Muitos economistas colocam que o capitalismo é um sistema econômico natural. o que não  é verdade, pois a partir do momento que temos a presença da mão humana na transformação dos recursos da natureza, passa-se a ter uma artificialidade desses recursos. Eles deixam o seu estado natural bruto para obter uma forma consumível, tornam-se mercadorias que atendem as leis da oferta e demanda. Assim, as pessoas pagam um preço para obtê-los.

Este preço varia conforme a oferta e demanda. A exemplo tomemos a indústria extrativista, que retira da natureza diversos minerais, madeira, ou mesmo utilizam-se dos recursos hídricos para gerar energia que movimentam as indústrias, criando mercadorias que atendam as necessidades e desejos de consumo.

Em suma, o capitalismo apropria-se dos recursos naturais no intuito de gerar produtos e ofertá-los no mercado. O consumo torna-se um elemento vital para o desenvolvimento do capitalismo, Do outro lado, temos os trabalhadores que vendem sua força de trabalho em troca de uma quantia de dinheiro para gerar estas mercadorias.

Quantia essa denominada salário, que visa suprir  necessidades básicas. Portanto, Só há valor quando temos trabalho embutido nestes produtos, conforme Marx havia dito.

Esse é o principio dos estudos de Marx, que envolve questões ligadas ao capital e trabalho. Dois elementos geradores da famosa luta de classes colocados nos escritos marxistas. Marx coloca que os meios de produção dominado  pelo detentor do capital ( o capitalista) precisa produzir mercadorias e lançá-las num mercado para que seja consumida.

Assim o capitalista se apropria dos recursos naturais (água, madeira, minérios e outros) para moldá-las em mercadorias que vão até ao consumidor e obviamente feitas pelas mãos de algum trabalhador assalariado. Lógico, um vendedor, aquele que vende sua força de trabalho.    

Para reforçarmos essa maravilhosa prática adotada pelo capitalismo, vamos dizer que trata-se de uma forma de maximizar a produção e para tanto utiliza-se da força de trabalho assalariada, da qual o lucro provém do tempo extra de trabalho realizado. Portanto, é dai que se obtém o famigerado mais-valor ou mais-valia na concepção marxista.

Com advento das tecnologias das máquinas - aqui não distinguiremos se é a vapor ou elétrica -  introduzidas no ambiente fabril, o processo de produção ganhou mais celeridade e consequentemente diminui os custos de fabricação.

Porém, o trabalhador não foi recompensado por esta modernidade, ao passo que as horas de trabalho se manteve as mesmas e com uma produção muito maior, nem mesmo os salários tiveram grandes oscilações positivas. Cabiam aos trabalhadores recorrem aos sindicatos e declarar luta ao patrões, através das greves. Essas horas de trabalho não remuneradas, foi denominada por Marx de mais-valia ou mais-valor, sendo ela o lucro dos donos dos meios de produção. 

Só pra esclarecermos que o fato de não diferenciarmos aqui as máquinas a vapor ou elétricas, assim como os teares manuais por exemplo é porque estamos tratando superficialmente de um período histórico que envolve as primeiras revoluções industriais. Não é nosso intuito neste artigo descrever os pormenores da história. Mas sim focar na questão histórico-econômica e a sua passagem pela contemporaneidade fazendo elo entre a relação oferta-demanda e preços para mostrar víeis do capitalismo na ideia do recorte natural.

Assim descrevemos o princípio do capitalismo produtivo, aquele em que há  criação de mercadorias tangíveis produzidas pelas mãos de um trabalhador.

No entanto, a realidade atual deste século XXI não está mais calcada no processo produtivo das fábricas, muito menos no trabalhador. Portanto, o valor deixou de existir, dado que não se tem mais trabalho embutido pelas mão operarias. O que resta agora é o dinheiro criando mais dinheiro, por meio da magia dos juros. Com isso a mercadoria não tem sua expressão no valor, resta apenas o vazio dotado de desejo que nunca se satisfaz.

Isso que vivemos na contemporaneidade é uma nova forma de capitalismo em crise constante, pautado na financeirização, no modelo de juros e no endeusamento do mercado financeiro, onde as bolsas de valores e futuros são os templos que adoram o Deus dinheiro. As trocas são imagéticas e irreais, apenas números apresentados em tela que na velocidade da luz passa de uma mão para outra.

Nesse capitalismo o dinheiro (equivalente universal de trocas) age como um gerador de mais dinheiro, colocando de lado a relação capital-trabalho. Dessa forma, denominamos o capitalismo improdutivo ou capitalismo financeiro, da qual se cria produtos a partir do próprio capital, através de juros, dividendos, derivativos, ações e títulos.

Essa vertente do capitalismo alija em grande parte o trabalhador de qualquer tipo de reivindicação e coloca abaixo as entidades sindicais que protegem e fazem valer as leis trabalhistas. Todos nós passamos neste novo modelo de capitalismo à condição de investidor e sobrevivemos da via credor-devedor  perante ao mecanismo de taxa de juros e títulos comprados do governo que por sua vez financia a própria indústria financeira.

A visão desse capitalismo ultra-selvagem, gerador de capital fictício (termo utilizado por Marx no livro -  O capital) tem em seu corpo a ideia do liberalismo elevado num grau máximo, sem as amarras do Estado. Pois  nele não cabe a presença do Estado como interventor, ou mesmo, provedor de políticas publicas. Não sobra qualquer espaço para a burocracia Weberiana representante dos serviços públicos dotado de certa qualidade. Tudo agora cabe a iniciativa privada que impõem à população serviços básicos como água.esgoto, iluminação e até mesmo saúde e educação com tarifas elevadas. 

Enfim, a condição precípua em torno desse capitalismo totalmente artificial é que tudo passe a pertencer aos grandes conglomerados e holdings, formados por sociedades anônimas, grupos empresariais que não geram mercadorias, detém apenas marcas e patentes. Mais uma vez, é o dinheiro produzindo dinheiro. O famoso neoliberalismo.

Portanto, podemos dizer que as grandes companhias são apenas marcas, onde investidores aportam seus capitais em busca de maximizá-los e gerar mais capital, sem produzir se quer um alfinete. Até mesmo o governo já aderiu a tal modelo, por meio da criação de títulos públicos para captar empréstimos que pagam juros aos detentores destes títulos, na verdade credores do Estado. Assim, o governo contrai dívidas com grandes empresas e investidores, que podem ser fundos de pensões ou mesmo pessoas físicas.

A financeirização do capitalismo, a partir do fim do século XX, trouxe em si uma série de complicadores, como a quebra da relação oferta e demanda, preços e outros, criando mecanismos artificiais geradores de crises, que colocam em xeque o desenvolvimento de qualquer nação. Tal fato, alarga ainda mais as desigualdades socais, ao passo que as políticas públicas não são mais de domínio do Estado.

Nesse caso, o Estado torna-se uma engrenagem do modelo proposto pelo capital financeiro, deixando de ser o tutor da sociedade por não mais oferecer serviços públicos essenciais, tais como: educação, saúde, políticas de moradias, saneamento, energia elétrica subsidiada e bolsas assistenciais, além de prever direitos a quem necessita. O Neoliberalismo que se instaurou em quase todo o planeta vem com objetivo de enterrar os ideais da social-democracia  e suas políticas públicas de bem-estar social. Por fim ao modelo econômico desenhado pelo Keynesianismo, cujo Estado tem um papel forte nas decisões para debelar a recessão, a inflação e combater o desemprego.

Tudo tende a ser privatizado e entregue para as mãos da iniciativa privada, que mais uma vez reforçamos - oferecem um serviço muita vezes de má-qualidade por um preço vil. Aquele cidadão que não possui meios para pagá-los fica inteiramente desassistido e alijado do consumo desses serviços essenciais, antes oferecido e subsidiado pelo Estado.

O capitalismo em toda sua essência é uma obra do ser humano, que de fato utiliza-se da natureza para criação de coisas e assim inserir no mercado para obter nada mais que o lucro. Não importa se os produtos sejam objetos consumíveis, ou financeiros proveniente do próprio dinheiro. 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Princípio da oferta e demanda em relação aos preços

 



Para começarmos este artigo vamos colocar aqui o princípio da oferta e demanda como elemento básico que atua diretamente sobre os preços das mercadorias. Num mundo econômico ideal a relação entre a oferta e demanda tem uma certa predileção para tender-se ao equilíbrio. Com isso, dizemos que a equação P(x) → O=D, onde os preços são estáveis, devido a oferta e demanda serem iguais. Partem em rumo ao equilíbrio.

Entretanto, sabemos que a economia é uma ciência que trabalha com variáveis, hipóteses e cenários - que atua no campo das humanidades - assim não pertence ao mundo ideal. De certa forma podemos enquadrar a ciência econômica dentro de uma lógica do real e composta por muitos contrastes.

Para compreendermos a dinâmica da oferta e demanda, há uma necessidade de entendermos os principais  conceitos que regem essas duas variáveis. Assim temos, a oferta como uma quantidade de mercadorias ou recursos disponíveis num determinado mercado. Já a demanda trata-se do quanto as pessoas estão interessadas em obter esses recursos. A partir dessa definição simples e direta que iremos traçar algumas relações entre essas duas variáveis.

com isto demonstramos que se há um excesso de produtos num mercado, mas não existe um interesse em adquiri-lo dentro de uma quantidade que satisfaça esse mercado, dizemos que a oferta é maior que a demanda. Isso refletirá  negativamente nos preços, tornando-os mais baixos. Neste caso, o consumo é fraco e com tendência de queda.

Do contrário, se o consumo excede a oferta de produtos, ou seja, há uma demanda exponencial crescente para certo recurso, veremos que os preços certamente serão reajustados com direção de altas.

Outros elementos também podem influenciar de forma direta os princípios da oferta e demanda, tais como: a escassez de matérias-primas para a produção de bens industriais, a falta de recursos naturais essenciais para o bom  funcionamento dos processos de fabricação, por exemplo os recursos hídricos.

A inflação é também um outro fenômeno  intrínseco aos conceitos de oferta e demanda, justamente por ambos elementos influenciarem de sobremaneira os preços de uma mercadoria. Dessa forma, podemos definir a inflação como um aumento excessivo dos preços, principalmente se ocorre uma demanda excessiva em função da oferta. Por outro lado, a deflação é um conceito que vai em direção oposta à inflação, da qual observamos uma forte queda dos preços dos produtos provocado pela falta de demanda, onde não existe liquidez.

O nível de renda da população é outro fator relevante que afeta diretamente as regras da oferta e demanda. Geralmente, em países cuja a distribuição de renda fica muito concentrada, temos uma população de pobres e miseráveis muito grande, onde impera a falta de empregos, os salários são muito baixos, diante disso, a economia como um todo prejudicada.

Observa-se nesses países uma desproporcionalidade muito elevada no padrão de consumo das pessoas, além das taxas de inflação serem mais elevadas por não contarem com mecanismos de controle econômicos eficientes. Estes países tem uma economia mais dependente de outras nações, mesmo seus custos de produção sendo menores, a demanda fica restrita aos que possuem uma renda mais elevada, fator que afeta em cheio os preços produtos.

A maioria da produção destina-se ao mercado internacional. Isso ilustra muito bem o porquê das desigualdades sociais. Pois, produzimos riquezas a um custo baixo, da qual grande parte destina-se para outras nações. No entanto, a sobra desta produção é vendida no país por um preço bem mais elevado, justamente, por causa dos impostos e taxas que oneram a produção e a própria mercadoria. Portanto, a falta de incentivo do Estado para com a indústria desestimula a produção e faz com que o empresário busque outras formas de investir seu capital. 

Princípio da oferta e demanda em relação ao preço:

1- P(x) → O<D ou D>O -  tendência de alta dos preços.

2- P(x) → O>D ou D<O - tendência de baixa dos preços.

 

O preço então é uma relação que depende da oferta e demanda. Sendo que oferta e demanda são elementos básicos da economia, que tem influencia real nos mecanismos macroeconômicos, tais como: inflação, deflação e também nas trocas.

Portanto da oferta e demanda e a sua relação com a dinâmica dos preços nos leva a entender que o capitalismo em si não é um sistema natural, mas forjado pelas mão do homem. Trata-se de uma construção econômica pautada em variáveis que permite-nos quantificar as trocas comerciais através de um equivalente universal denominado dinheiro.

No livro princípios de economia política e tributação de David Ricardo, um dos fundadores da economia política juntamente com Adam Smith, faz importantes apontamentos sobre a questão da oferta e demanda. Ricardo (1996, p.293) afirma que a relação oferta e demanda em função dos preços é um efeito de duração temporária. Ainda sim o autor discorre sobre o assunto quando diz que a proporção entre oferta e demanda pode, efetivamente, afetar por algum tempo o valor de mercado de uma mercadoria, até que sua oferta aumente ou diminua, de acordo com o aumento ou diminuição da demanda (RICARDO, 1996, p.283). Observe que o Ricardo não fala em preço, mas sim em valor de mercado. Entende-se que nesse ponto Ricardo vá na direção oposta de Marx.

Para Ricardo a dependência exclusiva dos preços em função da oferta e da  demanda é um grande equivoco por parte da economia-política. Situação por ele corroborada ao falar que:

"Nem sempre a demanda de uma mercadoria aumenta se não for adquirida ou consumida em quantidade adicional, contudo, o seu valor em dinheiro pode aumentar. Caso, seu valor diminuísse, o preço de todas as mercadorias aumentaria, pois cada um dos concorrentes estaria disposto a gastar mais dinheiro na sua compra do que anteriormente. [...]  O preço natural, o seu custo de produção em termos monetários seria realmente modificado no valor do dinheiro, e sem que a demanda acusasse aumento algum, o preço da mercadoria se ajustasse naturalmente àquele valor".

Para David Ricardo o preço de uma mercadoria não está diretamente ligado a sua oferta e procura, mas sim o quanto se gasta para produzi-la. Suas observações são bastante válidas no momento em que os preços das matérias-primas, os gastos com salários, equipamentos, máquinas e outros insumos podem sofrer grandes reajustes. Porém, é valido dizer que a oferta e demanda determinam os preços a partir do momento que existe um mercado consumidor e a presença de um Estado regulador. 

Então, a oferta e demanda serve ao propósito capitalista de gerar consumo. A ideia desta parte do artigo, da qual buscamos ter uma noção mais clara sobre a oferta e demanda permitirá adentramos na ideia de que o capitalismo não nasceu da natureza, mas sim se apropriou dos recursos naturais e dividiu os homens em donos dos meios produção e proletariados. A parte II do artigo vamos discutir justamente sobre essa naturalidade  do capitalismo.  


segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Compreendendo a desigualdade social

 

Para que possamos entender a dinâmica da desigualdade na distribuição da renda no planeta, em primeiro lugar precisamos compreender a lógica do capital e suas estruturas. Fator que Marx denominou como " as leis de movimento do capital". Nestes estudos realizado por Marx ficou patente a questão da desigualdade de classes, Tendo de um lado uma minoria que detém os meios de produção, e de outro aqueles que vendem sua força de trabalho, justamente por não terem nas mãos o capital, a terra, as ferramentas e máquinas.Esse segundo denominado  de proletariado que trabalham em troca de uma salário, são explorados e alijados das riquezas produzidas. Enfim, como se dá este processo que Marx estudou, desdobrando em sua principal obra, O capital? Num primeiro momento devemos saber que o processo de produção envolve a troca da força de trabalho vendida a um "empresário" que possui as máquinas, a matéria-prima, as ferramentas e os galpões gerando mercadorias que circulam no mercado. O trabalhador recebe X horas para produzir, aquilo que ultrapassa as X horas (excedente) não é revertido ao trabalhador, portanto sendo o lucro, ou seja, vem daí o conceito de mais-valia ou mais valor. Então, só  existe valor naquilo em que há trabalho embutido, do contrário, sem não tem trabalho humano envolvido o valor deixa de existir. Essa era a visão de Marx, da qual faz sentido toda lógica capitalista. Mas agrega-se a essa relação a presença de um meio de troca universal, denominado dinheiro, que nos permite adquirir produtos no mercado. Para David Harvey, conforme descrito em seu livro  "A loucura da razão econômica" que o capital é uma parte total do dinheiro utilizado pelos donos dos meios de produção para adquirir força de trabalho, máquinas, matéria-prima, ferramentas e outros bens de capital. Dessa forma há mercadorias, bens que são colocadas no mercado para serem consumidas pela próprias classe trabalhadora que o produziu. Nesse ponto, o desejo pela mercadoria torna-se um fetichismo, em que o homem passa a ser consumido pela própria mercadoria, no que chamamos coisificação. Esse é o princípio de Marx a respeito do capitalismo, que leva a uma idealização das lutas de classes, por que a disparidade entre os donos dos meios de produção e trabalhadores geraram enormes desigualdades.Vou explicar melhor para que todos possam entender, ao passo que o assunto é um tanto complexo. Bem, toda desigualdade social.econômica é dada por um desequilíbrio não natural das forças do capital, ou seja, existe uma pequena parcela que fica com toda a riqueza gerada, neste caso, os donos do meios de produção. Por outro lado, temos aqueles que nada tem, a não ser um salário inferior às horas trabalhadas, sendo assim explorado. Claro, que essa parte do texto refere-se á um capitalismo industrial do século XIX e inicio do século XX, em que a produção era totalmente fabril. Tal afirmação está correta, para aqueles que certamente irão me criticar. Mas, o mundo pós-moderno, tecnológico, a qual impera a inteligência artificial, a nanotecnologia, a industria 4.0 totalmente robotizada. Não podemos negar essa revolução industrial da quarta geração. No entanto, o mundo pós-moderno, essa relação capitalista versus trabalhador (luta de classes) modificou-se, sendo que não temos mais uma grande quantidade das velhas indústrias do passado.Agora, impera novas tecnologias que exige cada vez menos a presença humana, fator que mostra um certo esvaziamento da relação de valor. Importante lembrar, só há valor se existe trabalho embutido, do contrário, só se tem preço. No entanto, a desigualdade em nada mudou, o gap entre ricos e pobres se dilatou, os ricos continuam abocanhando a maior parcela da riqueza produzida, enquanto os mais pobres continuam sem nada ou com muito pouco. Se pegarmos os estudos realizados pelo Thomas Piketty, no livro "O capital do século XXI, observaremos que a relação renda/capital  demonstra claramente que a distribuição da renda continua historicamente concentrada numa parcela ínfima da população, basta analisamos os dados econômicos, estatísticos e demográficos apresentados pelo autor, além de informações retiradas dos órgãos governamentais. Estes dados apresentam dados muitos interessantes em termos de distribuição de riqueza no mundo e países, sendo bastante confiáveis. Num âmbito mundial, os dados demonstram percentualmente como a riqueza se distribui entre aqueles 1% da população que domina quase 90% da riqueza, enquanto os 90% mais pobres ficam com pouco mais de 10%. Assim, podemos atribuir a falha num modelo neoliberal, que vem avançando pelo planeta de forma insidiosa, a qual os donos do capital impõem o fim do Estado de bem estar social e almejam a presença de um estado ausente para impetrar uma política selvagem de desregulamentação de normas e colocar fim aos impostos sobre a taxação do capital e dos meios de produção. Tudo isso como forma de aumentar os lucros da empresas. Esse é o discurso neoliberal, que não se importa verdadeiramente com os serviços públicos voltados para as populações mais carentes das políticas publicas sociais. O capitalismo não quer barreiras e para isso se faz mais presente nos governos, financiando políticos conservadores e de uma direita que se coloque a serviço do capital para obter maiores vantagens. Por isso, não se fala, nas casas legislativas e no poder executivo, de medidas a respeito da taxação de grandes fortunas ou mesmo sobre heranças, assim como uma reforma tributária onde os políticos ligados aos grandes capitais financeiros não mencionam o imposto progressivo sobre aqueles que tem as rendas mais altas. Talvez um caminho para debelarmos a desigualdade seria justamente colocar o dedo na ferida da  distribuição de renda e torná-la mais equânime, que perpassa  justamente por esses dois mecanismos econômicos e fiscais: primeiro, taxar as altas rendas e o capital, num segundo momento ampliar o imposto sobre as heranças. Mas pelo que vemos o governo não vai mexer com a elite, por que dela faz parte e é subserviente. Especificamente no Brasil, os atuais mecanismos políticos populistas de direita retiram dos mais pobres para repassar aos miseráveis, numa ação mentirosa para continuar o velho jogo político e enganar a todos durante as campanhas eleitorais.       

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Críticas a quem merece, deboche aos inimigos

O sentido da palavra progressista nunca significou baderna, nem desordem e sabemos disso. O progressista é aquele, que como verifica na bandeira, permite-se andar rumo ao desenvolvimento, a equidade e justiça social, ao desenvolvimento econômico produtivo. Não a isso que está aí, um neoliberalismo financeiro, que destrói a industrialização e a produção de bens em prol do mercado financeiro. Pois, o que este governo vem fazendo através do ministro da economia é elevar ao máximo o capital financeiro, onde se ganha apenas em cima de um dinheiro fictício que se multiplica infinitamente e enche os bolsos dos acionistas em detrimento do investimento produtivo e geração de empregos. Crítico não só esse governo medíocre e incapaz, mas também as esquerdas institucionalizadas, digo aqui PDT e PT que agora se fecham contra o apoio às manifestações de ruas que precisam ocorrer, por que o trabalhador não está em casa para o "lockdown", tem sair para trabalhar, por que não recebe o 600,00. Que na verdade esse governo queria pagar 200,00. No entanto, a oposição bateu o pé e brigou para que mantivesse os 600,00. Não me venha com essa de defender este governo, por que não devemos ser gado, seja de esquerda, de direita, ou de religião. Temos que pensar criticamente e não tapar os olhos e nem nos calar. Sim, tenho apreço pela esquerda, desde que sejam reflexivas e inteligentes, nem por isso defendo muitas das atitudes e erros cometidos. Assim faço minha crítica e autocrítica. Mas, esse governo que está aí, deve ser tratado como inimigo e merece o deboche, o escárnio pela incompetência, a falta de empatia e sensibilidade com os pobres que morrem na fila para pegar o 600,00, se é que pegam. Portanto, o que vemos desse governo são atitudes grotescas e machistas  contra negros, mulheres e gays. Seus representantes tem atitudes fascistas, basta ver as falas do presidente. Infelizmente, essa é a realidade. Muitos dos porta-vozes que apoiam o que está posto a mesa é um bando de ignorantes da classe média presente na mídia que desconhecem e não sabem interpretar filosoficamente as ideias de Marx, Foucault, Cioran, Sócrates e outros, a começar pelo guru terraplanista do governo. Poderia citar aqui uma centena destes energúmenos que fazem a cabeça do gado. Já chega destes elementos protofascistas que agridem as pessoas, que humilham servidores. Essas atitudes incitadas por esse governo irracional mostra que deveria ser extirpado a força do poder.  A questão não é ser de direita esquerda ou centro, mas sim fazer uma crítica contundente, feroz e veemente contra esse destrambelhamento a qual estamos vivendo. Não há governo, o que há é um bando.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Tem dinheiro sim, mas o governo nos engana

Estamos sendo enganados e roubados pelo governo, digo isso porque foi votado na câmara e no senado em plena pandemia a MP930/2020 e a PEC10/2020. Esses projetos são amplamente nocivos à sociedade brasileira e quem vai pagar por estas operações de risco será o cidadão. O que causa mais estranheza na aprovação desse projeto é a participação dos partidos de esquerda como PT e PDT, que criaram um mecanismo, a qual parte do senado não aprovou, mas a câmara acabou passando a lei e vice-versa. Isso demonstra que os interesses das grandes empresas e bancos estão acima do poder político. Enfim, esses projetos beneficiam os bancos e grandes empresas. Sendo que o governo, através do Banco Central poderá comprar títulos podres diretamente em balcão. Essas operações estarão isenta de investigação, colocando os diretores e funcionários do BC imunes, ou seja,  acima da lei. Tais títulos podres tratam-se de papéis sem lastro de empresas falidas, que jamais serão ressarcidos. Os títulos podres, por exemplo, podem ser: debêntures emitidas por empresas privadas para financiar projetos de expansão, compra de máquinas e outros; assim oferecem juros aos investidores. No entanto, com a quebra da empresa esses papeis se tornam quase sem valor. Muitas vezes, os bancos ficam com esses títulos, que já são descontados de seu caixa e lucro. O governo ao adquirir esses papéis inúteis beneficiam apenas os bancos e não ganham nada em troca, quem paga por isso é população. Veja bem, temos mais de 4 trilhões de reais disponíveis para poder atender a situação de pandemia em que se encontra o país. Porém, criou-se uma mentira de que esse dinheiro não poder ser gasto. Pois, destina-se ao pagamento da dívida. Agora, qual dívida? Aquela que foi criada por entes privados e dada de presente ao Estado, onde quem paga somos nós. Isso tudo gera uma enorme escassez de riqueza somente para o povo, ao passo que os bancos e grandes corporações dominam praticamente toda a riqueza produzida. Para ser mais exatos os 4 trilhões em caixa estão divididos em 1,4 trilhões na conta do Tesouro Nacional, 1,7 trilhões em reservas internacionais e 1 trilhão no caixa do Banco Central. Isso é dinheiro parado na conta do Estado, que deveriam ser repassados para salvar as pequenas e médias empresas e também para servir de auxilio aos desempregados neste momento de pandemia. Agora, esse montante vai parar nas mãos dos bancos e como desculpa do governo é o dinheiro de pagamento da dívida pública.  Enquanto, isso o trabalhador está na rua e sujeito a morrer pelo vírus. Tudo isso por que não quer se pagar míseros 600,00 aos trabalhadores. Tem dinheiro sim, temos que nos informar e lutar contra esse governo que nos engana. Vamos seguir o exemplo da Argentina suspendendo o pagamento de parte da dívida. O modelo de financeirização que o Brasil quer fazer é extremamente nocivo para economia. Será que fomos escolhidos para adquirir esses papéis podres que datam da crise de 2008. Quanto aos partidos de esquerda, tanto no senado, ou na câmara devem uma explicação a sociedade por ter votado a favor nesse crime contra o nação.


quinta-feira, 28 de maio de 2020

Do capitalismo produtivo ao anarcocapitalismo: onde vamos chegar!

O mundo realmente não sabe para onde caminha, talvez em direção a abismo profundo e bastante escuro. A economia já não é tão previsível e se apresenta moribunda. O que vamos assistir daqui para frente é o caos. Não apenas pela atual condição atual de pandemia (COVID-19), e sim por uma estrutura que vem se desenhado ao longo do início do século XXI. O primeiro flash dessa derrocada dos pilares da social-democracia e os governos de esquerda começa na Europa com avanço das ideias conservadoras da direita e da extremas direita. As palavras de ordem são a desconstrução do aparato estatal, a não intervenção do estado e o amplo livre mercado. Isso é, que o capitalismo não gosta do Estado, pois se cobra imposto demais, se regula em demasia e o excesso de leis trabalhistas impedem os empresários crescer. Os donos dos meios de produção querem ampla liberdade para produzir e maximizar seus lucros. Enquanto, do outro lado temos o empregado que vende sua força de trabalho, que produz e movimenta o mercado consumidor. Mesmo, com um salário miserável, vai ao supermercado, a feira, paga impostos e contas. Esse é o capitalismo produtivo com base em mercadorias tangíveis, que permite a troca de bens por dinheiro. A mais-valia aqui é notória, pois aquilo que o trabalhador produz a mais e não recebe pelo excedente se traduz no lucro do empresário. Basta ler o capital de Marx para compreender essa dinâmica econômica. Por isso, Marx propôs ao ditadura do proletariado, onde os trabalhadores pudessem impor suas exigências. Enfim, quem faz mercadorias são os trabalhadores. Eles estão no chão das fábricas. Essa, mesma lógica ganha força na segunda metade do século XX, com avanço tecnológico e o desenvolvimento da computação. Os trabalhadores não estão mais nas atingas fábricas e nem apertam mais parafuso, caminham rumo à tecnologia sofisticada, que necessita de maior grau de compreensão, informação e estudo. Este trabalhador intelectual se insere na economia do conhecimento, geralmente tem formação superior e capacidade para lidar com ferramentas e máquinas computacionais que requer forte poder de processamento. Agora, temos a mais-valia do conhecimento, em que esses trabalhadores são fatigados na produção de ideias e explorados em sua criatividade. A produtividade exigida pelas empresas está naquele que resolve problemas, toma decisões sob pressão, tem de apresentar solução rápidas. Como Estado não atua mais diretamente nas políticas sociais e de proteção aos direitos, esses trabalhadores não tem qualquer respaldo e sujeitados a um regime de trabalho degradante. Os efeitos estão no aparecimento de doenças que afetam a saúde física e mental. Mas, o capitalismo atualmente  não quer mais produzir e muito menos empregar pessoas, viu no mercado financeiro uma nova forma de ter lucro alto sem gastos. As taxas de juros são muito mais atraentes, e se se coloca um capital que dá retorno a uma taxa de juros de 6,5% a 8% ao ano, por que produzir. Os governos de direita acabam incentivando essas práticas, sendo que estão à serviço do capital. Esses governos não querem um estado forte e presente, preferem salvar bancos à criar políticas sociais, ou combater a corrupção, porque são corruptos. O capitalismo financeiro não gera renda, não produz bens e serviços, apenas buscam o lucro por meio da especulação financeira. Não há consumo, nem renda, o que há é o dinheiro comprando ou vendendo mais dinheiro. Um demonstração clara de que o poder não emana do povo e o Estado  não passa de um castelo de cartas, que pode ruir a qualquer momento. quem domina é capital especulativo, que ao sair de uma nação pode levá-la a uma crise sem precedentes. A conta vai parar nas mãos do povo. Agora, em termos de Brasil fica patente essa guinada da extrema direita ao poder, trata-se de um projeto político mundial orquestrado por grandes corporações dominantes, representantes do conservadorismo e de algumas facções religiosas e da mídia marrom a serviço da destruição das instituições  republicanas , que utilizam da democracia e precisam dela para operar seus planos. A ideia é não governar, mas criar o caos, implantar o anarcocapitalismo. Um Capitalismo medíocre que não se baseia na produção de bens e serviços e sim numa anomia social pautada no milicianismo, na ingerência da administração pública, no fim da cidadania e da leis. Vamos viver momentos profundos não só de uma crise gerada pela pandemia, teremos também uma crise econômica, política, social e principalmente existencial. Não á direção, enquanto esse governo virulento estiver no poder. 

Natureza

Natureza