sábado, 7 de fevereiro de 2026

Banco Master - A corrupção no capitalismo financeiro

Diante da grandes repercursões políticas e econômicas que tomam conta da mídia nacional e abalam todo o país, não poderíamos deixar falar aqui a respeito do caso do Banco Master. Até mesmo por eu ter investido em um CDB deles que prometiam retorno de 120% do CDI, que com muito custo fui ressarcido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Mas infelizmente, tem uma grande parcela de pessoas que investiram seja diretamente, ou via fundos de investimentos que não irão receber facilmente os valores. Sim, podem dizer que somos iludidos por altos retornos e ganhos fáceis, ou seja, visamos o lucro. Isso é perfeitamente normal dentro de uma economia capitalista. Principalmente no atual capitalismo financeiro, em que o dinheiro virou mercadoria - mercadoria intangível (números numa tela de computador). A era do dinheiro virtual, cujo juro é a forma de remuneração pelo empréstimo de valores monetários. Trara-se de um sistema baseado na confiança, daí o termo fiduciário (fé, crença, acreditar no outro). Interessante observar que tais palavras são fortemente presentes nos dogmas religiosos. Parece que dinheiro e religião entrelaçaram-se e comungam o mesmo objetivo. Alguns de meus leitores podem dizer: isso é paranoia, que é apenas mera coincidência e coisas do tipo. Se formos buscar nos fatos históricos, algumas religiões dissidentes do catolicismo eram bastante tolerantes a usura, nada mais que empréstimos a juros. Essas religiões preconizaram os ideais burgueses e capitalistas. Digo isso, pelo fato de que a história percorre ciclos e segue uma mesma lógica, no entanto o espaço e o tempo muitas vezes se diferem. Aonde quero chegar diante desse pensamento? bem, a resposta está justamente aqui, no Brasil, em pleno século XXI. Porém, precisamos fazer um esforço intelectual e pontuar alguns fatos anteriores para entender a realidade atual dos aconecimentos. A força capitalista propulsionada pelo motor da indústria, produção e o consumo de bens em meados do anos 70 do século XX incia sua derrocada.Ocorre o processo de desindustralização e modelo fordista perde força em quase todo o mundo. Os sindicatos, as associações e as lutas dos trabalhadores são minadas, assim como a grande indústria fabril. O capitalismo fordista de produção deixa de ser o modelo atraente e abre espaço para serviços e a financeirização. Os bancos tornam-se os imperadores do mercado. As finanças e o mercado financeiro determinam como será o jogo do poder. Não interessa mais produzir e vender da maneira antiga. O mote é inserir o consumidor no jogo do crédito e débito,ou seja, a mercadoria é só uma isca para atrair futuros devedores, e deles cobrar juros. A era do homem endividado. Aquele que não possui empréstimos e dívidas deixa de ser atraente ao mercado. Com tudo isso, a indústria ganha com a bancarização e emissão de títulos créditicios. Vejam bem, toda essa mudança atinge desde de indivíduos à países. Pois, grandes nações passam a contrair empréstimos à juros devido a desindustrailização e  cairem na ideologia neoliberal, ficam então sujeitas aos ditâmes de países credores e grandes conglomerados financeiros. As consequências desse neoliberalismo foram avassalodoras, como as crises constantes e abalo na soberania de muitos países que impactarm diretamente na democracia. As privatizações e a austeridade nos gastos públicos marcam bem essa época no Brasil, no final dos anos 90 com o governo de Fernando Henrique Cardoso. A implementação do ideal neoliberal teve um custo enorme para o país, privatizações a toque de caixa, aumento do desempergo, mesmo com baixa inflação a pobreza extrema prevalecia. A distribuição da riqueza situava-se em níveis elevados. A elite ainda possuia grande parte da riqueza produzida em suas mãos. Nos bastidores da política e da economia a usura imperava e fazia com que as fortunas crescessem ainda mais. Os grandes bancos tinham lucros absurdos. Para captar mais dinheiro e ampliar as linhas de créditos ás famílias, às empresas e aos pequenos negócios entrava em cena a criatividade financeira do mercado. O mix de produtos financeiros - assim como a variabilidade de espécies de plantas e animais dentro da biologia - caminhavam numa diversidade assustadora. O bancos, corretoras, financeiras e gestoras de investimentos, além das casas de análises locupletavam-se numa pleiade de entes financeiras. Muitas delas sem qualquer real lastro de capital, no intuito apenas de captar dinheiro de investidores com a promessa de altos rendimentos. Muitos dos produtos financeiros lastreados por essas entidades eram compostos de títulos e ativos denominados podres, com muito pouco valor real e artificialmente valorizados. Um exemplo claro,  são os subprimes norte-americano, divídas imobiliarias (hipotecas) que eram vendidos aos  pequenos investidores sem qualquer clareza em relação ao risco de crédito e capacidade do devedor em honrar a dívida. É importante observamos com clareza, que o capitalismo ao buscar novas maneiras de acumular-se e crescer não se importa com o modelo econômico e nem mesmo com o seu detentor. Por isso o dinheiro perpassa por diferentes de mãos e determina quem o comandará. Na atualidade, o capital conforma-se no modelo do dinheiro produzindo mais dinheiro sem passa pelo crivo da  mercadoria, tornou-se um fim em si mesmo. Daí nasce o capitalismo financeiro e com ele toda uma espécie de produtos para o gosto do freguês, da qual citamos logo acima. Pois, é nesse instante que poderemos analisar detidamente os casos mais absursos e bizarros de grupos ou indivíduos que fizeram desta vertente de capitalismo financeiro para gerar fortunas e se aproveitar do poder. Especificamente, o caso do Banco Master (claro que casos anteriores e outros futuros adentraram e  adentrarão as páginas policiais e da mídia, assim como os meios políticos) mostra-se mais recente e gerou todo um burburinho nos corredores de Brasília. Não há nada demais em adquirir títulos de créditos privados como CDBs, LCIs, LCAs, FDICs e outros produtos financeiros. Tratam-se, a grosso modo, de compras de dívidas, em que empresas tomam empréstimos e assim pagam juros conforme o risco. Quanto maior o risco, maior os juros.  Ai que entra a mágica do Banco Master, com seu truque de ilusionismo financeiro, ao emitir títulos de créditos privados com promessa de juros acima do 120% do CDI. O Banco captou dos investidores bilhões em reais, mas sem condições reais honrar com os credores. A verdadeira questão é que o Master não possuia se quer patrimônio e muito menos capital sufcientes para arcar com prejuízos. Enquanto isso, o seu dono vivia uma vida luxuosa e de aparências, gastando o dinheiro dos investidores. Bem próximo ao esquema das pirâmides, só que com aval político. O mais interessante dessa história toda é o que há por trás de tudo. O dono do Banco Master tem ligações com a igreja a qual pertence um deputado da direita e o seu pastor está ligado diretamente ao banqueiro (laços familiares). Uma forte rede que interliga poliítica, igreja e capital financeiro. O Banco Master, assim como outros negócios bilionários demonstra a incapacidade de grandes empeendimentos de andarem sozinhos, e dependem fortemente de aportes do Estado e subsídios estatais. O mais intrigante é saber que uma boa parcela da população enxerga isso de maneira tão natural e até defende tal atitude. Como se a corrupção por parte das empresas nem se quer exista e condenam apenas o governo. Houve por parte do empresário claras tentativas de aproximar-se de pessoas do Estado para obter vantagens e ganhos. Mais uma vez os vícios privados tentam alinhar do vícios públicos.  

Natureza

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